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| | DNOCS: 103 ANOS A SERVIÇO DAS OLIGARQUIAS Por André Silva Pomponet 11/11/2012 às 09:02 DNOCS: 103 anos a serviços das elites latifundiárias, das elites político-econômicas, do loteamento de cargos públicos e da corrupção Em 2009, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) completa um século de existência. Instrumento estratégico na execução de políticas de convivência com as secas, o órgão, lamentavelmente, acabou apropriado politicamente pelos coronéis nordestinos e usado em proveito próprio, numa época em que a utilização do patrimônio público para o beneficiamento de propriedades particulares era ainda maior que nos dias atuais. Somente na década de 1950 se tentou abandonar o conceito de ?combater? as secas e adotar a filosofia da convivência com seus efeitos, deslocando a abordagem da questão da dimensão climática para a econômica e social. Infelizmente, a longa ditadura que se seguiu terminou por sufocar essa discussão, que incluía o tema crucial da reforma agrária. Assim, o DNOCS permaneceu executando obras que pouco impacto tinham sobre a população mais carente, que não dispunha de meios de produção para se beneficiar com essas realizações, muitas vezes de uso exclusivo dos poderosos locais. Nos últimos meses, mais uma seca assola o Nordeste. Centenas de municípios decretaram situação de emergência desde meados de 2008 e milhares de pessoas estão expostas à escassez de água até para saciar a sede. Sinal de que as políticas executadas pelo DNOCS e outros órgãos, sempre sob a tutela das elites tradicionais da região, ainda não alcançaram pleno sucesso, mesmo depois de passados 100 anos.
O objetivo deste ensaio não é exaurir a discussão sobre o convívio com a seca, o papel do DNOCS e a lógica política que perpetua o flagelo sobre a população. Busca- se, objetivamente, ressaltar que o fenômeno climático que assola o semiárido nordestino sempre foi abordado sob um prisma equivocado e que, no presente, muitos equívocos se perpetuam. Essa discussão é oportuna, particularmente no momento em que o DNOCS alcança um século de existência.
O texto está estruturado da seguinte forma: na próxima seção traça-se um panorama do surgimento do DNOCS, então Instituto de Obras Contra as Secas (IOCS), e sua trajetória até a década de 1950. Depois, é abordada a tentativa de enxergar e tratar a questão sob a dimensão social, o que foi abandonado logo em seguida. Nas seções seguintes fazem-se reflexões, com o foco no fracasso das políticas de ?combate? às secas, para se arrematar, por fim, com algumas considerações.
IOCS E IFOCS: COMEÇA O ?COMBATE? À SECA
O fenômeno da seca só ganhou notoriedade no Brasil com o grande flagelo dos anos 1877-1879, que abalou o semiárido brasileiro, à época esquecido e vagamente designado como ?norte?. Naquela estiagem pereceram pelo menos 500 mil nordestinos, com 200 mil mortes somente no Ceará. A fome, a sede e as epidemias podem ter feito número ainda maior de vítimas, conforme esti- mativa do jornalista potiguar Eloy de Souza, que calcula 600 mil mortos. Mesmo que se adote a estimativa mais conservadora, pelo menos 4% da população brasileira pereceu no flagelo, que obrigou outros 250 mil nordesti- nos a migrarem para a Amazônia, em busca do ilusório eldorado da borracha, dessa época até o final do século XIX (VILLA, 2000, p. 83; 64).
As secas já eram conhecidas desde 1583, quando Fernão Cardim registrou a estiagem que assolava a Bahia, redu- zindo a produção dos engenhos de açúcar e forçando muitos indígenas a se abrigarem no litoral. Em documen- tos oficiais, porém, os primeiros registros datam de 1729, quando vários escravos morreram de fome e os engenhos paralisaram suas atividades. Na ocasião, providências foram solicitadas a El-Rei de Portugal para amenizar a situação (ALVES, 2004). Esse, pelo visto, foi o marco inicial das políticas assistencialistas voltadas para a região.
180 anos depois dos apelos iniciais foi finalmente criada, em outubro de 1909, a Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), inspirada no Reclamation Service, surgido nos Estados Unidos em 1902, conforme observa Villa (2000, p. 95). O IOCS, a propósito, nasceu na chamada ?Era de Ouro? da Primeira República, quando o país experimentava taxas de expansão em torno de 4,5% e grandes obras de infraestrutura estavam em curso, como portos e ferrovias (FRITSCH, 1990, p. 37).
A prosperidade do período, no entanto, não alcançou o IOCS, já que a execução orçamentária estava muito aquém do previsto, o que tornou ainda mais severos os efeitos da seca de 1915, novamente arrasadora para a região. O reconhecimento dos débeis esforços está na própria mensagem presidencial de Venceslau Brás, comunicando ao país que em 1914 somente 42 poços haviam sido escavados, sendo 33 privados e apenas 9 públicos (VILLA, 2000, p. 102).
Em 1918 Epitácio Pessoa, paraibano, ascendeu à pre- sidência da República e a seca passou a ser encarada com maior atenção. As soluções propostas, porém, não divergiam do que era executado em pequena escala nos anos anteriores: escavação de poços e construção de açudes e barragens, com o propósito de acumular a água dos períodos de grande precipitação pluvio- métrica. O presidente visualizava o problema sob a seguinte ótica: Sabe-se hoje que no Nordeste há irregularidade mas não faltam chuvas. Tudo está em poder armazenar-se as águas cabidas nos meses chuvosos, para gastá-las na irrigação durante os meses de seca. Construídas as barragens para a formação de açudes e abertos os canais de irrigação, virá por si a colonização das terras por essa gente laboriosa, cuja coragem e resistência assombram os que não lhe conhecem as virtudes (PESSOA, 2004).
Não faltou interesse de Epitácio Pessoa em preparar a região para o enfrentamento do fenômeno. Em 1918, último ano da gestão Venceslau Brás, aplicou-se em obras contra as secas 2.326 contos de réis. Quatro anos depois, o montante saltou para 145.947 contos de réis. Conforme Guerra (1981, p. 60), houve um frenesi de importação de máquinas, equipamentos e até cimento (que o Brasil não produzia) para construção de açudes, estradas de ferro e rodovias que cortaram o interior do Nordeste. A política para a região, portanto, era a de construir imen- sos reservatórios artificiais de água, embora as obras não entusiasmassem os oligarcas locais, temerosos da modernização do sertão e da erradicação da miséria que constituía seu principal capital político. Por outro lado, havia os cafeicultores paulistas e a defesa intransigente de seus interesses, contrariados com a aplicação de recursos no Nordeste (VILLA, 2000, p. 136).
Assim, foi fácil para Artur Bernardes, sucessor de Epitá- cio Pessoa, abandonar os investimentos na região, que encolheram a olhos vistos: em 1925, somente 3.827 contos de réis foram investidos (GUERRA, 1981, p. 64), sob um discurso ambíguo de que as obras haviam alcançado êxito e que o fluxo de recursos podia ser reduzido (VILLA, 2000, p. 137). Na ocasião, Bernardes promovia um ajuste ortodoxo da economia, reduzindo despesas e promovendo uma valorização monetária que criou embaraços para seu sucessor, Washington Luís e para o sistema primário- exportador brasileiro (FRITSCH, 1990, p. 55).
O longo governo Getúlio Vargas (1930-1945) preservou a lógica vigente de construção de açudes como antídoto contra as secas. Como novidade, houve a intensificação da construção de rodovias cortando a região, principal- mente os sertões, também sob o encargo do órgão. Uma dessas rodovias foi a Transnordestina (posteriormente incorporada à BR 116), que visava ligar Fortaleza, no Ceará, ao Sudeste (GUERRA, 1981, p. 68). Depois de 1937, porém, os recursos minguaram e o número de funcioná- rios se reduziu drasticamente, conforme assinala Guerra (1981, p. 69). Em 1945, o então Instituto Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS), que rebatizou o antigo IOCS em 1919, tornou-se finalmente Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).
Somente na década seguinte o fenômeno das secas e seus efeitos sobre a sociedade sertaneja passaram a ser avaliados sob uma ótica mais plural, sem o redu- cionismo das adversidades climáticas. Até então, a promiscuidade política produzira muitas obras com recursos públicos em propriedades particulares, o sistema social se estruturara de forma que população sertaneja era mantida sob as amarras dos poderosos locais e a questão fundiária, uma das raízes do drama das secas, permanecia um tabu. Mudanças, no entanto, começaram a ocorrer a partir de 1940. Uma delas é que as estradas que iam surgindo facilitavam a migração dos sertanejos em direção ao litoral e às metrópoles do Sudeste. Para tanto, colaborou o pensamento vigente à época, de que os fluxos popu- lacionais tendiam a se adensar no litoral, fortalecendo o comércio pelo Atlântico. Esse raciocínio orientou o planejamento governamental de então (POMPONET, 2007, p. 1070-1071). O fato mais relevante, porém, é que o Nordeste estagnara nas cinco primeiras déca- das do século XX, em contraste com o extraordinário desenvolvimento urbano e industrial de outras regiões do Brasil. O problema tornou-se mais visível somente na década seguinte.
DNOCS E O PÓS-1950: UMA NOVA VISÃO
Como órgão operacional, sujeito às ingerências políticas dos poderosos que se digladiavam nos parlamentos pelas verbas disponíveis, o DNOCS mostrava-se incapaz de romper a lógica que o subordinava aos interesses dos latifundiários e coronéis regionais. É o que constata Furtado (1997, p. 86):As máquinas e equipamentos do DNOCS eram utili- zados por fazendeiros ao seu bel-prazer. Nas terras irrigadas com água dos açudes construídos e mantidos pelo governo federal, produzia-se para o mercado do litoral úmido, e em benefício de alguns fazendeiros que pagavam salários de fome [...] Em síntese, a seca era um grande negócio para muita gente.
