Esposa de sócio de Cachoeira, Diretora do Núcleo de Seleção da UEG, vai comandar concurso da PM de Goiás


Uma tarefa árdua e urgente a ser executada pelo novo secretário de Segurança Pública de Goiás, delegado da PF Joaquim Mesquita, vai ser rever o edital já publicado e divulgado pelo Governo de Goiás para o preenchimento de cargos da Polícia Militar e da Polícia Civil.
Se isso não for possível ao menos saber detalhe de como será feito o concurso pela UEG.
Sabe-se que a diretora do Núcleo de Seleção da universidade (UEG), Eliana Machado Pereira Nogueira, é esposa de Carlos Nogueira, sócio de Carlos Cachoeira no Jornal do Estado e no Canal 5 de Anápolis, uma emissora de tv transmitida via cabo através da Net.
Várias gravações interceptadas pela Polícia Federal, sob o comando do agora secretário de Segurança Pública de Goiás, mostraram que de fato o principal dono daqueles dois veículos de comunicação é Carlos Cachoeira. Como as empresas continuam funcionando em um prédio de propriedade de Cachoeira, entende-se que ele continua comandando as organizações, inclusive recebendo verbas tanto do Governo do Estado quanto da Prefeitura de Anápolis.
Não se pode dizer que a diretora do Núcleo de Seleção da universidade (UEG), Eliana Machado Pereira Nogueira, por ser esposa de um sócio de Carlos Cachoeira, possa estar a serviço da organização, mas não deixa de macular o concurso das instituições de segurança pública de Goiás.
Grupo de Cachoeira determinava até promoções de PMs em Goiás
Polícia Federal afirma que ex-comandante-geral acatou indicações feitas pelo braço direito de Cachoeira, Lenine Araújo de Souza. Essa afirmação é do jornalista Wilson Lima, do IG de Brasília, que afirmou ainda em reportagem que ?além de utilizar a estrutura da Polícia Civil e Militar para proteger o funcionamento de bingos, a organização criminosa comandada pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, também indicava membros da quadrilha para promoções dentro da Polícia Militar de Goiás (PM-GO), segundo o inquérito da Polícia Federal (PF) sobre a Operação Monte Carlo. O ex-comandante-geral da PM-GO, coronel Carlos Antônio Elias, negou qualquer influência do grupo de Cachoeira nos quadros da corporação?.
De acordo com o inquérito da PF, o capitão Antonil Ferreira dos Santos foi promovido pelo coronel Elias ?mediante exigências da Organização Criminosa?. ?O que demonstra possivelmente uma forma de a Organização Criminosa retribuir algum serviço ou favor prestado pelo referido capitão?, afirma o relatório. Antonil é apontado pela PF como um dos policiais responsáveis pela segurança ostensiva de cassinos em Valparaíso e pelo fechamento bingos concorrentes após ordens do grupo de Carlinhos Cachoeira.

A suspeita da PF ocorreu após a gravação de uma conversa entre o braço direito de Cachoeira, Lenine Araújo de Souza, e o coronel Elias, em 21 de dezembro de 2010. Conforme a investigação, eles discutiam possíveis promoções nos quadros da PM-GO. Durante a conversa, Lenine faz referência ao nome de Antonil. O então comandante-geral da Polícia Militar respondeu. ?Então, tá bom. Lá... tá defendendo gente boa, aí. Vamos pegar esses menino (sic) e ajudar eles?, declarou Elias conforme interceptação telefônica autorizada pela Justiça.
Em 23 de dezembro, foi publicado um listão no site da PM-GO contendo os nomes dos policiais promovidos por merecimento. O nome de Antonil estava entre eles. Seis dias depois, o agora capitão Antonil manteve contato com Lenine agradecendo a suposta indicação ao cargo. ?Oi moço. Tô te passando o rádio aí, só pra você, é... só pra te dar a notícia aí que eu ia.... minha Promoção saiu. Tranquilo! Eu peguei minha Estrela hoje e foi publicada agora de manhã no Diário Oficial?, declarou Antonil na conversa telefônica interceptada pela PF. Lenine respondeu. ?Se depender de nós, cê sabe que... O que tiver ao nosso alcance, a gente corre atrás mesmo?.
Para a PF, o coronel Elias também tinha recebido a promessa da organização criminosa de Cachoeira de permanecer no comando da Polícia Militar de Goiás. ?É porque, realmente, a gente deu a esperança pra ele, que ele pu..., talvez, pudesse continuar? afirma Eliane sobre o ex-comandante-geral da PM-GO, conforme a PF. O coronel também negou esse pedido de pagamento levantado pela Polícia Federal. ?Não teve isso não. Minha vida é totalmente aberta e transparente em relação a esses fatos?, declarou. Oficialmente, ele tinha a expectativa de continuar no cargo mais pelos ?bons serviços? do que por alguma eventual ligação com o grupo de Cachoeira.
Cachoeira, o empresário da comunicação

