AVALIAÇÃO DO PRIMEIRO SEMESTRE E DAS LUTAS NA UECE:
A NECESSIDADE DE SE CONSTRUIR UM MOVIMENTO DE BASE

UM PRIMEIRO SEMESTRE PRESO AOS LIMITES DOS PROCESSOS ELEITORAIS

O semestre 2012.1 na UECE iniciou e terminou da mesma forma, com processos eleitorais. Tivemos eleições para Reitor, DCE e CA. O único ato de peso daquele semestre, baseado na campanha Pra UECE não parar professor evetivo já!, foi no fim calendário universitário e construído as pressas. Restando a promessa de se dar continuidade a campanha no segundo semestre.
Voltando ao primeiro semestre, começamos então com a eleição para Reitor, que mesmo levando parte da universidade às urnas, não passava de uma consulta. Cabia ao governador do Estado a escolha final, podendo ele escolher qualquer um dos candidatos independente do resultado obtido pela votação. O processo ainda contava com a desproporção entre o peso de voto das categorias através dos 70-15-15 (professor, servidor e estudante, respectivamente). Assim, não só bastando ser uma consulta delimitada, o voto dos professores valia mais que o dos estudantes e servidores e ainda eram excluídos os terceirizados, trabalhadores altamente precarizados de fundamental importância à universidade.
Logo em seguida tivemos a eleição para o DCE, que leva suas problemáticas particulares. Neste, tivemos duas chapas, ligadas a Consulta Popular e ao PSOL, com propostas quase idênticas e mesmos objetivos, o aparelho estudantil. Os programas de ambas as chapas, assim como nos debates pré-eleição, pouco se diferenciaram, marcados pelo reboquismo das campanhas nacionais desenvolvimentistas como a dos 10 por cento do PIB para a Educação, que recentemente foi aprovada, com modificações, pelo governo federal. Depois, na Ciências Sociais, tivemos as eleições para o CA, que revelando em parte a pouca mobilização no curso contou apenas com uma chapa, formada por membros da antiga gestão. E como de costume, a chapa se dizia renovada por ter vários calouros dentre seus integrantes, mas o programa não avança, sendo o ?mesmo de sempre?, preso aos limites do paragovernismo.
Como resultado da centralidade do processo eleitoral para os grupos governistas e paragovernistas e da pouca articulação dos grupos de oposição, o primeiro semestre foi preso aos limites das eleições e teve como saldo poucas mobilizações e a construção apressada da campanha por professores efetivos já nos últimos minutos do primeiro semestre.

CAMPANHA ?PRA UECE NÃO PARAR, PROFESSOR EFETIVO JÁ!?, CONSTRUÇÃO E CRÍTICA

A campanha retorna no segundo semestre e alguns erros ainda persistem. Pouca divulgação da campanha, ocorrendo apenas em momentos pré-ato, o que denuncia a tendência da construção da campanha com pouco desdobramento nas bases. Construir uma campanha com a importância que essa pauta possui passa não só por reuniões entre a diretoria do sindicato dos docentes, do DCE ou os CAs, mas sim pela necessidade do conjunto dos estudantes de base se apropriarem dela, através de discussões permanentes nos cursos, com seminários e formações políticas. Apesar dos problemas dos atos permanencem, muitas vezes passando por cima das direções, como o que ocorreu com a ocupação da secretaria da copa. A falta de construções coletivas nas lutas da UECE leva a base a ficar refém das direções oportunistas, o que em parte explica o triste fim da ocupação que não conseguiu sequer uma reunião com o governador, apesar das direções alardearem que isso estava garantido. Triste erro. Confirmando o cupulismo e a má divulgação da campanha, um ato foi marcado para dia 24.10 e foi desmarcado no dia anterior.
Entendemos a importância da campanha diante da carência de professores na UECE, no entanto não deixamos de colocar a crítica em relação a má divulgação que descola a luta da base, colocando assim os mais atingidos com a situação impossibilitados de impulsionar a campanha.