Mudava, então, a leitura sobre o fenômeno das secas: ao invés de decorrer meramente de fatores climáticos ou geográficos, era produto de um conjunto de rela- ções sociais estabelecidas ao longo dos séculos de povoamento da região. Entre essas relações, estava a maciça concentração de terras, com latifundiários detendo imensas propriedades que abrigavam boa parte das obras executadas pelo DNOCS nas décadas anteriores e cujo uso atendia a interesses particulares. Guimarães (1981, p. 213), utilizando dados censitários, fornece um panorama da situação no Brasil: em 1950, 1,6% dos estabelecimentos detinham 50,9% da área total agrícola. Uma década depois, 1% dos proprietários rurais eram donos de 47,3% das terras agrícolas do Brasil.
Latifúndio e poder político concentrados produziram a famosa ?indústria das secas?: meeiros e trabalhado- res rurais, sem meios de produção, subordinavam-se ao patronato rural que pagava salários miseráveis e extorquia os trabalhadores nos anos chuvosos. Quando sobrevinham as secas, a população era artificialmente? mantida no campo através das ações assistencialistas do governo federal, como frentes de trabalho e distribuição de alimentos, o que evitava migrações em massa, como observa Furtado (1997, p. 72). O sistema era, ainda, poten- cializado pelos repasses de recursos para execução de obras emergenciais que beneficiavam os latifundiários e com verbas que eram simplesmente desviadas.
Herdado da República Velha, esse sistema originou, no âmbito eleitoral, os ?currais eleitorais?. Neles, a população pobre permanecia refém dos favores dos coronéis, que em contrapartida impunham o ?voto de cabresto?, que ia do mero constrangimento às ameaças de jagunços armados. Conveniente aos poderosos, esse sistema configurava- se numa verdadeira ?fábrica de votos?, embora a lisura não fosse uma característica das eleições, reforçando o vicioso ciclo da ?indústria das secas?.
Como antídoto a essa situação, o projeto que instituiu a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) colocava o DNOCS sob a supervisão desse órgão, extinguindo seu papel na execução de obras rodoviárias, que passaram às esferas estadual e fede- ral e redefinindo suas funções, focadas na execução de projetos voltados para o aproveitamento da água (FURTADO, 1997, p. 129). A despeito das resistências dos políticos conservadores do Nordeste, o projeto foi aprovado pelo Congresso e melhores perspectivas se lançaram sobre a região, que tinha um desafio a enfrentar: reduzir a imensa desigualdade regional, que começava a criar diferenças profundas em relação ao Sul e ao Sudeste, mais desenvolvidos e em franco processo de industrialização.
Havia, contudo, um obstáculo incontornável no caminho: o Golpe Militar de 1964, que atropelou as esperanças de um desenvolvimento equilibrado em termos intrarre- gionais. O foco dos militares voltou-se para a industria- lização, que beneficiou o litoral nordestino com melhor infraestrutura e maior grau de desenvolvimento. Ainda assim, a guinada na forma de abordar a questão das secas colaborou para uma melhor focalização da atua- ção do DNOCS, que se voltou para projetos de irrigação que tinham a finalidade de aproveitar o imenso potencial hídrico acumulado nos incontáveis açudes construídos ao longo de dezenas de anos em nove estados. Um balanço do órgão, em junho de 1980, indicava 2.930 famílias beneficiadas e 32.703 hectares irrigados em 26 projetos nos estados do Piauí, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, do Ceará, de Pernambuco e da Bahia. Em 1979, 257 açudes tinham capacidade total de acumular 11,496 bilhões de metros cúbicos de água na região, com capacidade média de 44,734 milhões de metros cúbicos (GUERRA, 1981, p. 121; 120).
A superação dos métodos políticos arcaicos vigentes no semiárido no pré-1964, no entanto, ficou apenas na retórica dos militares (VILLA, 2000, p. 199). Nova seca se abateu sobre a região em 1969-1970 e a Sudene e o DNOCS não se mostraram capazes de agir com eficiência diante do flagelo. E, contrariando o discurso oficial, o órgão permaneceu realizando obras em pro- priedades particulares, principalmente nas de quem tinha assento no Congresso Nacional. A hipocrisia, a pusilanimidade e uma severa estiagem entre 1979 e 1983 produziram nova tragédia no Nordeste, com milhões de mortos e flagelados. À época, contudo, já não cabiam os discursos incrédulos de parlamentares, como no início do século XX, porque a calamidade ganhou os telejornais e comoveu o Brasil.
As cifras sobre o total de mortos variaram bastante. A mais conservadora, a dos governadores da região, indicava 100 mil mortos. As demais estimativas apontavam de 700 mil mortos por fome ou fraqueza a 3,5 milhões (VILLA,2000, p. 246-247). De qualquer forma, assumiu a mesma dimensão das calamidades anteriores, como ocorreu em 1877-1879, 1915 e 1932, para citar apenas as mais intensas. As medidas adotadas pelos governos foram a constru- ção de açudes pelo DNOCS ? as obras da seca de 1970 foram se decompondo logo depois de concluídas ? e as frentes de trabalho, nas quais se alistaram 1,5 milhão de flagelados. A recessão de 1981 comprometeu ainda mais a ajuda aos nordestinos, que se alimentavam de ratos, calangos e outros animais que sobreviviam na caatinga à estiagem severa. Fortaleza, capital do estado mais afetado pela seca, o Ceará, recebeu 350 mil flagelados que se alojaram nas favelas (VILLA, 2000, p. 240). O pouco recurso que chegava era embolsado pelos corruptos de plantão ou servia para adquirir alimentos de péssima qualidade para as vítimas da estiagem.
Parte da explicação para a intensidade do flagelo foi a concentração de terras na região, registrada na década de 1970: em 1972, 4 mil proprietários (2,71% do total) detinham 51% das terras. Outros 350 mil detinham a posse de ínfimos 1,83% das terras da região, conforme Villa (2000, p. 215). O ?Brasil Potência? que produzia o ?Milagre Econômico? também era o mesmo país que concentrava meios de produção e expulsava milhões de sertanejos para as periferias das metrópoles. 100 ANOS DE DNOCS: ALGUMAS REFLEXÕES
A seca de 1979-1983 mostra que houve uma involução em relação à interpretação produzida desde os anos 1950 sobre os problemas do Nordeste semiárido e, principal- mente, em relação às políticas propostas para atenuar os efeitos da seca. Dessa forma, Furtado (1997, p. 79) nota que ?Não se trata de ?combater? as secas e sim de con- viver com elas, criando uma agropecuária que tenha em conta a especificidade ecológica regional?. Observe-se, contudo, que essa convivência implicava em mudanças na configuração econômico-social que não interessavam às lideranças políticas regionais. Uma evidência foi a resistência enfrentada pelo governo Kubistchek para a criação da Sudene.
O latifúndio e o poder dele derivado constituíam os maio- res obstáculos às transformações necessárias para alterar o panorama da região. À época estavam em curso pressões dos movimentos sociais por mudanças políti- cas na região. Esses movimentos sociais, a propósito, contavam com a simpatia dos setores mais progressistas dos meios urbanos. O choque entre posições antagôni- cas, no entanto, resultou no Golpe Militar de 1964, que representou um triunfo dos setores políticos mais conser- vadores e contribuiu para manter inalterada a estrutura fundiária da região. Caso fossem à frente as mudanças que o sistema democrático articulava, o DNOCS, como agência de desenvolvimento, certamente desempenharia um papel-chave sob outra perspectiva. Conforme Villa (2000, p. 197), ?As agências federais perderam autonomia o contexto da época, a ?lógica militar?, por extensão, era a lógica dos políticos conservadores nordestinos, entusiastas da quartelada de 1º de abril. E, a exemplo dos decênios anteriores, a missão do DNOCS era per- petuar o passado perverso em que açudes construídos com recursos públicos acumulavam milhões de metros cúbicos de água em grandes propriedades particulares. O retrocesso do DNOCS e da política de convivência com as secas, apenas esboçada com a criação da Sudene, ficou visível com a seca de 1970 e, mais ainda, com a grande estiagem do quadriênio 1979-1983. Encerrado o regime militar, a chamada ?Civilização do Semiárido? pode, enfim, vislumbrar a retomada de uma discussão interrompida em 1964.
Em 2009 o DNOCS completa um século de existência, perpetuando sua missão de combater os efeitos das secas. É evidente que o semiárido exigia a criação de um órgão que dotasse a região de infraestrutura para reter a água das chuvas irregulares, empregando-a nos períodos secos, sustentando a atividade econômica e evitando a fome, a migração e a morte de milhões de sertanejos. Só que a questão nordestina não se resume às limitações edafoclimáticas, sanáveis com açudes, poços, canais de irrigação e represas. A situação, nos dias atuais, não seria tão crítica, caso o problema se limitasse a essas intervenções, mesmo com o largo uso político do órgão em proveito da elite política local. Uma evidência é que, nos últimos meses, as estiagens voltaram a assolar os sertões nordestinos, dizimando lavouras, definhando e matando animais e expondo centenas de milhares de pessoas residentes nas zonas rurais à escassez de água até mesmo para beber (SECA...,2008, p. 1). Não é à toa que, em meados de 2008, cen- tenas de municípios declararam situação de emergên- cia ? inclusive na Bahia ? em função da ausência de chuvas. Para amenizar o problema, mais do que um sistema de armazenamento e canalização das águas captadas nos períodos chuvosos, o obstáculo consiste nas profundas desigualdades sociais e econômicas, que mantêm milhões de sertanejos à mercê das políticas assistenciais dos governos.
Pensar o convívio com a seca hoje envolve um esforço de articulação de políticas que se integrem vertical- mente e possuam ampla transversalidade, alcançando o conjunto de dimensões que configuram o hinterland setentrional brasileiro. A democratização do acesso à terra, agenda considerada ultrapassada nos países desenvolvidos, ainda está por se construir na região e é das questões mais centrais. Inversões em saúde, educação, qualificação profissional, crédito para a agri- cultura familiar, assistência técnica e ? mais recente- mente ? capacitação para o manejo da flora e da fauna, degradadas em grandes extensões, constituem pilares do desenvolvimento integrado e sustentável e a base para o êxito transversal das ações.
