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| | Ao tentar dar aumento real de salário, o governo acaba prejudicando os operários Por Lima 09/11/2012 às 21:17 De acordo com o Pedro Mundim, "o máximo que o governo pode fazer é aumentar o salário mínimo. Mas isso não é mesmo que aumentar o salário médio. O aumento do salário mínimo acima da inflação apenas cria um achatamento pela base na pirâmide salarial: aquele cidadão que até a véspera ganhava pouco menos que o mínimo, passa a ganhar exatamente um mínimo. E aquele outro cidadão que ganhava um real a mais que o mínimo, continua ganhando a mesma coisa." Ainda, de acordo com o Mundim, se o trabalhador que ganha um salário mínimo tiver seu salário equiparado ao trabalhador que ganha um salário médio, este último sai perdendo e o primeiro NÃO sai ganhando. Se o aumento real do salário mínimo decorresse de uma flutuação do mercado de trabalho, ele seria indiferente para quem ganha acima do salário mínimo, mas se essa tentativa de aumento não decorrer de uma flutuação do mercado de trabalho, ela prejudica quem ganha acima do salário mínimo e é indiferente para quem ganha apenas o salários mínimo. A razão dessa redução de poder aquisitivo de quem ganha acima de um salário mínimo e de indiferença de quem ganha apenas um salário mínimo é que 'todo aumento forçado do preço de um ítem acima de seu valor de mercado causa inflação. O trabalhador que ganha um salário médio, então, tem seu poder de compra diminuído'. É isso que o Pedro Mundim chama de um achatamento pela base na pirâmide salarial.
Se uma tentativa de aumento do salário mínimo acima da inflação sem uma flutuação do mercado de trabalho causa perdas à classe trabalhadora, alguém sai ganhando. Esse alguém é a burguesia.
Na ótica do Pedro Mundim, os salários não podem ter aumento acima da inflação, pois se isso acontecer os trabalhadores acabam sendo prejudicados, mas os capitalitas podem inflacionar seus produtos e serviços sem que com isso saiam prejudicados, ao contrário, ao agirem assim saem ganhando, pois muitas vezes as perdas salariais dos trabalhadores não são repostas, pois em geral o poder aquisitivo dos trabalhadores é cada vez menor. Ou seja, se a mão-de-obra for paga abaixo de seu preço de mercado, esse pagamento não causa deflação.
Digamos que não tenha havido flutuação no mercado de trabalho mas o aumento da produtividade do trabalho permite aos trabalhadores produzirem na mesma jornada de trabalho o dobro do que antes produzia. Nesse caso, se o governo aumentar o salário real dos trabalhadores esse aumento também provocará inflação?
>>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Exatamente. Qualquer aumento forçado além do valor de mercado, seja o mercado de trabalho ou outro qualquer, causa uma reacomodação de preços e valores. O poder de compra do cidadão que ganha um salário mínimo e teve um aumento, tem um ganho no primeiro momento, mas o poder de compra do outro cidadão que ganha acima do mínimo e não teve aumento nenhum, sofre uma redução por efeito da inflação resultante - no fim, um compensa o outro. Se esse achatamento pela base for levado às últimas conseqüências, o que vai acontecer será todos os trabalhadores da base da pirâmide ganharem o mesmo valor de um salário mínimo. Quando esse dia chegar, aquele trabalhador jovem e sem qualificação não terá mais nenhum incentivo para fazer um curso no Senai ou outro curso qualquer: para que, se após formado, ele continuará ganhando o mesmo salário mínimo que já ganha? As greves também serão cada vez menos efetivas, pois o trabalhador de uma categoria específica saberá que se conseguir o aumento, todos os outros patrões de todas as outras categorias terão que dar o mesmo aumento, já que se trata do salário mínimo fixado por lei, então a resistência dos patrões será muito maior.
O que importa realmente é o salário médio fixado pelo mercado, e não o salário mínimo fixado pelo governo. Na época do "milagre brasileiro", o valor do salário mínimo caiu muito, pois o governo concedia reajustes inferiores à inflação, mas em contrapartida o valor do salário médio cresceu bastante em razão do aquecimento da economia e da situação de pleno emprego, que forçou os patrões a conceder aumentos a fim de convencer os empregados da outra fábrica a mudar de emprego. É essa a explicação do aparente paradoxo de como um governo ditatorial que promovia o arrocho salarial ter tido tanto apoio dos trabalhadores.  | Se os reajustes do salário mínimo acima da inflação provocarem seu suposto achatamento pela base, isso não criará nenhum desestímulo para que o trabalhador se qualifique. O patrão cria incentivos dobrando, triplicando ou decuplicando o salário do trabalhador qualificado. Agora mesmo, o salário mínimo está achatado pela base mas isso não impede o patrão de pagar um salário maior a quem tem qualificação.
