A presidente Dilma Rousseff afirmou hoje na Bahia que pretende "resolver estruturalmente" o problema da seca no Nordeste. Pois se a intenção da presidente é séria, aqui nesse texto apresentamos as soluções.

A estiagem é um fenômeno climático, que sempre existiu e sempre existirá no Nordeste. O governo não pode fazer chover. O que pode fazer, são obras que permitam a convivência do homem com o clima semi-árido.

As duas principais medidas que o governo da presidente Dilma precisa adotar se realmente pretende "resolver estruturalmente" o problema da seca são:

1 - concluir a obra da Transposição do São Francisco

2 - fortalecer a ação do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas)


Em primeiro lugar, é preciso que a obra da Transposição das águas do rio São Francisco para as bacias do Nordeste Setentrional, as quais se arrastam em ritmo de tartaruga desde 2007, sejam concluídas. Esta é uma obra fudamental para aumentar a oferta hídrica nos sertões de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.


Em segundo lugar, é preciso que a presidente Dilma perceba todo o potencial adormecido do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), e fortaleça a atuação desde órgão.

Fundado há 103 anos, no ano de 1909, e sediado em Fortaleza (CE), o DNOCS é um órgão federal que possui uma fantástica história de serviços prestados à região semi-árida e um grande acúmulo de conhecimento e expertise sobre a região.

Pode-se dizer sem medo de errar que, se não fossem as centenas de açudes e barragens construídos pelo DNOCS ao longo de seus 103 anos de existência, a região semi-árida do Nordeste brasileiro não conseguiria hoje sustentar nem sequer um terço da população que atualmente possui, e seria em grande parte inabitável. Isso faz do DNOCS um patrimônio inestimável para o Nordeste.

O trabalho do DNOCS ao longo das décadas permitiu garantir o abastecimento urbano de água para a quase totalidade das sedes de municípios do sertão semi-árido. Graças aos açudes do DNOCS, as populações das cidades do sertão (sedes de municípios), e mesmo dos maiores distritos, hoje dispõem de água em suas torneiras e chuveiros, mesmo em épocas de estiagens, sendo raros os episódios em que é necessário o racionamento.

Este feito é de grande importância, visto que, atualmente, mais de 70% da população do interior do Nordeste é urbana, e menos de 30% constituem população rural.

Ao longo dos seus 103 anos, o DNOCS acumulou também um grande acervo de conhecimentos sobre o semi-árido, sobre o clima, sobre o regime hidrológico das bacias, sobre os rios intermitentes, sobre a fauna aquática dos rios e lagos da região. Esse conhecimento e essa expertise fez com que o DNOCS fosse por vezes apelidado de "Universidade da Caatinga".

Todo esse conhecimento é aplicado, por exemplo, no trabalho efetuado pelo DNOCS de difusão e fomento da piscicultura (criação de peixes em cativeiro), através de seu Centro de Pesquisas e das estações de piscicultura localizadas nos açudes construídos pelo próprio órgão.

Portanto, fortalecer o DNOCS, revitalizar o órgão, aproveitando todo o conhecimento acumulado de seus técnicos, engenheiros e cientistas, é passo importante para de fato resolver "estruturalmente" os problemas ainda causados pelas secas no Nordeste.

Com a conclusão da Transposição e a ampliação da atuação do DNOCS, é perfeitamente possível tornar a convivência plena do homem com o clima semi-árido em uma realidade efetiva no Nordeste do Brasil.