Retomando-se o diagnóstico de 50 anos, percebe-se que o flagelo das secas é um fenômeno mais social que propriamente climático, mais de políticas públicas que de engenharia civil. Os pactos políticos, a interpretação equivocada da realidade, a manutenção do status quo e o descaso com que, frequentemente, o semiárido é tratado explicam a derrocada das políticas aplicadas ao longo do século XX. Nos primeiros anos do século XXI, porém, essa visão mais abrangente da realidade ainda não encontra ressonância significativa.
É o que demonstra a proposta de transposição do Rio São Francisco, através de canais que vão drenar parte das águas do rio para os estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Essa proposta, a rigor, não constitui sequer novidade, já que era apontada como solução desde a grande seca de 1877-1879, conforme aponta Villa (2000, p. 62). O discurso em defesa da trans- posição, inclusive, recai na armadilha de situar a obra como uma panaceia para os efeitos da seca, já que, em tese, beneficiará 12 milhões de nordestinos (CORRÊA; LIMA, 2009, p. 01). Ironicamente, nesse início de século, saem de cena os antigos coronéis locais e surgem os barões do agronegócio como principais beneficiários da iniciativa, conforme acusações divulgadas pela imprensa (MOVIMENTO DOS SEM-TERRA, 2008, p. 1).
Desgastado por décadas de apropriação política, ao DNOCS parece estar reservado um papel secundário no processo de transposição. É que o órgão ainda não foi escolhido como gestor do sistema e a obra encontra-se fora de sua alçada, embora se alegue que a gestão não cabe à Companhia Hidrelétrica do São Francisco (por ser usuária), nem à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (cuja atuação se restringe ao curso do rio). A declaração do presidente do órgão não deixa de demonstrar o desgaste político do DNOCS, justamente às vésperas de completar um século de existência, em outubro de 2009 (DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA A SECA, 2008, p. 1).
Nos últimos anos, os programas de aposentadoria rural, as políticas de transferência de renda e o maior envolvi- mento dos governos estaduais na oferta de infraestru- tura hídrica ? como é o caso do Programa Água para Todos (PAT) em curso na Bahia ?, somados à redução da população no campo frearam o espetáculo macabro de mortes e migrações nos períodos de estiagem. No entanto, é preciso ir além, desenvolvendo e aplicando polí- ticas públicas que reduzam as fragilidades demonstradas nos períodos secos, em que a declaração de estado de emergência ainda constitui um mecanismo corriqueiro de proteção à população.
Mais do que situação emergencial, a medida é uma demonstração de que a população do semiárido neces- sita de políticas adequadas à convivência com a seca e emancipatórias em sua dimensão social. O raciocínio perverso que se aplicou à Sudene e à Sudam no governo Fernando Henrique Cardoso, extintas porque eram con- sideradas ninhos de corrupção, não pode ser aplicado ao DNOCS, que cem anos depois permanece como órgão indispensável ao semiárido na oferta de infraestrutura para a convivência com as estiagens periódicas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A atuação do DNOCS ao longo de dez décadas reflete os conflitos de interesses e as formas de enxergar o fenômeno das secas no semiárido nordestino. Revela, sobretudo, o conjunto de relações sociais estabelecidas durante séculos, a importância do controle sobre os órgãos do Estado em uma região com baixo dinamismo econômico, um modelo político anacrônico e excludente e, por extensão, a relevância dos conchavos políticos como forma de perpetuação no poder.
Sendo assim, é compreensível que o órgão tenha perma- necido sob o controle dos poderosos locais, enriquecidos com os benefícios advindos da ?indústria da seca?. Verda- deiros empresários da desgraça, foram beneficiados pela força das oligarquias na República Velha, acomodaram-se aos dois prolongados períodos ditatoriais do século XX e, sobretudo, regatearam e ratearam cargos e obras dos órgãos federais, entre cujas vítimas está o DNOCS.
Contrariando toda a evolução dos últimos anos, entre- tanto, a crença no ?combate? à seca com obras e reten- ção artificial de água permanece viva, como atesta a transposição das águas do Rio São Francisco, obra que vai beneficiar o agronegócio da fruticultura irrigada, protegido sob o manto da iniciativa louvável de levar água a 12 milhões de pessoas. Como presente por seu centenário, porém, parece que dessa vez o DNOCS vai ficar de fora.
REFERÊNCIAS
ALVES, Joaquim. Secas dos séculos XVII e XVIII. Revista Conviver Semi-Árido. Fortaleza, v. 1, n. 4, out./dez. 2004.
CORRÊA, Hudson; LIMA, Sérgio. Rota da transposição do São Francisco tem obras paradas. Folha de São Paulo, São Paulo, 4 jan. 20 Disponível em: . Acesso em: 16 jan. 2009.
DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA A SECA. DNOCS se prepara para gestão de transposição do São Francisco. Fortaleza, 23 out. 2008. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2008.
FRITSCH, Winston. Apogeu e crise na Primeira República: 1900-1930. In: ABREU, Marcelo. A ordem do progresso. Rio de Janeiro: Campus, 1990. p. 31-72.
FURTADO, Celso. A fantasia desfeita. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. GUERRA, Paulo. A civilização da seca. Fortaleza: DNOCS, 1981. MOVIMENTO DOS SEM-TERRA. Transposição já realizada na Bahia é voltada para o agronegócio. Disponível em: . Acesso em: 21 jan. 2008.
PESSOA, Epitácio. O pensamento de Epitácio Pessoa. Revista Conviver Semi-Árido, Fortaleza, v. 1, n. 4, out./dez. 2004.
POMPONET, André. Caminhos para o Oeste: perspectivas para a infraestrutura de transportes na Bahia. Bahia Análise & Dados: retrospectiva 2007 e perspectiva, Salvador, v. 17, n. 3, p. 1067-1076, out./dez. 2007.
SECA deixa mais de 400 municípios em situação de emer- gência no Nordeste. Paraíba tem 27. Universo On Line, 6 dez. 2008. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2009.
VILLA, Marco Antônio. Vida e morte no sertão. São Paulo: Áti
>>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Somente DOENTES MENTAIS se deixam levar pela BABAQUICE do discurso sobre "indústria da seca".
Esse discurso BARATO sobre "indústria da seca" é criação da elite do Sul e Sudeste do país para desqualificar o Nordeste e para justificar a idéia de que qualquer investimento na região seria "desperdício de dinheiro", já que os nordestinos seriam intrinsecamente corruptos.
Lamentavelmente, muitos nordestinos metidos a "intelectuais de esquerda" incorporam esse discurso pilantra da elite do Sul e Sudeste, e de forma acrítica ficam repetindo esse chavão RIDÍCULO.
NÃO EXISTE INDÚSTRIA DA SECA!
A seca é um fenômeno climático NATURAL, que NUNCA vai deixar de existir.
Os investimentos em obras são necessários para tentar amenizar os EFEITOS da seca e permitir a convivência do homem com o clima semi-árido.
Vamos repetir mais uma vez aqui para ver se o IMBECIL entende:
SE NÃO FOSSE PELO TRABALHO DO DNOCS NESSES 103 ANOS, O SERTÃO NORDESTINO NÃO TERIA NEM SEQUER UM TERÇO DA POPULAÇÃO QUE TEM HOJE.
Se o DNOCS não tivesse trabalhado duro nesses 103 anos, mais de dois terços da atual população do sertão nordestino já teria que ter migrado para outras regiões, ou para as grandes capitais no litoral do Nordeste.
O DNOCS conseguiu SIM amenizar e MUITO os efeitos das secas ao longo de seus 103 anos de existência.
A maior PROVA disso é que neste ano de 2012 estamos presenciando a maior ESCASSEZ DE CHUVAS dos últimos 30 anos no Nordeste, e NINGUÉM vê levas de "retirantes da seca" chegando nas grandes cidades em caminhões "pau-de-arara", como acontecia na década de 50.
O DNOCS construiu MAIS DE 300 AÇUDES em seus 103 anos de existência, em uma MÉDIA DE MAIS DE TRÊS AÇUDES INAUGURADOS POR ANO!
Se não fossem os açudes do DNOCS, centenas de cidades do sertão nordestino como Iguatu, Caicó, Arcoverde, Patos, Quixadá, não poderiam ter nem um terço da população que tem hoje, pois não haveria abastecimento de água para tanta gente.
Se não fosse o Açude Castanhão, construído pelo DNOCS, até mesmo a quinta maior cidade do país, Fortaleza, estaria com o seu abastecimento de água em risco.
O DNOCS foi a SALVAÇÃO DO NORDESTE nesses 103 anos, e se a situação hoje não está MUITÍSSIMO PIOR do que está, é graças ao trabalho do DNOCS.
NÃO EXISTE MEIO DE "ACABAR" COM SECA!
A seca é um fenômeno NATURAL, e a saída é a construção de obras para permitir o convívio com ela, coisa que o DNOCS fez DEMAIS nos últimos 103 anos, com muita competência e maestria.
Se o DNOCS não fez mais, se não resolveu todos os problemas, é única e exclusivamente porque alguns nordestinos metidos a INTELECTUAIS DE BOSTA ficaram ajudando a elite do Sul e Sudeste a difundir o papo cretino sobre "indústria da seca", e assim evitando o envio de mais verbas para as obras do órgão.
Se as verbas tivessem chegado em quantidade suficiente, o DNOCS teria avançado muito mais na resolução do problema do convívio com as secas, pois COMPETÊNCIA e CONHECIMENTO DE CAUSA não lhe faltam.
O DNOCS É O MAIOR PATRIMÔNIO DO NORDESTE.
Poucos órgãos governamentais NO MUNDO INTEIRO possuem tantos e tão relevantes serviços prestados à população quanto o DNOCS!  | Os fatos mostram a atuação VITORIOSA do DNOCS em seus 103 anos, um sucesso de grandes proporções:
- Em 103 anos de existência, o DNOCS construiu mais de 300 açudes públicos, em uma média de mais de três açudes inaugurados por ano. Uma eficiência IMPRESSIONANTE.
- Em 2012, em meio à maior escassez de chuvas (estiagem) dos últimos 30 anos, o trabalho do DNOCS rende frutos, ao se perceber que NINGUÉM está vendo caminhões "pau-de-arara" chegando nas grandes cidades lotados de "retirantes da seca", como aconteceia 50 anos atrás. Isso acontece porque, graças aos 103 anos de trabalho do DNOCS, hoje em dia existe bastante água acumulada nos açudes, e o povo do sertão não é mais obrigado a fugir para as grandes cidades para não morrer de sede.
