O país dos sonhos do PT parece ser algo parecido com a China atual, qual seja um país sob governo de partido único, com Congresso, Imprensa e Judiciário submissos ou amordaçados. Pelo menos, é o que se deduz das manifestações desesperadas de lideranças petistas , ao término do julgamento do mensalão.

Externando um incontido sentimento autoritário, e demonstrando total ausência de autocrítica ou de arrependimento pelos pecados cometidos, autoridades do PT e do governo vieram a público a manifestar todo o seu rancor contra o Supremo Tribunal Federal e contra a Imprensa, após a definição das penas de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Não que as penas impostas aos três líderes políticos da quadrilha tenham sido superdimensionadas pelos julgadores ? pelo contrário, foram brandas, diante da dimensão dos crimes praticados - , mas tão somente pelo fato de a indigência mental dos sectários não admitir tamanha afronta a um líder tão admirado e querido como José Dirceu.

A certeza da impunidade dos líderes era tão arraigada no PT que o impacto da condenação, provocou manifestações que revelaram sobretudo o enorme desprezo que essa gente dedica às instituições democráticas quando seus interesses ficam contrariados,

O senador Jorge Viana, coronel político do Acre, teve a desfaçatez de afirmar ser ?inadmissível? que lideres de um partido sejam condenados por juízes escolhidos pelo governo desse mesmo partido. Na lógica mequetrefe de Viana, ministros do Supremo julgam sob a conveniência do partido no poder, e não sob a Constituição vigente.

Mais grave, porque vinda de uma autoridade da República, foi o ?reconhecimento? extemporâneo feito pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, de que o sistema prisional brasileiro é ?indigno?, e que preferia ?morrer? a ter que cumprir pena numa penitenciária do país. Tardio porque o PT está há dez anos no poder, e se desconhece alguma política no sentido de reverter esse quadro.

A surpreendente declaração do ministro só faz sentido dentro do clima de choradeira geral que acompanhou a definição das penas aos líderes do mensalão. Cardozo agiu mais como um servil defensor dos interesses de Dirceu do que como ministro da Justiça. Deveria se ocupar da questão carcerária de maneira efetiva, e não apenas quando um ?companheiro? influente é condenado à prisão.

A sequência de manifestações raivosas do PT se completou, na última terça feira, com uma nota da executiva do partido em que ataca o STF, acusando-o de ter promovido um julgamento imparcial sob pressão de ?midia conservadora?. O Partido dos Trabalhadores declarou, ainda, que considerou o julgamento um ato político, por ter sido iniciado às vésperas das eleições municipais.

Choradeira à parte, o fato é que o PT assumiu o governo, em 2003, sob a esperança de milhões que acreditavam na sinceridade do seu discurso em defesa da ética e da democracia. Viu-se, mais tarde, que a ética e a democracia, para o PT, tinham prazo de validade limitado. Para se perpetuar no poder, o PT havia montado um amplo e corrupto projeto de submissão do Congresso. Se bem sucedido, seguiria a censura á imprensa e o controle do Judiciário.

O projeto de construir um populismo autoritário fracassou, por força da imprensa independente, o Ministérios Público e o Supremo Tribunal Federal, muito embora a oposição no Congresso, por medo ou conivência, tenha se omitido. A velha guarda petista vai saindo de cena da pior forma possível.
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