Ainda, de acordo com o Mundim, se o trabalhador que ganha um salário mínimo tiver seu salário equiparado ao trabalhador que ganha um salário médio, este último sai perdendo e o primeiro NÃO sai ganhando. Se o aumento real do salário mínimo decorresse de uma flutuação do mercado de trabalho, ele seria indiferente para quem ganha acima do salário mínimo, mas se essa tentativa de aumento não decorrer de uma flutuação do mercado de trabalho, ela prejudica quem ganha acima do salário mínimo e é indiferente para quem ganha apenas o salários mínimo. A razão dessa redução de poder aquisitivo de quem ganha acima de um salário mínimo e de indiferença de quem ganha apenas um salário mínimo é que 'todo aumento forçado do preço de um ítem acima de seu valor de mercado causa inflação. O trabalhador que ganha um salário médio, então, tem seu poder de compra diminuído'. É isso que o Pedro Mundim chama de um achatamento pela base na pirâmide salarial.

Se uma tentativa de aumento do salário mínimo acima da inflação sem uma flutuação do mercado de trabalho causa perdas à classe trabalhadora, alguém sai ganhando. Esse alguém é a burguesia.

Na ótica do Pedro Mundim, os salários não podem ter aumento acima da inflação, pois se isso acontecer os trabalhadores acabam sendo prejudicados, mas os capitalitas podem inflacionar seus produtos e serviços sem que com isso saiam prejudicados, ao contrário, ao agirem assim saem ganhando, pois muitas vezes as perdas salariais dos trabalhadores não são repostas, pois em geral o poder aquisitivo dos trabalhadores é cada vez menor. Ou seja, se a mão-de-obra for paga abaixo de seu preço de mercado, esse pagamento não causa deflação.

Digamos que não tenha havido flutuação no mercado de trabalho mas o aumento da produtividade do trabalho permite aos trabalhadores produzirem na mesma jornada de trabalho o dobro do que antes produzia. Nesse caso, se o governo aumentar o salário real dos trabalhadores esse aumento também provocará inflação?