- Só existe tilápia hoje na mesa do brasileiro porque o DNOCS trouxe a espécie de tilápia tailandesa para o Brasil, aclimatou a espécie em seu Centro de Pesquisas em Pentecoste (CE), e difundiu e fomentou a piscicultura da tilápia no Nordeste brasileiro, tanto nos açudes públicos construídos pelo próprio órgão como prestando auxílio técnico aos piscicultures que iniciaram criações em reservatórios particulares.
Contra FATOS não há argumento falacioso que dê jeito.  | A função para a qual o DNOCS foi criado foi ACUMULAR ÁGUAS através de barragens e açudes.
E essa função, o DNOCS cumpriu com extrema maestria, produzindo estudos das bacias hidrográficas do Nordeste, projetando açudes, e construindo essas imensas obras de engenharia que hoje permitem o abastecimento urbano de água de centenas de cidades do sertão.
A função principal do DNOCS, de fato, NUNCA foi promover a irrigação.
Obviamente, sem barragens e açudes, não existe irrigação no sertão nordestino, já que os rios são intermitentes (secam completamente durante longos períodos), e somente através das barragens e açudes é possível perenizá-los (torná-los rios perenes).
Portanto, as barragens e açudes construídos pelo DNOCS são peça fundamental para qualquer projeto de irrigação que se tenha para o Nordeste.
Mesmo não sendo sua função principal, o DNOCS ainda assim construiu vários "perímetros irrigados" públicos, onde hoje em dia se produzem milhares de toneladas de frutas como melão, melancia, abacate, entre outras.
Acontece que irrigação não é barata. Irrigação custa uma fortuna. Não será da noite para o dia que se verá o sertão nordestino totalmente coberto de dutos de irrigação.
E se um dia isso se tornar realidade, devemos lembrar que só se tornou possível graças ao acúmulo de água nas centenas de açudes construídos pelo DNOCS.  | Pequena listinha parcial com apenas alguns dos açudes construídos pelo DNOCS:
- Açude Castanhão (capacidade para 6,7 trilhões de litros de água)
- Açude Armando Ribeiro Gonçalves (capacidade para 2,4 trilhões de litros de água)
- Açude Orós (capacidade para 1,9 trilhão de litros de água)
- Açude Banabuiú (capacidade para 1,6 trilhão de litros de água)
- Açude Curema / Mãe d'água (capacidade para 1,3 trilhão de litros de água)
- Açude Araras (capacidade para 891 bilhões de litros de água)
- Açude Poço da Cruz (capacidade para 504 bilhões de litros de água)
- Açude Boqueirão de Cabaceiras (capacidade para 411 bilhões de litros de água)
- Açude Pentecoste (capacidade para 395 bilhões de litros de água)
- Açude Salinas (capacidade para 387 bilhões de litros de água)
- Açude Entremontes (capacidade para 339 bilhões de litros de água)
- Açude Serrinha (capacidade para 311 bilhões de litros de água)
- Açude Piranhas (capacidade para 255 bilhões de litros de água)
- Açude Cocorobó (capacidade para 245 bilhões de litros de água)
E por aí vai....
Esse listados acima são apenas alguns. No total, foram mais de 300 açudes construídos em 103 anos de história, uma impressionante média de mais de 3 açudes inaugurados por ano.
O que foi inaugurado mais recentemente foi a Barragem Piaus, no município de São Julião, no Piauí, com capacidade para 104 bilhões de litros de água. O açude foi inaugurado no ano de 2010, e já foi de grande utilidade na seca de 2012, pois em abril deste ano, a pedido das prefeituras locais, o DNOCS abriu as comportas do açude, permitindo a perenização temporária do rio Marçal, o que trouxe grande alívio para os efeitos da seca naquela região.  | O texto abaixo faz um excelente apanhado histórico da trajetória do DNOCS, inclusive desmistificando e desconstruindo todas as falácias e calúnias que foram fabricadas contra o órgão ao longo de seus 103 anos, em nome de interesses inconfessáveis, como os interesses da elite do Sudeste que quer evitar investimentos no Nordeste, e os interesses da elite recifense da Sudene, que do alto da sua arrogância na Zona da Mata, quis desmoralizar o órgão do semi-árido com sede em Fortaleza (cidade "rival" do Recife, onde fica a sede da Sudene - essa sim, um fracasso total).
Dentre os órgãos regionais, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS, se constitui na mais antiga instituição federal com atuação no Nordeste. Criado sob o nome de Inspetoria de Obras Contra as Secas - IOCS através do Decreto 7.619 de 21 de outubro de 1909 editado pelo então Presidente Nilo Peçanha, foi o primeiro órgão a estudar a problemática do semi-árido. O DNOCS recebeu ainda em 1919 (Decreto 13.687), o nome de Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS antes de assumir sua denominação atual, que lhe foi conferida em 1945 (Decreto-Lei 8.846, de 28/12/1945), vindo a ser transformado em autarquia federal, através da Lei n° 4229, de 01/06/1963.
Sendo, de 1909 até por volta de 1959, praticamente, a única agência governamental federal executora de obras de engenharia na região, fez de tudo. Construiu açudes, estradas, pontes, portos, ferrovias, hospitais e campos de pouso, implantou redes de energia elétrica e telegráficas, usinas hidrelétricas e foi, até a criação da SUDENE, o responsável único pelo socorro às populações flageladas pelas cíclicas secas que assolam a região.
Chegou a se constituir na maior "empreiteira" da América Latina na época em que o Governo Federal construía, no Nordeste, suas obras por administração direta tendo marcado com a sua presença, praticamente, todo o solo nordestino. Além de grandes açudes, como Orós, Banabuiú, Araras, podemos registrar a construção da rodovia Fortaleza-Brasília e o início da construção da barragem de Boa Esperança.
Com a criação de órgãos especializados, o acervo de obras construídas pelo Departamento vinculado a ações "não hídricas", como rodovias, linhas de transmissão, ferrovias, portos, etc, foram àqueles transferidos. Posteriormente, transferiram-se aos Estados as redes de abastecimento urbano e à SUVALE, hoje CODEVASF, os Projetos públicos de Irrigação situados no vale do Rio São Francisco.
O DNOCS, conforme dispõe a sua legislação básica, tem por finalidade executar a política do Governo Federal, no que se refere a:
a) beneficiamento de áreas e obras de proteção contra as secas e inundações;
b) irrigação;
c) radicação de população em comunidades de irrigantes ou em áreas especiais, abrangidas por seus projetos;
d) subsidiariamente, outros assuntos que lhe sejam cometidos pelo Governo Federal, nos campos do saneamento básico, assistência às populações atingidas por calamidades públicas e cooperação com os Municípios.
OS PRIMEIROS PASSOS DA INSPETORIA
Tomemos por empréstimo, sobre este tema, o que escreveu o ilustre Eng°. Agr°. Paulo de Brito Guerra, em seu livro "A Civilização da Seca"
"Para ocupar a Direção da Inspetoria de Obras Contra as Secas foi designado o Eng°. Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa, homem de visão excepcional, que soube promover os estudos básicos sobre a área, de modo amplo, estudos ainda hoje valiosos, realizados na época em que o automóvel, raro nas capitais, transformava-se na "besta fera" quando, a muito custo, conseguia penetrar os sertões bravios, sem estradas.
Arrojado sabia que John Casper Branner, Reitor da Leland Stanford Junior University, em Palo Alto, California ("os ventos da liberdade sopram", é seu lema), havia feito estudos no Brasil, terra que o estusiasmara profundamente. Escreveu-lhe pedindo para indicar geólogos a trabalhar na Inspetoria de Obras Contra as Secas.
Branner, enviou Ralf H. Sopper, de 21 anos de idade, Gerald A. Warring e Horace L. Small. Também de Stanford vem Roderic Crandall que em 1910, aos 24 anos de idade, escreveu notável relatório, reeditado em 1923, [...].
Outros técnicos estudaram, na época, o Nordeste, entre os quais Lofgren e Luetzelburg, botânicos, Luciano Jacques de Moraes, geólogo, apresentando relatórios importantes.
"Todos esses trabalhos", dizia o Inspetor, "permitirão abranger, em conjunto, as condições diferentes das regiões flageladas, sob os seus vários aspectos, geográfico, geológico, climatérico, botânico, social e econômico, e assim poderá a Inspetoria traçar o programa dos seus serviços apoiada em fatos de pura e real observação no terreno".
A IOCS adquiriu caráter permanente como Repartição, graças ao decreto 9.256, de 28 de dezembro de 1911. Desde cedo, passou a sofrer alterações através dos decretos no. 11.474, de 03 de fevereiro de 1915, no. 12.330, de 27 de dezembro de 1916 e no. 13.687, de 09 de julho de 1919, que ampliou o nome para Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS.
Até 1915 a Repartição deu grande ênfase a estudos cartográficos, tendo feito mapas de vários Estados. E procurou ativar a perfuração de poços, a construção de estradas de rodagem e carroçáveis, a de açudes públicos e incentivar a de açudes particulares, concedendo-lhes "prêmios" (subsídios) de até 50% do orçamento. Alguns reservatórios surgiram aqui e ali.
O Ceará, por exemplo, além do Cedro em Quixadá, já contava com açudes construídos antes da criação da IOCS, como Acaraú Mirim, Mocambinho, São Gabriel, Breguedofe, Lagoa das Pombas, e outros em construção. O Piauí, tinha Aldeia e Bonfim; e o Rio Grande do Norte, Currais, Corredor, Santa Cruz, Mundo Novo, Santana de Pau dos Ferros e Santo Antonio.
Dois fatores de alta importância caracterizaram este período "pré-Epitaciano": os estudos já citados, a cargo de cientistas pátrios e estrangeiros, que desvendavam os mistérios dos solos e clima da região nordeste, e a criação, durante a seca do 15, das "Obras Novas", que dinamizaram os trabalhos da Inspetoria".