O que eu não estou entendendo é o porque de quando o governo concede reajuste do salário mínimo acima do índice inflacionário sem que haja em contrapartida flutuação no mercado de trabalho, quem ganha um salário mínimo não tem seu poder aquisitivo elevado, em virtude do seu aumento salarial ser anulado pela inflação decorrente desse suposto aumento sem base, e quem ganha salário médio sai perdendo por causa da inflação; já durante o regime militar, quando ocorreu flutuação no mercado de trabalho - pleno emprego - quando a procura de mão-de-obra era maior do que a oferta, o governo reajustava o salário mínimo abaixo da inflação e esse reajuste causava perdas a quem ganhava o salário minimo e ganho a quem ganhava acima de um salário mínimo. Ou seja, apesar da flutuação no mercado de trabalho durante os anos de chumbo, os ganhos salariais eram anulados pelas perdas respectivas. Qual a vantagem para a classe operária?
Aliás, se os trabalhadores que ganhavam o salário mínimo acumularam perdas salariais durante o regime militar, em razão dos reajustes do salário mínimo serem sempre inferiores aos índices inflacionários, os reajustes dos trabalhadores que ganhavam salários médios não deviam ser acima da inflação, pois se assim fosse, o que os patrões ganhassem explorando os trabalhadores que ganhavam o salário mínimo seria anulado pelos que ganhavam salários médios.
Bem, Mundim, só tem um jeito de sanar esse seu arrazoado: admitindo que o número de trabalhadores que ganhavam salário mínimo era dez vezes superior ao número dos que ganhavam o salário médio.  | Reajustes do salário mínimo ACIMA da inflação sem flutuação no mercado de trabalho causa inflação. Já reajustes dos salários abaixo da inflação também causam inflação mesmo havendo flutuação no mercado de trabalho, pois o Mundim disse que o governo concedia reajustes inferiores à inflação.
 | Nada impede que o patrão dê um salário maior a quem tem qualificação. Mas também nada obriga. O motivo do patrão pagar mais a quem é mais qualificado é que se ele não fizer isso, o empregado vai trabalhar para outro patrão.
Suponha que o salário mínimo seja 600, e em uma firma o servente (sem qualificação) ganha um salário mínimo, e o marceneiro (com curso no Senai) ganha 800. Aí vem o governo e diz que o novo valor do salário mínimo será de 800. O patrão aumenta o salário do servente, já que é obrigado a isso. Mas não aumenta o salário do marceneiro, pois nada o obriga a reajustar todos os salários proporcionalmente. O servente não vai querer fazer curso no Senai, porque não terá nenhum aumento por causa disso, continuará ganhando os 800 que já recebe. E o marceneiro pode até se achar injustiçado, mas se trocar de emprego, receberá os mesmos 800 do novo patrão, porque esse é o valor de mercado.
Não é "sob a minha ótica" que os salários não podem ter aumento acima da inflação. São as leis da economia que dizem isso. Não fosse assum, bastava a Dilma lavrar um decreto dizendo que todos os salários, de hoje em diante, serão multiplicadas por 10 e o novo valor do mínimo é de 6 mil. O povo brasileiro será rico no dia seguinte? Não. Os patrões também vão multiplicar por dez o preço de seus produtos, haverá uma fulminante inflação e os salários multiplicados por dez terão o mesmo poder de compra dos salários antigos.
Mas se há um aumento de produtividade, então é o próprio patrão que dá aumento a seu empregado, pois se não o fizer, outro patrão o fará. Aumento de produtividade significa mais riqueza circulando, mais consumidores, mas firmas abrindo ou se expandindo. As empresas têm que disputar os empregados no mercado. Era isso o que acontecia no tempo do "milagre". O valor do salário mínimo era baixo, mas poucos operários ganhavam um salário mínimo, a maioria deles recebia 2, 3 mínimos.  | A necessidade de mão-de-obra qualificada obriga o patrão a remunerar melhor o trabalhador qualificado. O mesmo motivo que um patrão tem para pagar mais a um empregado qualificado para impedir que ele vá trabalhar em outra empresa tem o patrão concorrente para pagar mais ao trabalhador qualificado para atraí-lo para sua empresa.
No seu exemplo, um patrão pagará ao marceneiro mil reais para que ele deixe a empresa em que trabalhava e vá trabalhar na sua empresa.
Os salários dos médicos foram reduzidos à metade já que foram obrigados a trabalhar o dobro do que trabalhavam mas continuaram a receber o mesmo salário. Porque os preços das consultas médicas e das cirurgias não baixaram pela metade?
 | O que faz baixar os salários dos operários qualificados não é o aumento do salário mínimo, é o aumento do número de operários qualificados. Quanto maior o número de operários qualificados, maior a concorrência entre eles e menor seus salários.
