Fortes chuvas voltaram a assolar a cidade de Nova Friburgo na região serrana do estado do Rio de Janeiro, neste novembro de 2012, gerando malefícios terríveis à população. Em janeiro de 2011, quando uma ocorrência semelhante fustigou a cidade, houve quem dissesse tratar-se duma infeliz confluência de fenômenos atmosféricos: fatores que se combinaram naquele momento por uma mera coincidência e que geraram uma chuva completamente atípica, a qual, probabilisticamente, só se repetiria daqui a muitas décadas.

Só que esse papo todo ? já é claro para todos ? não passa de forçação de barra para dizer que a ação humana não tem responsabilidade nesses desastres. Estes são consequencia óbvia do aquecimento global, fruto do aumento extremo do efeito estufa, aumento este gerado pela atividade industrial desenfreada, típica da sociedade de consumo.

Durante décadas, grupos e indivíduos que defendiam a causa ecológica foram ridicularizados. Os homens "respeitáveis" de nossa sociedade os tachavam de: maconheiros, bichos-grilo, veados, malucos, hippies... tudo isso colocado da forma mais pejorativa possível. A mídia criava programas humorísticos com personagens que servissem para caricaturá-los; as revistas sensacionalistas idiotas (como as "Veja" da vida) os chamavam de eco-chatos. Toda essa campanha difamatória, na verdade, tinha o objetivo de defender a sociedade produtivista, exploratória, consumista e todos os valores que favorecem a grande indústria em detrimento dos valores sociais e ecológicos; ou seja, tinha como objetivo defender o lucro em detrimento do povo e do planeta.

Mas agora o desequilíbrio ecológico gerado pela ganância da elite chegou a um ponto tal que está ameaçando a existência de todos. Os pobres continuam a ser os que mais sofrem, mas há riscos para todos, sem exceção. Em Nova Friburgo, por exemplo, muita gente da classe média alta foi atingida.

Hoje os governos e a elite econômica internacional ficam posando de defensores da ecologia, quando, na verdade, o que eles promovem é profundamente explorador e antiecológico. Vivem falando em desenvolvimento sustentável, mascarando o fato de que, quanto mais o Capitalismo se desenvolve, mais se desenvolvem exploração, ganância, competição desenfreada, desigualdade social e consumismo: tudo que atrapalha a harmonia entre os seres e o equilíbrio ecológico.

E o que fazer, então? Temos que nos modificar, admitir nossos erros e ter uma nova postura diante da vida. Por que aqueles que usavam o termo "eco-chato" não admitem hoje que foram preconceituosos? E que tal andar mais a pé ou de bicicleta em vez de recorrer sempre a automóveis? Podemos comprar roupas em brechós, frequentar (ou criar) feiras de troca em nossas cidades, reciclar materiais e, principalmente, combater o consumismo e a ideologia capitalista que o promove.

E, além de atitudes individuais, é preciso nos unirmos já. Mesmo que as consequencias positivas demorem, é importantíssimo darmos hoje nossos passos nessa caminhada em direção a um mundo mais harmônico. Se isso já tivesse feito há mais tempo, não estaríamos sofrendo com tragédias como as de Nova Friburgo e centenas de outras que afetam a Terra.