Recordemos que Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa encetou uma programação de pesquisas sobre a realidade concreta do meio e sobre aspectos sociais da região assolada pelas secas, visando a adquirir dados confiáveis para nortear um programa de ação ao combate aos efeitos das secas.
De pronto, ficaram patentes abusivas e impertinentes intromissões de segmentos políticos da sociedade, na orientação científica dos trabalhos, o que obrigou Arrojado a organizar novo Regulamento, aprovado em 20/12/1911, já no Governo de Marechal Hermes da Fonseca.
Foi por decorrência deste Decreto que se iniciaram a instalação e funcionamento de postos de observação plúvio-fluviométricos e que foram adotadas medidas para promover a piscicultura nos açudes e nos rios intermitentes do semi-árido, segundo refere o Eng° Tomás Pompeu Sobrinho, em artigo publicado na Revista do Instituto do Ceará - Tomo LXXII - 1958.
O alto custo dos serviços de natureza científica, que não são compreendidos pelos não interessados em resultados mediatos, e que somente preconizam aplicações financeiras a obras de interesse da "política", determinaram a demissão de Arrojado.
O primeiro Inspetor de Secas, diante da insuficiência do número de profissionais, qualificados e habilitados, nos diversos ramos da ciência, fez contratar topógrafos, fisiógrafos, geólogos, engenheiros hidráulicos, botânicos, hidrólogos, sociólogos, etc, que acumularam enorme acervo de conhecimento sobre o meio.
Com a exoneração de Arrojado, do cargo de Inspetor, os trabalhos de natureza científica, foram drasticamente reduzidos, subjacendo num plano inferior.
Retornando ao posto de Inspetor, na Presidência Epitácio Pessoa, não conseguiu Arrojado, embora tivesse se esforçado, restaurar os trabalhos de pesquisa.
A tônica era construir obras!
Com a eleição de Artur Bernardes a IFOCS quase desaparece, possibilidade quase concretizada nos Governos de José Sarney, Collor de Melo e Itamar Franco. No atual, busca-se o processo de modernização que se faz mistér implantar.
Logo que deixou de estar presente, na Inspetoria, o espírito científico de Arrojado, a nortear a conduta da elite dirigente do órgão, o Departamento passou a adotar providências lastreadas em empirismo vulgar, por consequência da visão imediatista da classe política.
Como há pouco se mencionou, as providências para a coleta sistemática de dados de natureza plúvio-fluviométrica foi iniciativa de Arrojado Ribeiro Lisboa, ativada a partir de 1911, quando já era Presidente o Marechal Hermes da Fonseca.
Antes, anotações mais confiáveis, só existiam aquelas colhidas em Quixeramobim e Fortaleza.
A partir de 1911, foram instalados numerosos postos pluviométricos, disseminados na vasta extensão territorial nordestina com uma densidade próxima das recomendadas pelos padrões internacionais então vigentes.
As anotações sistemáticas foram devidamente enfeixadas em publicações cuidadosas, inicialmente, sob a orientação de Horace Williams e Roderic Crandall e, posteriormente, por engenheiros nacionais, pertencentes aos quadro da Inspetoria.
As medidas das descargas, em estações fluviométricas, foram cuidadosamente efetuadas, orientadas inicialmente por G.A. Warring e depois por C.M. Delgado, e utilizados pelo notável Eng° Francisco Gonçalves Aguiar.
De posse do acervo de dados coletados entre 1911 e 1930, o Eng° Gonçalves Aguiar conseguiu realizar notável síntese hidrológica de cunho determinístico, consubstaciando na chamada "Curva de Rendimentos" da região nordestina, calcada nos dados das bacias do Quixeramobim e do Jaguaribe, e nos de outras bacias, que bem se adequa às condições do semi-árido, estudos hoje, talvez, carentes de retoques, dado o nefasto desmatamento indiscriminado no "facies" nordestino e de outras agressões ao meio.
Aguiar, deixou publicado um notável trabalho, intitulado "Estudo Hidrométrico do Nordeste" que, com sua "Curva", é adequado às condições nordestinas.
O Eng° Vinícius Berredo, com base naqueles dados coletados pela IOCS/IFOCS, escreveu outro notável trabalho sobre o " Aproveitamento dos grandes Açudes Nordestinos", infelizmente, de curso restrito às salas técnicas do DNOCS.
As formulações da IFOCS, produto da "inteligência" técnica nordestina foi inquinada de ultrapassada pela elite dirigente da SUDENE dos primeiros dias, tendo dado, como resultado, a transferência do controle dos postos e das anotações sistemáticas, pelo DNOCS, para a Superintendência, que pouco tempo após, deixaram de ter a continuidade e abrangência, desejáveis.
Entretanto, na linha de Aguiar, técnicos franceses, a trabalhar para a SUDENE, como Molle e Cartier, procuraram modernizar os preceitos do sábio Aguiar, atualizando-os.
A INSPETORIA, NO PERÍODO DE GETÚLIO VARGAS
Profundas modificações experimentou o mundo após o término da primeira guerra mundial.
Em primeiro lugar, a Inglaterra perdeu o comando economia, cujo centro se deslocou da "City", em Londres, para Wall-Street, em Nova York.
A economia brasileira orbitava em torno da economia inglesa, e passa a se vincular à norte-americana.
O fortalecimento dos laços econômicos entre o Brasil e os EUA, refletiu-se na vida brasileira.
O "american way of life" contamina a sociedade brasileira.
A política brasileira se conturba por sucessivos movimentos de tendência modernizadora, que deságuam na vitoriosa Revolução de Trinta, assumindo o poder o Presidente Getúlio Vargas.
Vargas nomeia o paraibano José Américo de Almeida para o cargo de Ministro de Viação Obras Públicas, e o cearense Juarez Távora, para a pasta da Agricultura.
José Américo faz do Engenheiro Artur Fragoso de Lima Campos o novo Inspetor de Secas, que dá nova organização à IFOCS, denominação com a qual, a partir de 1919,ficou sendo conhecida a primitiva IOCS.
Lamentável acidente aviatório ceifa a vida de Lima Campos, cabendo ao Eng° Luiz Augusto da Silva Vieira, substituí-lo no posto de Inspetor.
Persuadido de que, a acumulação d'água era essencial à sustentabilidade da vida social e econômica no Nordeste, Vieira deu o maior apoio às tarefas de açudagem e promoveu, com grande ímpeto, à implantação rodoviária.
Por outro lado, daquela época em diante, descem a um segundo plano, no seio da Inspetoria, os estudos hidrológicos, até porque a síntese hidrológica de Aguiar, logrando notável adequação ao meio, perduraria válida por muitas décadas posteriores.
Também, a Inspetoria, segundo alguns analistas, como Thomás Pompeu Sobrinho e Celso Furtado, demorou-se em demasia, na execução de obras de acumulação, deixando de lado a modernização da agricultura e a promoção da irrigação.
Ora, as sucessivas secas demonstraram, até à última delas, a validade da orientação de se contar com águas açudadas.
E mais, a modernização da agricultura competia, não à IFOCS, e sim, ao Ministério da Agricultura, ou, alternativamente, às forças do mercado, isto é, à iniciativa privada.
José Américo constatando a inapetência do Ministério da Agricultura para atuar na peculiar zona semi-árida do Nordeste (atuou com desenvoltura na faixa litorânea nordestina) criou diretamente subordinadas a seu Ministério, as Comissões Técnicas: de Reflorestamento e de Postos Agrícolas no Nordeste, sediada em João Pessoa, e de Piscicultura, sediada em Fortaleza.
A primeira ficou sob a chefia do notável agrônomo José Augusto Trindade e a segunda, sob o comando do eminente cientista Rodolpho von Ihering.
Foram opimos os frutos colhidos por tais Comissões, mas, aos olhos dos burocratas, deveriam ser extintas, quando promulgada a Constituição de 1934 porque não ficavam bem posicionadas no organograma do MVOP.
Entretanto, o Inspetor Luiz Vieira criou a Comissão de Serviços Complementares da IFOCS, dando abrigo aos profissionais de alto gabarito símiles aos dos dirigentes citados como: José Guimarães Duque, Paulo de Brito Guerra, Jairo Padilha e outros, na Piscicultura, Pedro Menezes, Ruy Simões de Menezes, Osmar Fontenele, e outros.
A IFOCS criou o Instituto Agronômico de Área Seca, depois nominado Instituto José Augusto Trindade, até que, no Governo Castelo Branco, foi extinto.
Pioneiro na divulgação dos preceitos da ecologia foi o ilustre agrônomo Carlos Bastos Tigre, que estimulou o reflorestamento, a defesa da vegetação da caatinga e das matas ciliares aos cursos intermitentes.
Pena é que a exigüidade de recursos haja impedido o desenvolvimento destas tarefas e que, hoje, se denuncie não haver os Inspetores dado maior importância a essas ações, que corroboram para o desenvolvimento e a elevação do padrão de vida, e que complementam o essencial: a acumulação de águas superficiais, sem a qual retornaria o dilema d'antanho: água ou morte !
Quanto à promoção da irrigação, que aqueles dois eminentes vultos citados, Thomas Pompeu e Celso Furtado, imputaram à Inspetoria, de ter dado mais ênfase à açudagem do que à irrigação, e esqueceram o fato de que se não fora a existência de açudes, não haveria, no semi-árido, irrigação. Até porque, escreveu o egípcio por adoção e russo de nascimento, Serge Leliavski, que até o século XIX, "Irrigação" era uma forma adiantada de agricultar, mas que do ponto de vista da engenharia civil, a palavra Irrigação traduz o conjunto de obras hidráulicas que permitem a captação d'água dos mananciais naturais ou dos construídos pela ação humana, como os açudes, e de seu transporte, por canais ou tubulações, aos locais onde será utilizada.
Do ponto de vista agronômico aquele termo significa as diferentes maneiras de espargir água sobre os terrenos em cultivo, quando a natureza lh'a nega a certa altura do ciclo vegetativo das espécies cultivadas.
Além desses dois significados, os norte-americanos, entre estes, Israelsen e Ivan Houk, usam o termo para significar a ciência agronômica envolvida na produção agrícola.