"A competição, segundo um economista americano, determina quantos dias de trabalho simples estão contidos em um dia de trabalho complexo. Esta redução dos dias de trabalho complexo a dias de trabalho simples não pressupõe, nela própria, que o trabalho simples seja tomado como medida de valor? Se a simples quantidade de trabalho funciona como medida de valor indiferente à qualidade, isto pressupõe que o trabalho simples se torna o pivô da indústria. Pressupõe que o trabalho tenha sido equalizado pela subordinação do homem à máquina ou pela extrema divisão do trabalho; que os homens sejam obliterados pelo seu trabalho; que o pêndulo do relógio se torne uma medida tão acurada da atividade relativa de dois trabalhadores como da velocidade de duas locomotivas. Portanto, não deveríamos dizer que um homem durante uma hora vale tanto quanto outro homem durante uma hora. Tempo é tudo, o homem é nada, no máximo ele é apenas a carcaça do tempo. A qualidade já não mais importa. A quantidade sozinha decide tudo, hora por hora, dia por dia." - Karl Marx, Miséria da Filosofia.  | Até uma crinaça sabe que um trabalhador empregado não faz baixar o salário de outro trabalhador empregado. O que ocorre é justamente o contrário, quanto maior o número de trabalhadores empregados, tanto mais elevados os salários. A única exceção à essa regra foi o pleno emprego ocorrido durante o regime militar, o qual ocorreu justamente por causa dos baixos salários mantidos à força pelo regime militar. O monopólio da violência pelos militares golpistas torturadores, a lei da oferta e da procura foi revogada no mercado de trabalho. A demanda de mão-do-obra era maior do que a oferta mas mesmo assim os salários se mantiveram baixo por conta da força bruta dos militares e em razão de os salários serem tão baixos é que o número de empregados foi tão grande.
O que pressiona negativamente os salários dos trabalhadores são os lucros dos patrões, - quanto mais elevados os lucros, mais reduzidos os salários, e vice-versa - e o número de trabalhadores desempregados, o chamado exército industrial de reserva. Quanto maior o número de trabalhadores desempregados, mais reduzidos os salários dos que estão empregados, já que numa conjuntura onde o número de trabalhadores desocupados é muito elevado, os trabalhadores empregados se sujeitam aos mais baixos salários possíveis, à máxima jornada de trabalho e a piores condições de trabalho para não perderem seus postos para os trabalhadores desempregados.
Já ao poder aquisitivo dos trabalhadores qualificados, ele é determinada pela concorrência entre tais trabalhadores. Suponhamos que num universo de 10 milhões de trabalhadores, 250 mil desses trabalhadores sejam qualificados e ganhem, por conta das suas qualificações, 10 salários mínimos, os trabalhadores restantes ganhem apenas um salário mínimo, cada. Se o número de operários qualificados dobrar e a demanda por mão-de-obra qualificada não se alterar, os salários dos trabalhadores qualificados é reduzido à metade, passa, no caso da nossa suposição, para 5 salários mínimos.  | Na campanha presidencial de 2006, o jornal global 'Bom Dia, Brasil' entrevistou a então candidata Heloisa Helena. A Miriam Leitão fez a seguinte pergunta à referida candidata:
"O programa do P-SOL, seu partido, defende a reposição salarial mensal da inflação. A inflação foi sempre um fantasma que perseguiu os brasileiros durante 40 anos, e essa reposição, nós já vimos, é um processo inflacionário. A senhora não defende a estabilidade da moeda?"
A Miriam Leitão defende a estabilidade da moeda às custas das perdas salariais dos trabalhadores. A classe operária fica num dilema: ou aceita as perdas salariais impostas pela inflação ou vê acabada a estabilidde da moeda, isto é, tem de volta a inflação alta.
Agora o Mundim vem e afirma que os reajustes salariais concedidos pelo regime militar era sempre inferior à inflação e apesar dessas perdas salariais, a moeda não se estabilizou.
Para o Pedro Mundim a causa da inflação não era a reposição das perdas salariais. De acordo com a Miriam Leitão, a causa da inflação era a reposição das perdas salariais. Em qual dos dois devo acreditar?  | A argumentação de vocês é uma coleção de lógicas incompletas conduzindo a conclusões bombásticas. Isso mostra que vocês não são exatamente burros, e sim arrogantes: acham que com meia hora de aula já podem dar lições ao professor, e com meia dúzia de dados já podem explicar por inteiro qualquer fenômeno da economia.
