E agora Joaquim? Você nasceu pobrezinho e preto, como tantos outros que distantes de sua pessoa agora estão. O seu mérito tem a cor do esforço e da perseverança. Você venceu a ignorância porque estudou, sobrepujou seus adversários em concurso público porque teve nervos de aço e triunfou onde poucos triunfaram ou triunfarão.

Milhares de bacharéis saem das Faculdades de Direito todos os anos. Destes, uns poucos passam no Exame da OAB, um número ainda menor consegue fazer carreira pública. Mas o topo do topo de qualquer carreira jurídica apenas um entre centenas de milhares ou de milhões consegue galgar. Você, Presidente do STF. E agora Joaquim? O que você terá que fazer para não cair?

Os segredos do PT você desvendou ou inventou. Entre bicos e ilações, caretas e suposições, ferozes interrupções aos seus pares e ilações perigosas, petistas você condenou "porque sabiam o que estava ocorrendo", "porque só podiam comandar o esquema em razão dos cargos que ocupavam", "porque não provaram que não eram beneficiários ou articuladores do esquema"... E agora Joaquim? Os segredos do PSDB você vai desvendar ou esconder?

As presunções que para você provaram a culpabilidade de José Dirceu e de José Genuíno nunca estiveram lacradas num cofre. Não! Ambos já haviam sido condenados prévia e preventivamente pela imprensa, a mesma que o transformou em herói nacional antes do seu triunfo final.

Mas o mundo é sempre cruel. Quem hoje adula, amanhã... E agora Joaquim? Quando o "O garoto pobre que salvou o Brasil" - palavras da VEJA - tiver que sacrificar sua imagem no altar da imprensa para salvar o Brasil uma vez mais, mas não dos petistas (já presumidos culpados) e sim dos tucanos cujas provas provadas seguem desconhecidas do grande juri popular, saberemos se você é uma pantera indomável e invencível ou apenas um "tigre de papel" alpinista.

E agora Joaquim? Você triunfou. É rei africano entronizado num STF mulato, que sempre sambou alegrinho diante da Casa Grande evitando condená-la. Agora você tem todos os poderes regimentais excepcionais não compartilhados por meros mortais. Você pode condenar, mas também pode se auto-condenar. E agora Joaquim? Você vai ou não vai usar seu poder regimental para remover a proibição de acesso, exibição, discussão e julgamento do conteúdo das HDs do Daniel Dantas?

O patrono de patranhas provadas e processadas publicamente é cheio de ardis. Já encurralou Delegados da PF e quase acabou com a carreira de um Juiz Federal. E agora Joaquim? Que armas ele usará contra você? Um dossiê, talvez?

E agora Joaquim? Condenar petistas para agradar a imprensa não dói. Esta foi sua tarefa mais fácil e agradável. Doravante os entraves virão. Escancarar os podres da Casa Grande Tucana não será fácil, nem indolor será. O poder que da imagem pública decorre sempre escorre entre os dedos daquele que o ganhou e, iludido, deseja abusar dele justamente contra quem o concedeu ou sem autorização. Lembre-se do Demóstenes Torres, que também foi ungido pela VEJA e também ficou na mão.

E agora Joaquim? Você vai enfrentar o dragão na terra do sol, ou vai salgar o canteiro da Justiça para sair do cargo como nele entrou, com sorrisos e sem magoar o Ninguém que manda no Brasil?

O Ninguém, tem cara de Daniel Dantas, mas também usa máscara de Gilmar Mendes. O Ninguém está na Polícia Federal e no Parlamento, onde os Ministros do STF perdem seus cargos. Nenhum ainda perdeu. Mas quem disse que você não será o primeiro?

Quando as HDs do Daniel Dantas forem abertas, com provas provadas de tantos crimes maléficos medonhos milionários cometidos por muitos que dão rosto à Ninguém criatura que controla o país desde tempos imemoriais, pressupondo aqui que você terá coragem e ímpeto para fazer o impensável, a pressão será grande furiosa e irresistível. E agora Joaquim? Quem é que vai segurar você no cargo e na função, senão os petistas que você mesmo condenou por presunção?

Não. Nem todos o segurarão. Perdão, dirão, é mercadoria escassa que se deve gastar com quem perdoou. Eu decerto não o segurarei, quer porque não sou cristão, quer porque não acredito em perdão. Justiça, penso, se faz com retribuição. Quem bateu, tem que levar. Bateu num dos meus e levou pancada do meu adversário que um dia beneficiou? Tanto melhor. E agora Joaquim?

E agora Joaquim?