O conceito de irrigação, como um dos ramos da engenharia civil, é, pois relativamente recente, remontando ao começo deste século, dos dias em que o notável engenheiro inglês Bligh publicou sua obra intitulada "Practical Design of Irrigation Works", a tratar com exclusividade dos projetos de captação d'água e de sua condução, sem nele inserir quaisquer informações sobre como devam os agricultores aplicar água às culturas, em benefício da produção agrícola.
A IOCS, depois IFOCS, hoje DNOCS sempre dominou os conhecimentos do projeto e da implantação das obras civis (hidráulicas) de irrigação, não conseguindo obter resultados mais expressivos na irrigação do ponto de vista agronômico, apesar de ter alcançando êxito pioneiro nos aspectos científicos das ciências agrológicas, no IAJAT.
É que somente na década de trinta, ou seja, uma vintena de anos após criada a IOCS, a Inspetoria se aproximou da irrigação do ponto de vista agronômico e das pesquisas agrológicas, como se mencionará adiante.
A Inspetoria de Obras Contra as Secas - IOCS - foi criada com a precípua finalidade de construir açudes e barragens para acumular água, nos anos de pluviosidade normal ou mais acentuada, para ser consumida pelas populações e pelos rebanhos, nos anos secos.
A versão, hoje dominante, porém falaciosa, de que a Inspetoria tivera por incumbência a promoção do fomento da agricultura irrigada, do ponto de vista agronômico, ou do ponto de vista científico de ciência agrológica, não encontra respaldo na realidade: primeiro, porque o mister da produção, àquela época, era deixado à iniciativa particular e não atribuição de agências governamentais e, segundo, porque o moderno arsenal científico em que hoje se arrima a produção agrícola, ainda não havia sido criado.
É conveniente destacar os condicionamentos sociais e econômicos que se antepunham ao desenvolvimento auto-sustentado nordestino, entre os quais a exigüidade dos recursos hídricos agravada pela ocorrência cíclica, mas de periodicidade até hoje desconhecida, das secas.
A Inspetoria foi encarregada de acumular água aos sertões, e nisso, foi eficiente e eficaz. Mas, não tinha por obrigação fomentar o desenvolvimento da agricultura (do ponto de vista agronômico).
As mais fortes raízes do sub-desenvolvimento nordestino não são aquelas condicionadas pelo fenômeno das secas, e sim, aquelas alimentadas pelo regime feudal, que esteve presente por 300 anos na metrópole lusa, e que foi transplantado ao Brasil pelos colonizadores portugueses.
Em dezembro de 1945, o Presidente José Linhares e o Ministro Maurício Joppert da Silva, promovem a reformulação da IFOCS, transformando-a em DNOCS, inserindo em sua nova estrutura, o Serviço Agro-Industrial e o Serviço de Piscicultura, evolução das antigas comissões técnicas criadas em 1932.
A exigüidade de recursos deferidos ao DNOCS aplicados, quase exclusivamente, nos setores hidráulicos de acumulação, impediram a aceleração das obras de irrigação e dos serviços de piscicultura.
As áreas irrigadas, dominadas pelos canais, permaneceram às mãos de proprietários desprovidos de mentalidade e de capacitação gerencial, desassistidos de crédito e a contar com a ajuda de rurícolas não afeiçoados a irrigação.
É que o caráter paraindustrial de que se reveste a irrigação do ponto de vista agronômico, não dispensava a orientação e de ajuda governamentais.
Não houve um esforço paralelo, antes de 1968, no sentido da reorganização fundiária nas áreas dominadas pelos canais e no de alfabetizar e instruir o campesinato; no de financiar a mecanização das lavouras; no sentido da difusão de insumos - fertilizantes, pesticidas e outros; de criar estruturas de estocagem; de industrializar os produtos agrícolas; de monetarizar o mercado interiorano, que funcionava à base do escambo; de elastecer o crédito etc, cuidados que escapavam às atribuições da IFOCS, depois, DNOCS.
Não havia, ainda, o aproveitamento da energia gerada na calha sanfranciscana, apesar da IFOCS haver iniciado os estudos básicos para o aproveitamento dos potenciais energético, com criação no seio da Inspetoria, da Comissão do Vale do São Francisco, antecessora da CHESF e da SUVALE (hoje CODEVASF).
O Governo não forneceu meios suficientes para que o DNOCS promovesse e ampliasse e modernizasse seus setores encarregados de estudos hidrológicos em escala regional, inclusive os de meteorologia, apesar do Departamento ter logrado notável êxito na formulação de uma síntese hidrológica, de cunho determinístico, com base nos dados coletados nas duas primeiras décadas de sua existência.
Por volta de 1956, o Governo Federal criou o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste - GTDN - que trazia em seu bojo a idéia de desenvolver o Nordeste com base na industrialização.
Este Grupo de Trabalho produziu um famoso Relatório, fundamentado nas análises realizadas sobre a problemática regional, pelo qual era sugerida a adoção das seguintes medidas:
Intensificação dos investimentos industriais, visando a criar no Nordeste um centro autônomo de expansão manufatureira; Transformação da economia agrícola da faixa úmida com vistas a proporcionar uma oferta adequada de alimentos aos centros urbanos;Transformação progressiva das zonas semi-áridas no sentido de elevar sua produtividade e torná-las resistentes ao impacto das secas;Deslocamento da fronteira agrícola do Nordeste com o fito de incorporar à economia da região as terras úmidas do "hinterland" maranhense. A reorganização da economia da zona semi-árida, liberaria os contingentes de mão de obra, parte dos quais seriam absorvidos pelas frentes de colonização.
Logo depois é criada a SUDENE, que concorreu para a veiculação da versão, só em parte verdadeira, de que a capacidade dos açudes então existentes, já era suficiente para atender a demanda d'água na zona semi-árida e que era chegada a hora de ser fomentada a irrigação.
Divulgou a idéia de que construir novos açudes era exigência dos chamados "industriais das secas", apodo perspegado aos que advogavam o aumento da capacidade de acumulação, por ocasião da organização da Carta Constitucional de 1946, perversamente, estendido à elite dirigente do DNOCS.
Os mentores da Superintendência não deram o devido valor ao que havia sido feito pela Inspetoria, estabelecendo-se nos primeiros dia da SUDENE, forte animadversão entre ela e o DNOCS, com prejuízos para ambos e, para o Nordeste.
A SUDENE divulga uma versão desfavorável ao DNOCS ao veicular que o órgão descuidara da agricultura nordestina que, como se mostrou linhas acima, não era atribuição do Departamento, se não e parcialmente, depois de 1934.
Foi obstaculada a política de açudagem até que as secas ocorridas nos primeiros anos da década de 80, demonstraram o erro dessa obstaculização.
A SUDENE inicialmente preconizava o emprego das águas açudadas na irrigação, pensando até em ser a agência executora da implantação das obras primárias do cometimento, entretanto, prevalecendo o bom senso, as mesmas continuaram a cargo do Departamento.
No presente item deste retrospecto histórico se procura por em evidência a evolução histórica dos fatores que concorrem para o subdesenvolvimento da agricultura nordestina, chamando-se a atenção para o fato de que, sobre a Inspetoria, não pesou responsabilidades por seu descuro, que lhe não dizia respeito, procurando-se mostrar como o DNOCS foi sendo paulatinamente empurrado em direção à irrigação (com sentido agronômico), sendo que na seara das obras primárias, sempre atuou de forma eficaz. Mostrou-se, " en passant", como o DNOCS iniciou as pesquisas agronômicas do semi-árido, tendo sido levado a delas se afastar, com a extinção do IAJAT no Governo Castelo Branco.
A IRRIGAÇÃO E O "MODELO" CRIADO PELO MINTER/SUDENE PARA O DNOCS IMPLANTAR
Dissemos, há pouco, que a Inspetoria, de 1909 a 1945, e o DNOCS de 1945 até agora, se dedicaram com o maior empenho, na implantação de açudes e estradas, sendo que estas escaparam às competências do DNOCS, ao serem criados o DNER, os Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem e o Departamento Nacional de Estradas de Ferro - DNEF, no período Presidencial do cearense José Linhares.
Os resultados obtidos no tocante à construção de açudes foram revestidos de êxito, assim como os relativos à implantação de estradas.
Entretanto, as atividades concernentes à implantação das obras primárias de irrigação e as de implantação de adutoras, para condução de águas dos açudes aos núcleos urbanizados, não alcançaram os mesmos êxito e vultos que o das obras de açudagem e de viação, menos por dificuldades de cunho tecnológico, mas pelas decorrentes da exigüidade de verbas.
Basta lembrar que a IFOCS esteve presente aos trabalhos de implantação da adutora Acarape do Meio - Fortaleza e, depois, aos de sua reformulação, na segunda metade da década de trinta; na implantação da adutora, do Açude Público Epitácio Pessoa - Campina Grande, na Paraíba, no Governo Juscelino.
Com as águas estocadas aos açudes que construíra, a Inspetoria ou o DNOCS poderiam ter levado a cabo, com maior celeridade, a implantação de canais para irrigar, o que se deixou de fazer entre 1945 e 1964, pela exigüidade de recursos alocados pelo Governo Federal ao cometimento.
À época, a IFOCS era repartição subordinada ao MVOP.
Mesmo assim, foram beneficiados 16.055 hectares, desde 1909 até 1958, assim distribuídos:
Às bacias hidráulicas dos açudes: Na faixa seca 6.602 hectares Nas vazantes 4.337 hectares Sub-total 10.939 hectares
Às bacias de irrigação: Nos postos agrícolas 655 hectares Por particulares, a partir de canais construídos pela IFOCS 4.46l hectares Sub-total 5.1l6 hectares Total 16.055 hectares
conforme levantamentos publicados no Boletim do DNOCS, N° 6, vol. 20, de novembro de 1959, às páginas 248.
Devemos recordar que a Segunda Guerra Mundial contribuiu para postergar a construção dos grandes açudes que restavam por implantar e para impedir a implantação de canais e drenos, com vistas à irrigação.
Não havia, porém, dúvida quanto a conveniência de irrigar as terras da zona semi-árida, porque o sol nos possibilita cultivar durante os doze meses do ano, não fosse a irregularidade ou ausência, às vezes total, das chuvas.