Mas confrontadas com os fatos, não sobra nada. Vamos examinar algumas daqui:
"Os salários são inversamente proporcionais aos lucros"
Brilhante! Só faltou explicar porque nos países ricos, a média salarial é bem mais alta, e não obstante, os lucros dos patrões também o são, haja visto que a maioria dos milionários se encontra no primejro mundo, e não no terceiro.
"Os salários dos médicos foram reduzidos à metade já que foram obrigados a trabalhar o dobro (...) Porque os preços das consultas médicas e das cirurgias não baixaram pela metade?"
Outro exemplo de lógica incompleta. O salário dos médicos não é o único ítem da planilha de custo dos hospitais. Para responder a sua pergunta, são precisos mais dados.
"Qto mais operários qualificados, + reduzidos seus salário"
Brilhante de novo! Só faltou explicar porque, nos países ricos, há um número muito maior de operários qualificados, e não obstante, seus salários são muito maiores.
"Quanto maior o número de operários qualificados, maior a concorrência entre eles e menor seus salários"
Outra lógica incompleta. Não é falso afirmar que quanto maior o número de concorrentes a uma vaga (sejam operários qualificados ou não), menor será o salário. Mas a equação não tem apenas uma incógnita. A outra incógnita é a quantidade de capital que o empregador dispõe para aquela vaga. O valor de mercado só pode ser equacionado se todas as variáveis intervenientes forem conhecidas.
"...o pleno emprego ocorrido durante o regime militar, o qual ocorreu justamente por causa dos baixos salários mantidos à força pelo regime militar"
Os militares mantiveram baixo o salário mínimo, mas não o salário médio. Esse é determinado pelo mercado de trabalho, e não pelo governo. O salário médio aumentou porque havia mais vagas do que candidatos, independente do valor estipulado para o salário mínimo: de que adiantaria o governo dizer que o salário mínimo é de 200 cruzeiros, se os empregadores da época não encontrariam ninguém disposto a trabalhar por menos que 600 cruzeiros?
"Agora o Mundim vem e afirma que os reajustes salariais concedidos pelo regime militar era sempre inferior à inflação e apesar dessas perdas salariais, a moeda não se estabilizou"
Mais lógica incompleta. O valor dos reajustes não era o único fator para a estabilidade da moeda. Não houve estabilidade da moeda, na época, basicamente porque o governo gastava demais e emitia mais do que arrecadava.  | O Mundim disse que quando o governo fixa o salário mínimo, ele causa inflação e acaba determinando para baixo o salário médio. Agora o memória curta diz que quem determina o salário mínimo é o governo e quem determina o salário médio é o mercado. O salário médio cai quando o salário mínimo é elevado acima da inflação e sobe quando o salário mínimo é ajustado abaixo da inflação. Então quem é que determina o salário médio: o mercado ou o estado?
A Miriam Leitão está errada.  | Como diria o Lulu Santos, tem certas coisas que eu não sei dizer. Afirmar que a causa da inflação era o fato do governo gastar em demasia e emitir moeda mais do que arrecadava é uma dessas coisas que eu não consigo entender.
Se o governo emitisse dinheiro e o distribuísse para quem não tinha dinheiro e para aqueles que tinham muito pouco, essa distribuição faria aumentar a demanda e elevar os preços das mercadorias e serviços. Mas não era isso o que acontecia. Mesmo que isso acontecesse, não esqueçamos que a oferta de produtos e serviços aumentava, pois o Brasil crescia em média 10% ao ano durante o 'milagre 'econômico'.
Como é que então a emissão de dinheiro gerava inflação se o dinheiro emitido era distribuído a quem tinha dinheiro proporcionalmente à quantidade de dinheiro que cada classe possuía?  | Se o Estado beneficia igualitariamente a burguesia e o proletariado, as suas emissões monetárias não deveriam causar inflação, pois a inflação prejudica a classe trabalhadora e beneficia os empresários, pois os trabalhadores pagam o salário mínimo aos empregados e vendem a cesta básica acima de um salário mínimo.  | "O Mundim disse que quando o governo fixa o salário mínimo, ele causa inflação e acaba determinando para baixo o salário médio. Agora o memória curta diz que quem determina o salário mínimo é o governo e quem determina o salário médio é o mercado"
Que salada! Simplesmente fixar o salário mínimo não causa inflação. Fixá-lo acima do valor de mercado causa. O valor do salário médio vai para cima ou para baixo conforme a procura por empregados. E sim, é o governo que fixa o salário mínimo e o mercado que fixa o salário médio. Alguma dúvida quanto a isso?
