A violência, como notou Hannah Arendt em seu belíssimo estudo (SOBRE A VIOLÊNCIA) tem o potencial de se espalhar, pois quando é utilizada "Se os objetivos não são alcançados rapidamente, o resultado será não apenas a derrota, mas a introdução da prática da violência na totalidade do corpo político".

É por isto que a violência estatal (policial) deve sempre ser uma EXCEÇÃO e não a REGRA. Quando se torna REGRA da ação policial "A prática da violência, como toda ação, muda o mundo, mas a mudança mais provável é para um mundo mais violento." (Hannah Arendt, SOBRE A VIOLÊNCIA).

Em São Paulo nos últimos dias a violência policial virou a REGRA. Todas as noites os PMs matam suspeitos (e eventualmente inocentes). A contagem de corpos já passou de 100 e virou notícia até na Inglaterra ( http://www.guardian.co.uk/world/2012/nov/11/sao-paulo-murder-spree-brazil?CMP=twt_gu).

Quando um governante permite aos seus subordinados abusarem no uso da violência, o resultado é sempre o mesmo: entre uma ação legítima e outra, afloram comportamentos criminosos. Vários crimes já foram cometidos por policiais paulistas nos últimos dias. O mais evidente dele foi a execução de um rapaz que deveria ser preso ( http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1681998-15605,00.html ). A onda continua de violência policial em São Paulo, repercutida diariamente pelos telejornais para o Brasil inteiro, parece já estar dando novo ânimo aos criminosos de farda dos outros Estados. Na Bahia foi executado (provavelmente por PMs) um advogado agredido há pouco tempo por policiais ( http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/126065-rio-real-advogado-agredido-por-pms-em-janeiro-e-executado.html) .

O governador é o comandante em chefe da PM. Portanto, Alckimin é o único homem capaz de deter a onda de violência policial. Mas ele parece não estar preocupado com isto ou apóia com firmeza a limpeza social criminosa que está sendo feita todas as noites nas periferias de São Paulo.

Na noite de 10/11/2012, disse ao meu Deputado Federal pelo Twitter que estou mais preocupado com a brutalidade exagerada e criminosa da PM do que com o PCC, que é um "nada" perto do Estado. Outra coisa que me preocupa muito é a conivência da imprensa, que ora protege Alckimin ora exige mais violência policial. Como disse ao meu Deputado, foram Facções Jornalísticas como a comandada por Alckimin que criaram o nazi-fascismo europeu inculcando na população italiana e alemã a necessidade e virtude da brutalidade estatal. Precisamos ficar muito alertas, pois "? uma escalada da violência nas ruas pode trazer consigo uma ideologia verdadeiramente racista para justificá-la" como disse Hannah Arendt em se livro SOBRE A VIOLÊNCIA. Com surpresa e desapontamento, hoje vi no Twitter a foto do meu Deputado Federal em reunião com Alckimin e pela mensagem que ele postou não me parece que ele tenha apertado o governador como deveria ( https://twitter.com/ProtogenesQ/status/267982447692615680/photo/1).

Em texto publicado na internet até o conservador Claudio Lembo criticou a inação social de Alckimin e o exagero da brutalidade da polícia que ele comanda ( http://terramagazine.terra.com.br/blogdoclaudiolembo/blog/2012/11/12/o-crime-e-a-sociedade-civil/). Lembo, contudo, não critica a Facção Jornalística que apóia a brutalidade policial ou protege Alckimin
( http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/11/513880.shtml).

As ações violentas da PM, que se renovam todas as noites em São Paulo, já deveriam ter despertado a atenção e indignação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Notei, todavia, que Maria do Rosário ainda não veio a São Paulo combater a violência policial e cobrar de Alckimin o respeito aos Direitos Humanos como determina a CF/88. Em razão disto, perguntei-lhe hoje pelo Twitter se ela está com medo de ser assassinada em São Paulo ou se ela apóia o Assad paulista.

Segundo Hannah Arendt, "Nem a violência nem o poder sao fenômenos naturais, isto é, uma manifestação do processo vital; eles pertencem ao âmbito político dos negócios humanos, cuja qualidade essencialmente humana é garantida pela faculdade do homem para agir, a habilidade para começar albo novo. E penso que pode ser demonstrado que nenhuma outra habilidade humana sofreu tanto com o progresso da época moderna, pois o progresso como viemos a entendê-lo, significa crescimento, o processo implacável de ser mais e mais, maior e maior. Quanto maior torna-se um país em termos populacionais, de objetos e de posses, tanto maior será a necessidade de administração e, com ela, de poder anônimo dos administradores." (SOBRE A VIOLÊNCIA). Arendt insiste neste ponto porque notou que a "...burocracia é a forma de governo na qual todas as pessoas estão privadas da liberdade política, do poder de agir; pois o domínio de Ninguém não é um não-domínio, e onde todos são igualmente impotentes temos uma tirania sem tirano."

No fundo o governo Alckimin é uma tirania de Ninguém, pois foi em razão da omissão estatal que os bolsões de miséria cresceram e alimentaram o crime e as facções criminosas. Também é uma tirania de Ninguém, porque o sistema prisional do Estado está abandonado à própria sorte e as condições desumanas impostas aos detentos não permite o cumprimento dos objetivos da Execução Criminal (que por força de Lei, é a recuperação e resocialização do detento) e estimula os prisioneiros a filiarem-se a facções criminosas. O sistema prisional da tirania de Ninguém provoca o enraizamento ainda mais profundo do crime e da violência nas personalidades dos criminosos. E para coroar a natureza de Ninguém-tirania do governo Alckimin, todos os dias vemos que na noite anterior a PM executou suspeitos, inocentes e, eventualmente, criminosos. Desde quando a pena de morte pude ser imposta após julgamento sumário conduzido por quem aponta o revólver e pressiona o gatilho?

A pena de morte é proibida pela CF/88, mas na Ninguém-tirania que se transformou o Estado de São Paulo esta regra caiu em desuso, vários jornalistas a esqueceram, Deputados Federais apóiam o tirano local (ou não cobram dele a responsabilização do comando da PM) e até a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República se omite.