No Brasil, a Doença de Crohn ainda é pouco conhecida, usualmente as informações estão restritas aos portadores desse mal e seus familiares. ?Apesar de não estar ligada a uma síndrome genética específica, a doença tende a afetar indivíduos de uma mesma família, sendo que cerca de 20% dos portadores têm um parente com o diagnóstico?, alerta o médico Luiz Lobato, do Instituto de Coloproctologia de Brasília (ICB).

De caráter crônico, consiste em um processo inflamatório que acomete o trato intestinal ? em especial a parte final do intestino delgado e o intestino grosso, como o cólon, o reto e o ânus. Os sintomas podem variar de paciente para paciente, mas os mais comuns são cólicas, dores e distensão abdominal, diarréia, sangue nas fezes e perda relevante de peso. ?Algumas pessoas também podem ter secreção na região do ânus, lesões de pele e dor nas articulações?, informa Dr. Lobato.

Passível de ocorrer em qualquer faixa etária, atualmente está mais presente em adultos de 16 a 40 anos, afetando de maneira igual homens e mulheres. ?Vale lembrar que os fumantes possuem de 2 a 4 vezes mais chances de desenvolver a Doença de Crohn. Além disso, o tabagismo agrava significativamente os sintomas dos portadores da doença?, afirma Dr. Lobato. Quanto à origem, ainda incerta, pode estar ligada a alterações nos mecanismos de defesa do organismo e também a determinadas infecções por certos tipos de bactérias.

Controle ? Não há cura para a Doença de Crohn, mas o tratamento precoce medicamentoso é, em geral, capaz de controlar os sintomas. Entre os diversos remédios utilizados estão corticoides e outros agentes anti-inflamatórios, antibióticos, imunossupressores e aqueles conhecidos como biológicos. ?Apesar do tratamento com medicamentos ser, em geral, a maneira inicial de se tratar a maioria dos pacientes, é importante notar que cerca de 70% dos pacientes vão necessitar de intervenção cirúrgica em algum ponto de suas vidas?, esclarece o coloproctologista.

A cirurgia é realizada em casos mais complexos. Contudo, a técnica utilizada é a mais conservadora possível, isto é, busca remover apenas a região de intestino doente. Apesar do procedimento não ser curativo, muitos pacientes não precisarão ser operados novamente. ?É importante lembrar que tanto o tratamento clínico quanto o cirúrgico da Doença de Crohn possuem inúmeras particularidades, devendo ser realizados por uma equipe multidisciplinar composta por coloproctologista, gastroenterologista e outros profissionais da saúde com treinamento e experiência no manejo da enfermidade. E é imprescindível que o paciente faça um acompanhamento regular e siga à risca as recomendações médicas?, adverte Dr. Luiz Lobato.