"O salário médio cai quando o salário mínimo é elevado acima da inflação e sobe quando o salário mínimo é ajustado abaixo da inflação"
Uma coisa não determina a outra. O salário médio no tempo do "milagre" subiu porque a economia estava aquecida e havia grande procura por empregados, e é duvidoso afirmar que isso teve alguma coisa a ver com o governo mantendo baixo o valor do salário mínimo.
"Se o governo emitisse dinheiro e o distribuísse para quem não tinha dinheiro e para aqueles que tinham muito pouco, essa distribuição faria aumentar a demanda e elevar os preços das mercadorias e serviços..."
Isso apenas faria aumentar a quantidade de dinheiro disponível para comprar a mesma quantidade de produtos. Imprimir mais dinheiro não faz aparecer mais ítens nas prateleiras. Não importa para quem o govrno distribuisse esse dinheiro, pois uma vez que ele fosse passado adiante, circularia na economia e provocaria inflação.
"Se o Estado beneficia igualitariamente a burguesia e o proletariado, as suas emissões monetárias não deveriam causar inflação..."
Como eu disse antes, não importa para quem o governo distribui o dinheiro emitido sem lastro, pois uma vez que o dinheiro é passado adiante, ele circula na economia e causa inflação. E quem é prejudicado mais pela inflação é aquele que tem um valor fixo de salário e usa papel-moeda, pois o rico pode repassar a alta dos custos para o preço de seus produtos e fazer aplicações financeiras com o seu capital, e assim não só anula os efeitos da inflação, como tem lucro com ela. A inflação é um dispositivo altamente concentrador de renda.  | Fixar o salário mínimo acima do valor de mercado causa inflação. Porque que fixá-lo abaixo do valor de mercado não causa deflação?
Porque a lei só funciona num sentido?
Fixar o salário mínimo acima da inflação causa inflação. O reajuste do salário mínimo é efeito ou é causa da inflação? A inflação é um dispositivo altamente concentrador da renda. O reajuste do salário mínimo acima da inflação, que poderia desconcentrar a renda, agrava o problema.
Qual a solução para desconcentrar a renda?
Reduzir os gastos do governo e os impostos sobre o consumo, a fim de aliviar os mais pobres, e ao mesmo tempo aumentar a arrecadação sobre os ricos, de forma a não ser preciso emitir moeda?  | Conforme o Sr. Pedro Mundim, quando o salário mínimo não é fixado pelo governo de acordo com a lei da oferta e da procura, essa fixação acima ou abaixo da inflação interfere no valor do salário médio, fazendo-o subir ou baixar conforme a fixação do salário mínimo seja acima ou abaixo da inflação. Ainda, de acordo com o mesmo Senhor, se o governo emite moeda para cobrir seus déficits públicos, ele também interfere no valor de todos os salários, uma vez que ele gera inflação com essa emissão, a qual beneficia a classe capitalista e prejudica os trabalhadores, por ser a inflação um dispositivo altamente concentrador de renda.
Do que eu concluí disso tudo foi que, mesmo quando o governo fixa o salário mínimo de acordo com a lei da oferta e da procura no mercado de trabalho, quem está, no final das contas, fixando esse salário mínimo é o mercado, com o governo apenas chancelando a fixação dp salário mínimo pelo mercado. Portanto, se as coisas se passam dessa forma, é falso dizer que o governo fixa o salário mínimo e o mercado fixa o salário médio. Ou o salário mínimo e o salário médio são fixados ambos pelo governo ou pela lei da oferta e da procura.  | Mundim, você escreveu que o valor do salário médio vai para cima ou para baixo conforme a procura por empregados.
O valor do salário médio também não vai para cima ou para baixo conforme a oferta de empregados?
Se a procura por empregados aumentar e a oferta aumentar na mesma proporção, o salário médio não continua inalterado?  | "Fixar o salário mínimo acima do valor de mercado causa inflação. Porque que fixá-lo abaixo do valor de mercado não causa deflação?"
Pelo seguinte motivo: se o valor do mínimo for fixado abaixo do valor de mercado, vira letra morta, pois o empregador sabe que não conseguirá empregado por aquele valor. É como se o mínimo não existisse.
"O reajuste do salário mínimo é efeito ou é causa da inflação?"
Já estava demorando, mas começaram de novo aqueles sofismazinhos manjados como inverter causas e conseqüências, ou lançar um lema circular tipo quem -nasceu-primeiro-o-ovo-ou-a-galinha, de modo a fazer a discussão dar voltas sem fim e não chegar a lugar nenhum. Mas eu respondo. O reajuste do salário mínimo com valores ACIMA DA INFLAÇÃO PASSADA é causa de mais inflação, pois o custo real do trabalho aumenta. Mas o reajuste do salário mínimo com valores IGUAIS AOS DA INFLAÇÃO PASSADA é meramente o efeito, e não causa dessa inflação.