Todavia, não foi somente a curteza de recursos financeiros que tolheu o florescimento da agricultura por via irrigada.A tal óbice devemos agregar outros, como a pequena rentabilidade do capital aplicado na agricultura, a incapacidade gerencial dos donos de terras, a inexistência de energia elétrica no meio rural, a mão de obra campesina não qualificada e não afeiçoada à faina agrícola; a inexistência de estruturas para estocar, as dificuldades de crédito e a inexistência de agro-indústrias, e a fragilidade do mercado etc.
Com a criação da CHESF, alargam-se as perspectivas da aceleração do desenvolvimento nordestino, ampliadas com a criação do BNB e da SUVALE, hoje CODEVASF.
A ascenção de Juscelino Kubitsckek à Presidência da República trouxe com ela um rol de metas a serem concretizadas, e para serem atingidas em seu período presidencial, destacando-se, entre várias, a implantação de usinas hidro-elétricas nos rios da região sudeste, a implantação da indústria automobilística, o refino de petróleo, a química fina, a construção de estradas de rodagem e a " meta-síntese" - a construção de Brasília.
As obras de açudagem, no semi-árido nordestino, foram retomadas, em número e porte expressivos, em ritmo acelerado.
Entretanto, os investimentos aplicados no Sudeste, foram muito maiores e muito mais diversificados do que aqueles deferidos ao Nordeste, assim aumentado o desnível do desenvolvimento entre tais regiões.
Se bem que a região semi-árida nordestina tivesse sido bem contemplada, em comparação com o que os Governos anteriores nela aplicaram, os do Nordeste Oriental se queixavam, afirmando que a área delimitada pelo Polígono das Secas, estava recebendo melhor tratamento da parte de Governo Federal.
O Governo Jânio Quadros interrompeu a concessão de subsídios à implantação de açudes particulares pelo regime de cooperação, desacelerada também a construção de açudes públicos.
Com a renúncia de Jânio, instala-se, por pequeno intervalo de tempo, o regime parlamentarista, sucedido pela Presidência João Goulart, durante a qual o DNOCS é transformado em Autarquia, pela Lei 4.229, de 01.06.63.
Oito meses após, assiste o país a Revolução de 31 de março de 1964, e logo após a instalação do Governo Castelo Branco, sucedendo-se na Direção Geral do DNOCS, as figuras de vários militares ilustres, mas, infelizmente não suficientemente versados sobre a problemática nordestina.
A antiga modalidade empregada pelo DNOCS de construir obras por administração direta foi abolida e, de uma hora para outra, o grosso do efetivo dos servidores especializados pertencentes aos quadros do órgão, mergulhou em ociosidade, aproveitada a oportunidade para ser divulgado que o contingente ficara ocioso não pela intempestiva mudança do tipo de execução por administração direta, mas atribuída a conluio de políticos clientelistas, com dirigentes do Departamento.
A idéia central de promover a irrigação consistia no DNOCS desapropriar as terras das bacias de irrigação, onde seriam implantados os "perímetros irrigados", e dividí-las em pequenos lotes, onde seriam assentados os "colonos", em parte recrutados entre os antigos "moradores" dos estabelecimentos rurais particulares desapropriados.
A implantação de tal modelo, idealizada pelo MINTER e pela SUDENE, foi atribuída ao DNOCS, o que gerou forte antipatia para com o Departamento, da parte dos proprietários expropriados, e de seus representantes, com assento nas casas legislativas, oriunda mormente dos preços deprimidos com os quais se compuseram os custos das desapropriações e, da parte dos "moradores" excluídos do processo de assentamento, que se viram expulsos e desassistidos de apoio para recomposição de suas moradias.
Ao DNOCS restou, também, a atribuição de orientar as tarefas de instituir estratégias coerentes, com o objetivo de desenvolver a produção agrícola, no âmbito dos perímetros irrigados.
Para tanto, coube ao Departamento instalar, em cada pequeno lote, o colono e sua família, encarados como uma "empresa familiar", prover o conjunto das estruturas habitacionais e de serviços públicos, além de montar uma estrutura administrativa no local e exercer o papel de uma espécie de "holding", as gerências de perímetros, para gerir o empreendimento, uma vez que as cooperativas de irrigantes criadas para congregar os colonos eram extremamente frágeis e apenas cumpriam as determinações dos prepostos do DNOCS.
A prática consagrou a concessão de subsídios aos colonos sob as mais diversas formas, tais como: pagamento de energia elétrica consumida, fornecimento d'água sem cobrança de tarifa, e de insumos agrícolas os mais diversos, despesas de conservação gerais etc, cuja concessão, em escala crescente e indisciplinada, se revestiram de caráter paternalista.
O paternalismo e a inadequação da escolha da clientela a que se destinavam os perímetros públicos de irrigação, tão criticados no "modelo" adotado a partir dos anos 70, não tiveram, na verdade, origem no Departamento, e sim no GEIDA- Grupo Executivo de Irrigação e Desenvolvimento Agrário, do MINTER. "Modelo" este tansferido à própria SUDENE, e materializado nas experiências pioneiras de Bebedouro, projetado e implantado por aquela Superintendência, posteriormente transferido à CODEVASF, e Morada Nova, cujo projeto foi transferido pela SUDENE ao DNOCS, a quem coube a sua implantação.
Não se pode deixar de fazer referência, em respeito à história, do assessoramento dado àqueles órgãos por parte das missões técnicas dos governos de Israel, da Espanha e da França, bem como das consultorias de empresas desses países e de Portugal que aqui aportaram através de consórcios com nascentes empresas brasileiras. Esse assessoramento, desenvolvido sob a égide da transferência de tecnologia, encontrou terreno fértil para a transposição de modelos por força da, então incipiente, experiência nacional neste setor.
Por outro lado, a excepcionalidade do regime vigente, favorecia a verticalidade das ações de implementação do modelo de assentamento definido para a região e inibia possíveis iniciativas de contestação do mesmo. Concebido sob a égide do amortecimento de tensões sociais no campo, viria este modelo a se transformar, com a liberalização do regime, em um verdadeiro libelo, unilateralmente lançado contra o DNOCS, identificado, inicialmente em teses acadêmicas e, posteriormente, introduzido no discurso de setores do próprio governo, como repositório de todos os ranços do autoritarismo, do paternalismo, e da concepção, hoje por todos apontada como nefasta, do chamado "Estado-produtor".
Neste emaranhado de críticas de todos os matizes ideológicos, obscureceu-se, sempre, o fato de que, equivocada ou não, esta era uma política de governo, e ao DNOCS, como órgão de governo cabia executá-la. As críticas, algumas fundadas, outras não, cuidaram, sempre, de omitir que, ao estruturar o aparelho de governo de acordo com concepções, tidas à época como "modernizantes", separaram-se as funções de planejamento e de execução, ficando a cargo do DNOCS, no que lhe competia, esta última.
Registre-se o fato histórico de que o GEIDA - Grupo Executivo de Irrigação para o Desenvolvimento Agrícola, já mencionado, criado pelo MINTER em 1968, contando com representantes dos Ministérios da Agricultura, Fazenda, Minas e Energia, Planejamento e Saúde, definiu no documento intitulado Programa Plurianual de Irrigação - PPI, não só o escopo dos projetos, como, também relacionou as áreas objeto de intervenção nominando, inclusive, os perímetros que seriam implantados. A própria Portaria 001/70, do MINTER, define as responsabilidades no campo da irrigação no Nordeste:
*GEIDA : formulação de políticas
*SUDENE : supervisão e coordenação
*SUVALE, DNOCS e DNOS : execução, operação e manutenção dos projetos.
Embora creiamos que devam ser esses fatos do conhecimento daqueles que estudam e se dedicam à problemática da irrigação no Nordeste semi-árido, entendemos ser este registro histórico necessário, primeiro, para que não se continue a atribuir ao DNOCS um contencioso maior do que ele já detém, segundo, porque a identificação das raízes dos problemas que hoje enfrentamos é fundamental para que não se incorram nos mesmos erros do passado, embora com isso não queiramos subtrair do DNOCS a sua parcela de culpa, ao analisar os fatos históricos aqui relatados.
É meridianamente claro, que, de tudo isso também afloram, evidentes acertos, dentre os quais o mais importante é, sem dúvida, a introdução definitiva da tecnologia da irrigação nos sertões semi-áridos e a sua irreversibilidade como fator de modernização agrícola, além da geração de externalidades que se incorporaram ao processo sócio-econômico das regiões em que os projetos foram implantados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que pretendemos aqui, deixar registrado, mesmo resumidamente, foi o papel relevante desempenhado pela mais antiga agência governamental com atuação no Nordeste brasileiro - o DNOCS.
Esta instituição, apesar do desgaste de seu reconhecimento perante a opinião pública, decorre, em grande parte de motivos que lhe foram alheios, tem a sua marca impressa em cada palmo de chão dessa sofrida região.
A nossa história, e dela muito nos orgulhamos, se confunde com a história da ocupação do semi-árido pelo homem e se expressa por um acervo material e tecnológico que nos foi legado pelos que nos antecederam, tenham sido eles engenheiros de larga visão, como Arrojado Lisboa, cientistas do porte de Von Ihering, de Francisco Aguiar, pesquisadores do nível de Guimarães Duque, ou simples "cassacos" que, com as mãos, transformaram a rocha e a terra estéreis, nas barragens que reservam a água, mitigam a sede de homens, animais e de plantas e que pintaram de verde as manchas cinzentas da caatinga adusta.
Ultrapassados os momentos difíceis que a instituição tem vivido, um fenômeno tão cíclico como o das secas que assolam a nossa região, eis que, mais uma vez, reagrupamos forças e nos aprestamos para o cumprimento de novas tarefas, com mais entusiasmo.  | ?A hipocrisia, a pusilanimidade e uma severa estiagem entre 1979 e 1983 produziram nova tragédia no Nordeste, com milhões de mortos e flagelados?
?O retrocesso do DNOCS e da política de convivência com as secas, apenas esboçada com a criação da Sudene, ficou visível com a seca de 1970 e, mais ainda, com a grande estiagem do quadriênio 1979-1983?
