Nas últimas noites a PM de São Paulo matou quase tanta gente quanto o Exército Israelense em Gaza. Mas a imprensa paulistana preferiu falar mais da Gaza no Oriente Médio do que das Gazas paulistanas. Por que motivo? Para proteger Geraldo Alckimin e seu pelotão noturno de fuzilamento de pobres, suspeitos e, eventualmente, criminosos.

A proibição constitucional da pena de morte está abolida em São Paulo. Cá qualquer PM pode avaliar, julgar e executar suspeitos, desde que a execução seja noturna e praticada na periferia.

"Não quero ver cadáveres no Alto de Pinheiros, Jardins, Morumbi, Paulista e em outros 'bairros nobres'" - deve ter dito Alckimin ao comandante das suas tropas.

"Assim será, Sire" - foi provavelmente a resposta do Coronel em chefe da PM.

Enquanto os jornais e telejornais afogam os paulistanos em notícias sobre Gaza (a do Oriente Médio), a PM afoga suspeitos em sangue todas as noites na periferia paulistana.

Na Gaza paulistana, entretanto, não há oficialmente uma guerra apesar da contagem assombrosa de corpos mortos e feridos. E o governador segue sorridente no Twitter, comentando sua agenda diária cheia de amenidades como se não comandasse os "batalhões noturnos e motorizados da morte".

Se estivessem vivos e viessem a São Paulo, Adolf Hitler e Joseph Stalin disputariam mortalmente uma aliança com Sire Alckimin. Não porque o governador de São Paulo seja grande coisa, mas porque comanda soldados disciplinados, porque ele tem à sua disposição assassinos fardados comprovadamente eficazes. Testados nos campos de guerra irregular urbana para o controle de populações empobrecidas e brutalizadas nas periferias da maior e mais rica cidade brasileira.

"Nenhum morto no Alto de Pinheiros, Jardins, Morumbi e outros bairros 'nobres' da capital" - comemorara o comando do tucanato paulista todos os dias durante o café da manhã governamental no Palácio dos Bandeirantes, enquanto consulta a Folha de São Paulo e o Estadão para ver se os barões da mídia continuam mantendo o compromisso de amenizar a situação aqui concentrando a atenção do leitor em Gaza (a do Oriente Médio). O ogro napoleônico que comanda o Estado sorrindo para uns (os bem nascidos e muito remediados) e mandando matar outros (criminosos por suspeição em razão de serem pobres) deve ter garantido aos donos da Casa Grande que a matança seria apenas na periferia, razão pela qual não recebe criticas jornalísticas contundentes escritas ou televisadas.

O ogro paulista está hoje tão blindado na mídia livre quanto Napoleão, Hitler e Stalin estiveram nos seus dias de glória. O que seria do país se Sire Alckimin comandasse blindados do Exército ao invés de viaturas da PM?