"Qual a solução para desconcentrar a renda?"
Aumentar o valor agregado à força de trabalho, que é a mercadoria que o trabalhador tem para vender. Isso significa utilizar modos de produção tecnologicamente mais avançados, com maior grau de automação e mão-de-obra mais capacitada.
"...e ao mesmo tempo aumentar a arrecadação sobre os ricos, de forma a não ser preciso emitir moeda?"
Pelo visto, você pensa que o dinheiro do rico está todo em um saco debaixo do colchão, e basta o governo ir lá pegá-lo. Mas o dinheiro do rico está aplicado em várias atividades que geram oportunidades diretas ou indiretas para os trabalhadores, e se o governo obriga o rico a dar-lhe esse dinheiro na forma de impostos ao invés de aplicá-lo na atividade produtiva, estará lançando na pobreza todos aqueles que dependem de tais atividades.
"Quem, afinal, fixa os salários: governo ou o mercado?"
O mercado, sempre. O salário mínimo existe apenas para criar no povo a ilusão de que é o governo que determina seu salário, e se ele quiser que seu salário suba, deve votar no governo. Mas se o salário mínimo estipulado não corresponder ao valor de mercado, ele será, de um modo ou de outro, uma ficção. Se for maior que o valor de mercado, causa a distorção nas faixas salariais que eu denominei achatamento pela base, e no fim a inflação faz voltar o poder de compra ao que era antes, restando como efeito apenas a aproximação da faixa dos trabalhadores pouco qualificados com a faixa dos trabalhadores medianamente qualificados. Se o salário mínimo for inferior ao valor de mercado, é simplesmente ignorado. Foi o que aconteceu na época do "milagre", quando o salário mínimo era tão baixo que quase nenhum operário o recebia - a regra era pagar 2, 3 salários.
"O valor do salário médio também não vai para cima ou para baixo conforme a oferta de empregados?"
Sim. É uma equação de duas incógnitas. Depende da oferta de trabalho e da oferta de empregados.  | Primeiramente o Mundim afirmou que quem fixa o salário mínimo era o governo e quem fixa o salário médio é o mercado:
"Os militares mantiveram baixo o salário mínimo, mas não o salário médio. Esse é determinado pelo mercado de trabalho, e não pelo governo."
Depois, quando lhe perguntaram 'quem, afinal, fixa os salários: governo ou o mercado?', ele respondeu:
"O mercado, sempre. O salário mínimo existe apenas para criar no povo a ilusão de que é o governo que determina"
De acordo com o Mundim, a solução para desconcentrar a renda é 'aumentar o valor agregado à força de trabalho, que é a mercadoria que o trabalhador tem para vender. Isso significa utilizar modos de produção tecnologicamente mais avançados, com maior grau de automação e mão-de-obra mais capacitada'.
Vamos confrontar a 'solução' mundiniana com os fatos. Antigamente o poder aquisitivo dos bancários era bem superior ao que é hoje. Por outro lado, os bancos estão se utilizando de máquinas e equipamentos bem mais avançados do que antigamente, com um grau bem mais elevado de automação. Devemos concluir que os bancários estão ganhando menos porque estão menos capacitados ou devemos que a 'solução' do mundim não funciona?  | "A professora Henriette Amado, mulher de Gilson Amado, muitas vezes me advertia com o calor de sua amizade - João, pense um pouco antes de falar, não diga certas coisas sem refletir melhor, você parece que tem um barbante ligando o seu cérebro à sua boca, tudo o que lhe vem à cabeça, você fala. Não dá certo. De nada adiantava a prudente observação da professora Henriette. Dediquei-me a estudar a política salarial do Brasil, ao longo dos anos. Fiquei estarrecido. Publiquei meu primeiro livro sobre o assunto ainda em 1961, Salário não é causa de inflação ( Coleção Cadernos do Povo Brasileiro, Editora Civilização Brasileira ). A história do salário tem conotações absurdas, difíceis de se acreditar. Criado em 1940 sob o estranho critério de que deveria ser nivelado por baixo, isto é, seu valor seria o do mais baixo salário existente no país, de modo que consagrasse a idéia de vencimento mínimo, sofreu seu primeiro reajuste em 1943, e outro 8 anos depois, quando seu valor estava reduzido a um terço do valor inicial. Com a instalação da ditadura militar de 1964, e o ocaso da vida sindical, os tecnocratas oficiais instauraram a política do achatamento salarial. Entre 1965 e 1974 o salário mínimo só declinou. Em 1974 o mínimo era 46% inferior ao que vigorava em 1940; e 56% inferior ao de 1957, no governo Kubitschek." http://www.raulmendesilva.pro.br/vargas/capitulo03.pdf O valor de dois salários mínimos impostos pela ditadura militar era menor do que um salário mínimo de 1957. Pelos campos a fome em grandes plantações.  | ""Agora o Mundim vem e afirma que os reajustes salariais concedidos pelo regime militar era sempre inferior à inflação e apesar dessas perdas salariais, a moeda não se estabilizou" Mais lógica incompleta. O valor dos reajustes não era o único fator para a estabilidade da moeda. Não houve estabilidade da moeda, na época, basicamente porque o governo gastava demais e emitia mais do que arrecadava." Pedro Mundim Confrontando as alegações do Mundim com os fatos: "Além disso, foram criados mecanismos de reajuste (de acordo com a inflação passada) dos impostos pagos em atraso, o que contribuiu para a elevação da arrecadação real do governo. Como resultado dessas medidas, ocorreu uma significativa elevação da carga tributária da economia brasileira, que passou de 16% do PIB em 1963 para 21% em 1967 (ver Hermann (2005)). Em função da redução dos gastos e da elevação da carga tributária, o déficit fiscal federal foi reduzido de 4,2% do PIB em 1963 para 1,1% do PIB em 1966 (ver Simonsen e Campos, 1974)." http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71402008000200006 O governo gastava demais, Mundim? O governo emitia mais do que arrecadava? Tu não tem juízo, não, Menino.  | Dessa vez foi o truque (também manjado) de pinçar e descontextualizar trechos de post's meus, e depois contrapô-los de modo a dar impressão de que eu estou me contradizendo. Foi reproduzido um trecho onde eu dizia que o governo fixa o salário mínimo, e outro onde eu dizia que o mercado fixa os salários. Quem fixa os salários, afinal, o governo ou o mercado?
Discretamente se escondeu a palavrinha "mínimo". Quando eu escrevi que o governo fixa o salário MÍNIMO, eu estava me referindo àquele indicador que é publicado no diário oficial e que estabelece o valor mínimo para a remuneração registrada em carteira. Um indicador, enfim. Na segunda frase, quando eu escrevi "os salário", eu estava me referindo aos salários REAIS registrados em carteira. Esses é o mercado, e não o governo quem estabelece.
Antigamente o poder aquisitivo dos bancários era bem superior ao que é hoje? Não creio. Antigamente a maior parte dos bancários era constituída de escriturários, datilógrafas e caixas, realizando tarefas repetitivas hoje em dia executadas por computadores. Esse pessoal sempre ganhou mal. Atualmente, o número de funcionários de um banco diminuiu muito, mas é formado por profissionais muito mais especializados, sobretudo em informática. Eu sei porque eu trabalho para bancos. E é claro, freqüento agências.
A carga tributária passou de 16% do PIB em 1963 para 21% em 1967 e o déficit fiscal federal foi reduzido de 4,2% do PIB em 1963 para 1,1% do PIB em 1966? Correto! Só que o período citado corresponde ao governo Castelo Branco, e o "milagre" foi no tempo do Médici. Mesmo assim o exemplo foi oportuno, pois mostra bem como a carga tributária cresceu brutalmente, e como o governo perdeu uma chance de ouro de estabilizar a economia e criar as bases para um crescimento auto-sustentado. Eu diria que o Castelo Branco foi o FHC, e o Médici foi o Lula. Mas foi o JK que inventou ese truque de criar o "imposto inflacionário", que tinha a vantagem de não precisar de aprovação do parlamento: basta girar a manivela da máquina de fazer dinheiro, que o custo dos rombos das contas do governo é automaticamente transferido para toda a massa de usuários da moeda...  | O fato de você, Mundim, não acreditar no arrocho salarial dos bancários não significa que ele não exista.
"10/09/2012 Salários dos bancários vêm sendo achatados há 18 anos
A tabela acima, elaborada a partir de dados do Dieese, mostra a evolução dos salários no Banco do Brasil nos últimos 18 anos (período que se seguiu ao lançamento do Plano Real) e a evolução do salário mínimo. Eis aí, à vista de todos, o arrocho salarial a que os bancários vêm se submetendo desde 1994. Se em 1995 o salário inicial do BB equivalia a 7,32 salários mínimos, hoje não vale nem 3.
Todo mês o Dieese divulga o valor do salário mínimo que seria necessário para suprir as despesas de uma família. O valor na tabela é do mês de agosto. Se em 1995, o funcionário do BB ganhava 95,9% do mínimo ideal, hoje ganha 69,8%. Por isso, o Sindicato defende a reposição dos mais de 80% de perdas salariais dos funcionários do BB. Chega de mesa única e mentiras sobre "ganho real"!