FÓRUM DE MOBILIZAÇÃO PERMANENTE

Como parte dos esforços de construção coletiva e de base, estudantes de diferentes cursos vem propondo o resgate dessas práticas como forma de reavivar o nosso debilitado ME na UECE. Algumas formações políticas já foram feitas, como o resgate e balanço dos últimos dez anos de movimento estudantil na UECE. Mas sabemos que apenas isso não basta e que a luta que nos propomos a fazer ainda tem um longo percurso a seguir. O Fórum está aberto àqueles estudantes que se propõem a fugir das recorrentes práticas governistas e paragovernistas presentes no ME em geral e especificamente na UECE.

GÊNERO E CLASSE

?Nem feminismo burguês, nem classismo machista! A luta da mulher faz parte da luta do povo e a luta do povo faz parte da luta da mulher!?

No dia 13 de setembro o Coletivo LutaSociais realizou sua primeira atividade aberta, debatendo um tema recorrente nas Ciências Sociais: o feminismo, defendendo o ponto de vista classista que vemos nele. Pois acreditamos ser uma tarefa essencial que as mulheres da classe trabalhadora fortaleçam sua atuação nas lutas da classe e ao mesmo tempo se posicionem na sua luta enquanto mulher.
Para não sermos levados ao feminismo pequeno burguês, que afirma ser o machismo a única fonte da opressão de gênero, encobrindo a opressão a mulher que é provocada pelo capitalismo, defendemos que os objetivos do feminismo classista é: lutarmos pelo fim da desigualdade de gênero e pela emancipação da classe trabalhadora, entendendo que um está ligado ao outro e a vitória das mulheres trabalhadoras será a vitória de classe trabalhadora.
A partir dos avanços de nossos debates sobre o tema e entendendo a necessidade de lutas feministas mesmo dentro da classe trabalhadora, chamamos os interessados para construir conosco o GT Feminista Classista Libertárias, que é filiado a Rede Estudantil Classista e Combativa e pretende reunir mulheres dos meios estudantil, sindical e popular, para debater gênero desde um ponto de vista classista e lutar pela emancipação das mulheres proletárias!


O QUE É O COLETIVO LUTASOCIAIS?

O Coletivo LutaSociais é um organismo de base, classista e independente, filiado a RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) que reúne os estudantes de Ciências Sociais para lutar por uma universidade pública a serviço da classe trabalhadora.
Acreditamos que os meios de luta para alcançar nossos objetivos são: a) Democracia de Base (assembleias); b) Anti-governismo (contra UNE, UJS e as políticas neoliberais do estado burguês); c) Ação Direta (manifestações de rua, ocupações, greves, etc). Somente munidos desses meios podemos avançar nas conquistas construindo, pela base, uma universidade independente, livre do funil elitista do vestibular e da educação de mercadoria.
A estagnação e desorganização no Movimento Estudantil de Ciências Sociais (MECS) pede dos estudantes combativos advindos da classe trabalhadora a união e organização para barrar o governismo e as ofensivas neoliberais à educação. Nós enquanto estudantes de Ciências Sociais devemos nos aliar as classes exploradas e oprimidas, as únicas interessadas em revelar as contradições da realidade social. Para lutar por uma educação que sirva ao povo, e contra a educação de mercadoria e privatizadora, convidamos todos os estudantes combativos a construir conosco o Coletivo Estudantil de Ciências Sociais, o LutaSociais.

PELA REORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL PELA BASE!
UNIR PROFESSORES, SERVIDORES, ESTUDANTES E TERCEIRIZADOS PELA GREVE GERAL NA EDUCAÇÃO!
PELA EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES PROLETÁRIAS, CONSTRUIR UM MOVIMENTO DE MULHERES CLASSISTA E INDEPENDENTE!
CONSTRUIR UM MECS COMBATIVO NA UECE!
CONSTRUIR UMA UNIVERSIDADE A SERVIÇO DA CLASSE TRABALHADORA, CONSTRUIR A UNIVERSIDADE POPULAR!