?O latifúndio e o poder dele derivado constituíam os maiores obstáculos às transformações necessárias para alterar o panorama da região?
?Os pactos políticos, a interpretação equivocada da realidade, a manutenção do status quo e o descaso com que, frequentemente, o semiárido é tratado explicam a derrocada das políticas aplicadas ao longo do século XX?
CONSIDERAÇÕES FINAIS A atuação do DNOCS ao longo de dez décadas reflete os conflitos de interesses e as formas de enxergar o fenômeno das secas no semiárido nordestino. Revela, sobretudo, o conjunto de relações sociais estabelecidas durante séculos, a importância do controle sobre os órgãos do Estado em uma região com baixo dinamismo econômico, um modelo político anacrônico e excludente e, por extensão, a relevância dos conchavos políticos como forma de perpetuação no poder. Sendo assim, é compreensível que o órgão tenha perma- necido sob o controle dos poderosos locais, enriquecidos com os benefícios advindos da ?indústria da seca?. Verdadeiros empresários da desgraça, foram beneficiados pela força das oligarquias na República Velha, acomodaram-se aos dois prolongados períodos ditatoriais do século XX e, sobretudo, regatearam e ratearam cargos e obras dos órgãos federais, entre cujas vítimas está o DNOCS. Contrariando toda a evolução dos últimos anos, entre- tanto, a crença no ?combate? à seca com obras e reten- ção artificial de água permanece viva, como atesta a transposição das águas do Rio São Francisco, obra que vai beneficiar o agronegócio da fruticultura irrigada, protegido sob o manto da iniciativa louvável de levar água a 12 milhões de pessoas. Como presente por seu centenário, porém, parece que dessa vez o DNOCS vai ficar de fora.  | Gostaria de alertar que a campanha contra o DNOCS é obra de racistas e supremacistas brancos que odeiam a população preta e parda do Nordeste.
Os supremacistas brancos ficam DESESPERADOS quando vêem todas as incríveis obras de engenharia construídas pelo DNOCS no sertão.
Os supremacistas brancos ficam DESESPERADOS quando vêem recursos federais sendo investidos no desenvolvimento do Nordeste preto e pardo.
Os supremacistas brancos ficam DESESPERADOS quando vêem esses recursos federais dando resultados, e o Nordeste preto e pardo se desenvolvendo, e os caminhões "pau-de-arara" que levavam "retirantes da seca" sendo totalmente extintos.
Os supremacistas brancos estão MUITO PREOCUPADOS com o desenvolvimento do Nordeste, que em grande parte só foi possível graças ao trabalho do DNOCS, e eles querem fazer de tudo para barrar esse desenvolvimento e para FUDER o Nordeste, começando por extinguir o DNOCS.
Inclusive, tem o dedo da CIA envolvida na campanha contra o DNOCS, porque a CIA é uma agência controlada por supremacistas brancos, a CIA odeia o Nordeste brasileiro de pretos e pardos.  | Essa campanha anônima pelo Dnocs é obra de políticos corruptos que sempre lucraram desviando verbas de combate à seca e de vagabundos e apaniguados com medo de perder sua boquinha no órgão.
Ninguém no sertão dá a mínima pro Dnocs que nunca ajudou em nada os sertanejos e só construiu açudes em fazendo de coronéis, ajudando a perpetuar a famigerada indústria da seca, obviamente negada por seus beneficiários - políticos corruptos e mercenários contratados para defendê-lo.
O pior de tudo é o complexo de inferioridade e a mania de perseguição, curiosamente reclamada por quem mais lucra com a indústria da seca e mantêm os sertanejos na miséria - as oligarquias locais e seus puxa-sacos.
O Dnocs é, foi e sempre será moeda de troca política e refúgio para apaniguados dessas oligarquias.  | RELATÓRIO DA CGU SOBRE O DNOCS DE 2012 RETIRANTE E COLOCANTE BAIANO 13/11/2012 15:38 CONSIDERAÇÕES FINAIS A certificação das contas de 2008 a 2010 do DNOCS foi pela irregularidade da gestão e, em que pese tal fato, a Direção da autarquia pouco tem feito para reverter e/ou melhorar esse cenário. Em consequência, não raras vezes, os projetos não atingem os objetivos propostos, seja quando a execução é direta , seja na indireta mediante a celebração de convênios. Esse quadro é agravado pelo fato de que as recomendações do Controle Interno não são tratadas de forma efetiva pela Direção da Autarquia. Tem-se recomendado, de forma sistemática, a adoção de medidas corretivas em casos concretos que vão desde apurações de responsabilidade administrativa, à glosa de recursos, anulação/repactuação de contratos, entre outras. Além disso, têm sido propostos ajustes de cunho gerencial com vistas à melhoria de processos e padrões de desempenho. Tal postura da Direção vem ocasionando o agravamento de situações concretas que já poderiam ter sido resolvidas. Esses fatos, como já registrado nas contas anuais do Órgão, retratam um diagnóstico grave, haja vista a incapacidade de reagir frente aos problemas presentados. É fundamental que o Ministério da Integração Nacional, enquanto órgão supervisor, adote medidas concretas e efetivas junto ao DNOCS, na medida em que o mesmo, por si só, vem demonstrando incapacidade gerencial e administrativa para solucionar os problemas apontados. As justificativas/providências apresentadas pelo DNOCS são relevantes para a superação das irregularidades apontadas, entretanto, em sua maioria somente produzirá efeitos concretos após decorrido os prazos internos estabelecidos pelo órgão para conclusão dos encaminhamentos e análise definitiva da matéria. Portanto, entende-se que enquanto os assuntos não sejam definitivamente equacionados permanecem as ressalvas apontadas no presente Relatório. Além das recomendações para ajustes pontuais que foram feitas ao longo deste relatório, entende-se que no intuito de evitar e/ou minimizar a reincidência nas irregularidades aqui apontadas, o DNOCS deve adotar medidas estruturantes que atuem nas causas aos problemas identificados. Para tanto, recomenda-se, sem a pretensão de serem exaustivas, as seguintes medidas: a) Envidar esforços para melhoria dos controles internos relativos ao processo de celebração dos Convênios, Contratos e Licitações, haja vista as fragilidades constatadas neste Relatório; b) Estabelecer procedimentos internos que visem garantir o adequado atendimento às recomendações contidas em pareceres técnicos e jurídicos emitidos em suporte a atos de gestão; c) Promover ações de capacitação do quadro de pessoal, área meio e área fim, com vistas a melhor desempenhar as atribuições do órgão; d) Continuar envidando esforços de forma a recompor o quadro de recursos humanos atualmente existente, avaliando medidas mitigadoras que possam minimizar o problema enquanto não há realização de concurso público; e) Aprimorar a sistemática de gestão de convênios, licitações e contratos, por meio do estabelecimento de rotinas padronizadas, de maneira a uniformizar os procedimentos. Avaliar a conveniência e oportunidade do estabelecimento dessas rotinas mediante Manuais Internos ou Orientações Normativas; f) Para a celebração de convênios, considerar a capacidade de monitoramento, acompanhamento e fiscalização dos mesmos, a fim de que seja compatível com a quantidade de ajustes firmados, haja vista os recursos humanos que compõem o quadro da Unidade, adotando medidas mitigadoras que possam minimizar o problema enquanto não há acréscimo de força de trabalho, a exemplo, o uso do instrumento de contrato de repasse; g) Promover a restruturação da auditoria interna do Órgão, considerando o quantitativo de pessoal e a capacitação técnica adequada ao desenvolvimento dos trabalhos afetos à área; h) Adotar mecanismos internos de controle preventivo de forma a evitar e/ou minimizar a reincidência nas situações apontadas no presente Relatório, i) Proceder o atendimento adequado e tempestivos das recomendações emanadas pela auditoria interna da Unidade, bem como pelos órgãos de controle interno e externo; j) Implementar, mediante alteração da estrutura organizacional, unidade específica para o desempenho da atividade correicional, com atribuição formal para tanto, a fim de garantir maior controle e eficácia dos procedimentos disciplinares; k) Estabelecer critérios claros e objetivos para distribuição de recursos, inclusive os recebidos mediante destaque orçamentário, considerando os objetivos definidos pela políticas públicas a cargo do DNOCS; l) Aprimorar a integração entre as Diretorias do DNOCS e destas com as unidades nos estados, de forma a garantir a unicidade de objetivos e o fluxo adequado de informações e ações; m) Avaliar e propor medidas efetivas que visem o aperfeiçoamento de gestão do órgão, no que tange aos seus métodos de trabalho e estrutura organizacional, em especial ações voltadas para a melhoria de desempenho da área finalística FONTE: http://www.cgu.gov.br/AuditoriaeFiscalizacao/AuditoriasEspeciais/2012/Arquivos/DNOCS_Relatorio%20auditoria%20especial_Dez-2011.pdf , Relatório da CGU sobre o DNOCS, páginas 234 e 235  | Viva o DNOCS? Conheço o interior da Bahia, vai em Mansidão, Buritirama, Irecê, Lapão, Ibipepa e cadê as maravilhosas obras do DNOCS para (SIC) "amenizar" a seca? Tem racionamento de água há quase 1 ano em Irecê e microregião, a represa de Milhoróis está há míngua e não é de hoje. Israel é um Estado bem mais novo que o tempo de existência do DNOCS e cadê os mesmo problemas? Vai dizer que o semiárido nordestino é pior que os desertos do Oriente Médio? Não tem retirantes? Mentiroso! Leia todos os noticiários da Bahia que parcelas da população do interior estão deixando seus lugarejos para tentar vida por causa da SECA! Temos uma nova geração de retirantes! ( http://campoformosonoticias.com/v3/?p=17811 ) É esta corja toda DNCOS, SUDENE, Banco do Nordeste e outras entidades falidas e só para satisfazer uma curriola . Mailson da Nóbrega já questionava isso quando era ministro de Sarney, os repasses federais aos municípios praticamente triplicaram nos últimos anos da ditadura aos governo democráticos, e ainda assim os prefeitos estão chorando por falta de recursos ...
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