Fonte: Sindicato dos Bancários de Bauru com informações do Dieese  | "Não creio. Antigamente a maior parte dos bancários era constituída de escriturários, datilógrafas e caixas, realizando tarefas repetitivas hoje em dia executadas por computadores. Esse pessoal sempre ganhou mal. Atualmente, o número de funcionários de um banco diminuiu muito, mas é formado por profissionais muito mais especializados, sobretudo em informática. Eu sei porque eu trabalho para bancos. E é claro, freqüento agências." Pedro Mundim
Os bancários sempre ganharam mal?
Não, os bancários QUASE sempre ganharam mal, porque agora estão ganhando péssimo.
O número de funcionários diminui muito em razão da automatização. O que significa isso senão desemprego tecnológico?
Os bancários estão muito mais especializados e seus salários estão menores. Ou seja, Mundim, você confirmou o que eu afirmei.
O lance é o seguinte, Mané de Minha Tia: O capitalista investe em tecnologia e automação e exige maior capacitação dos seus empregados não é para elvar os salários destes nem para reduzir suas jornadas de trabalho, é para aumentar a extração de mais-valia sobre eles e, dessa forma, vender mais barato do que seus concorrentes. No caso dos bancos, o que eles vendem é dinheiro, crédito, e o preço é a taxa de juros. O capitalista só consegue vender mais barato do que seus concorrentes se seus empregados produzirem mais do que os empregados do seu concorrente na mesma jornada de trabalho mas produzindo mais do que estes. É assim que os capitalistas minimizam seus custos e maximizam seus lucros. Se o capitalista vende mais barato do que seus cocorrentes, ele só terá vantanges se vender mais do que vendia para compensar a redução dos preços dos seus serviços e de suas mercadorias.  | Ao tentar refutar os fatos, o Mundim só consegue refutar a si mesmo.
Mundim, finge que vai ao banheiro e sai de fininho, pela tangente. Contra fatos não há argumentos. Os salários não são os únicos itens das planilhas de custo das empresas. Em sendo assim, vamos reduzir pela metade os salários de todos os trabalhadores ou dobrar sua jornada, o vem a dar no mesmo.
Antes que a jornada de trabalho dos médicos fossem dobradas, os hospitais operavam no vermelho, por acaso? E se operassem, porque os capitalistas não diminuiam seu consumismo em vez de reduzir os salários dos médicos?  | Mundim disse que o valor do salário médio vai para cima ou para baixo conforme a procura por empregados.
Nós perguntamos ao Mundim o que ele ez com a oferta. Aí ele disse que, "ah, sim, a demanda também conta, claro. Naturalmente é uma variável com duas incógnitas". E o preço, não conta? Se o valor do salário médio for prá baixo, a demanda por trabalhadores não aumenta?
O valor do salário médio não é só efeito da oferta e da procura, ele também é causa. Assim, se você baixa os saláios, a proura por trabalhador aumenta. Foi assim no período do milagre econômico. Os militares arrocharam os salários e a procura por empregados subiu (pleno emprego).
Durante o regime militar, a demanda por trabalhadores era alta porque os salários eram baixos? Sim. E os salários eram baixos porque a oferta era alta? Nem tanto assim. Aí a procura era alta porque os preços eram baixos, não estes baixos porque a oferta fosse grande. Pelo menos, nem tanto assim.
Não é a procura por mão-de-obra que determinava o valor dos salários, era o valor dos salários que determinava a procura.
As vezes a procura aumenta mas o salário não sobe e a procura aumentou porque o salário foi arrochado.  | Para o Pedro Mundim, salários e lucros não são inversamente proporcionais, ao contrário, são diretamente proporcionais. Afirmou o Pedro Mundim: "Brilhante! Só faltou explicar porque nos países ricos, a média salarial é bem mais alta, e não obstante, os lucros dos patrões também o são, haja visto que a maioria dos milionários se encontra no primeiro mundo, e não no terceiro". O Willian Bonner discorda do Pedro Mundim, ou seja, para o âncora do jornal nacional salários e lucros são inversamente proporcionais: "Nos último cinco anos a produção de tortas em uma fábrica de doces não mudou. São oito mil saindo do forno todos os meses. O preço das tortas também é quase o mesmo. Mas os salários, nos últimos cinco anos, aumentaram 58%. Quem ganhava R$ 480 por mês, por exemplo, agora ganha R$ 760. E o dinheiro pra pagar essa diferença saiu do único lugar possível: do lucro." Willian Bonner Para o Willian Bonner, os salários dos trabalhadores e os lucros dos patrões não são originados do trabalho dos operários, para ele os lucros dos patrões é que são a fonte dos salários dos trabalhadores. http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/08/salarios-e-economia-crescem-em-ritmos-diferentes-no-brasil.html http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2012/11/514109.shtml
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