Dois canais de tevê a cabo, uma emissora de rádio, um jornal semanal e uma concessão de emissora aberta, registrados em nomes de terceiros, seriam controlados por contraventor Carlinhos Cachoeira; informação é do ex-prefeito de Anápolis Ernani de Paula (Brasil 247)

De acordo com publicação sob responsabilidade da Editoria Política do jornal O Globo, além da influência em grandes veículos da mídia nacional, bicheiro seria dono de, pelo menos, um jornal e duas TVs em Goiás. Em gravações, ele ainda aparece negociando verbas publicitárias públicas e privadas para meios de comunicação. Segundo jornal, além do Canal 5 e do jornal Estado de Goiás, Cachoeira também controlaria a agência de publicidade Maquinária e a TV comunitária do Canal 14. Todas estas empresas funcionam em um mesmo prédio, em Anápolis, também de propriedade de Cachoeira. Afirmou Vinicius Mansur, responsável pela matéria do jornal O Globo.
Já a editoria de O Globo de Brasília, afirmou em reportagem que ?Os documentos da Operação Monte Carlo, da Policia Federal (PF), revelam que o bicheiro negociava verbas publicitárias, inclusive oriundas de órgãos públicos, para veículos de comunicação. No dia 2 de março de 2011, às 15:58, Cachoeira é flagrado em conversa telefônica com o ex-presidente do Detran de Goiás, Edivaldo Cardoso. De acordo com a PF, Cachoeria ?fala sobre pagamentos a jornais e fala sobre jornal que foi contra Marconi [Perillo, governador de Goiás] (50 da Televisão local de Anápolis e 50 do jornal).”
Ainda em matéria do jornal O Globo indica que Cachoeira discutiu com Cardoso a partilha da verba publicitária do Detran, no valor total de R$ 1,6 milhão, e cobrou a fatura pelo apoio à eleição do governador. "Quem lutou e pôs o Marconi lá fomos nós", diz Cachoeira.
No dia 6 de julho, às 14:29, Cachoeira conversou com o então diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu, sobre o pagamento de mídia através de carros. Dois pro João e um para Anápolis?, diz o documento.
A televisão a que se refere Cachoeira é o Canal 5 de Anápolis, terra natal do bicheiro. A TV foi contratada para transmitir as sessões da Câmara Municipal. De acordo com a matéria a concessão do Canal 5 pertence a WCR Produção e Comunicação Ltda. que tem Carlos Antônio Nogueira, o Butina, como sócio majoritário, com 98 % das quotas.
Butina aparece em diversas conversas na investigação da PF que o aponta como ?um possível laranja? de Cachoeira. Em 26 de abril, às 14:46, ?Carlinhos orienta Botina sobre o que publicar na capa do jornal no dia seguinte?. No dia 29, às 10:47, ?Botina pede orientação sobre reportagem no jornal relacionado a problemas entre Fernandinho e a Prefeitura de Anápolis?. No dia 8 de julho, às 11:21, Butina avisa ao bicheiro que ?tem uma empresa que quer anunciar, colocar um jornalista pra fazer um trabalho e tal, tal, tal? e diz que ?se for uma proposta decente, aí eu converso com você?.
Segundo o jornal, a WCR passou a publicar o Jornal Estado de Goiás a partir de fevereiro de 2009, depois que Cachoeira adquiriu 50% da empresa. Ainda segundo o referido jornal, além do Canal 5 e do jornal Estado de Goiás, Cachoeira também controlaria a agência de publicidade Maquinária e a TV comunitária do Canal 14. Todas estas empresas funcionam em um mesmo prédio da cidade de Anápolis, na Avenida JK, 2343, também de propriedade de Cachoeira.

Os documentos da Monte Cartlo informam que no dia 4 de julho, às 15:20, ?Carlinhos confirma ao Senador Ataides que é dono do Jornal O Estado de Goiás?. Durante a conversa, Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), que é primeiro-suplente do senador João Ribeiro (PR-TO) e chegou a assumir o mandato por meses, pediu a Cachoeira ?acesso ao seu jornal que hoje é tão bem lido? .


FONTE: JORNAL O ANÁPOLIS
 http://www.oanapolis.com.br/v3/coluna.asp?name=POL%CDCIA&id=12751