A CORDA BRASILEIRO!


EU ACORDO
TU ACORDAS
ELE ACORDA
NÓS ACORDAMOS
VÓS ACORDAIS
E ELES? ACÓRDÃO?

Se o verbo acordar significasse o acordar, seu sustentáculo singelo e sutil, assim, como um verbo, aquele que se faz carne, ou como um farol que pudesse iluminar os atalhos repletos de arbustos espinhosos a nos forçar a atenção quanto à necessidade premente de buscar um caminho de humanização, afastando-nos desta tribo perversa que, através dos tempos, tem mantido sob suas garras toda a criação humana sob o argumento do progresso, estaríamos caminhando no processo evolutivo, colorindo esse umbral em preto, branco e vermelho sangue.

Os instrumentos educacionais, ou, como afirma Pedro García Olivo, ?a manufatura das prisões?, geram forças - sob o argumento da conveniência, sob o manto da religião, sob as égides das mentiras e da indolência, sob a preguiça ou, simplesmente, pela ambição em desfrutar uma vida materialmente mais confortável - nos regimes governamentais do tipo gerências, que nos obrigam a cruzar as mais perigosas fronteiras do que se entende como civilização, classificando o homem ? homúnculo - como o mais selvagem dos animais, em seu eterno retorno à selvageria, sob todas as suas formas.

No entanto, uma parcela muito pequena - apenas 5% da humanidade pensa -, atenta à finalidade para a qual a natureza a criou, aceitou a honra de atingir um grau de desenvolvimento por meio do qual estão obrigados, como seres racionais, a colaborar para retirar das garras dessa tribo, os 95% das colônias de formigas-operárias-soldados, escravizadas por orangotangos geneticamente modificados em bípedes cerebrais. Incansáveis, laboriosos, arrogantes e paramentados como monarcas, padres, juízes (carcereiros) ou polícias (mercenários e torturadores). E não nos esqueçamos de seus filósofos e sua ?manufatura do consentimento? (Noam Chomsky), travestidos de epistemo-lógicos.

Estamos diante de uma oportuna e já inadiável criação de uma nova espécie de ser humano (criatura) a partir de seus idealizadores (criadores). Aliás, num encontro de livres pensadores, tais humanos forneceriam as ferramentas teóricas com as quais engendrariam aquele super-homem já anunciado por Zaratustra, com o objetivo de orientar as próximas gerações. Todavia, inteligente seria admitir que todos são responsáveis pelo humano que virá, pois esta criação só pode ser coletiva. Afinal, somos todos responsáveis pela realidade na qual estamos submetidos cotidianamente, sob os falsos argumentos da cultura, liberdade de expressão dos horrores, da violência, da anarquia, da demência, da educação para a servidão, do terrorismo jornalístico, da propaganda para o consumo e desperdício, enfim, das mais variadas espécies de provas de insanidade, geradoras da psicopatia soberba e obediência cega.

?Nós, os democratas cristãos, republicanos cristãos, comunistas cristãos e, para não olvidar o óbvio, filósofos cristãos; pior, cientistas cristãos, estamos prontos a iniciar qualquer mudança, desde que não se toque em um fio dos longos cabelos brancos do deus judaico-cristão-ateu, e não se atrevam a modificar os exemplos de amor ao próximo que temos legado à humanidade deformando as palavras libertadoras do carpinteiro torturado. Nossos clãs e sua cultura bárbara através dos séculos (em nome de Deus e da democracia) decidiram permanecer por tempo indeterminado. Para tanto, nossas eternas homenagens aos nossos cultos macacos, especialmente aos filósofos, fisiologistas e psicólogos sociais que colaboram com suas drogas pacificadoras as teses que re-produzem nossa desrazão bárbara. Alimento. Envenenando corpos e espíritos, para todo o sempre, amém?.

Tudo para impedir o nascimento de uma nova mentalidade humana por meio do conhecimento das ciências, criadas com o esforço comum.

No Brasil, o aprimoramento da espécie humana deveria afirmar com urgência o real conceito da palavra cultura, dentro de uma só perspectiva, a perspectiva da esperança no futuro das novas gerações, contra essas tribos bárbaras, monarquistas, democráticas e cristãs, esses criminosos incorrigíveis, reincidentes e geneticamente degenerados que dominam o inconsciente coletivo. Geração após geração, sua genética fica mais perversa, diante de nossa inconsciência, nossa indolência, orgulho e falta de responsabilidade.

O homem-máquina pensa a máquina, reproduz a máquina e faz sua manutenção diária, debilitando e destruindo neurônios. Frases repetidas, as mesmas palavras, os mesmos temas, o mesmo acorde. Conteúdos em uníssono, fragmentados em homenagens diárias ao horror, sob a falácia da informação. E todos, aparentemente, estão de acordo. Nossos órgãos dos sentidos são alimentados por sangue, lágrimas e excrementos e nós, controlados mentalmente, continuamos alimentando a ficção da realidade, re-produzindo-a por ações e omissões diárias.

Viver se traduz em pagar impostos para sustentar nossos algozes gozadores. Somos apenas números de tribos abandonadas à própria sorte, desunidas em nome do dinheiro e servindo ao Deus abençoador das guerras. Todas as guerras, em especial aquela que existe em nosso interior, em nossa psique, em nossa mente cada dia mais atrofiada e cuja herança é imposta à nossa descendência.

Historicamente, aqueles que nascem com genes mais inteligentes, são sentenciados como rebeldes e criminosos. No entanto, só há vida na rebeldia e na resistência. Os rebeldes estão vivos. Quem resiste, existe. A vida é criação, não submissão ou repetição. Tudo o que se relaciona com a barbárie é morte, degradação, vileza, decomposição, portanto, mentiras, desafinação e acordes dissonantes. Notável é o artifício da comunicação e sua mensagem nada subliminar: as pessoas já não enviam mensagens, enviam armas de destruição: torpedos.

A partir de agora, ninguém mais apoiará reis, papas e soldados! A cultura será comandada pela razão! Ou reinventamos uma nova razão ou a razão permanecerá como a razão dos bárbaros; ou resgatamos a verdadeira ética que será tão verdadeira quanto mais aproxime as tribos dos homens num objetivo comum a todos os seres vivos, ou estaremos irremediavelmente condenados ao mergulho sem fim nos umbrais da barbárie humana. Sodoma. Gomorra. Apocalipses. Esta é a história sem fim da humanidade?

O nascimento de um homem é a assimilação da morte de várias espécies, em especial, do próprio homem, o espécime até o momento mais perigoso para o planeta e para si mesmo com seus processos de envenenamento-adestramento-educacionais, transformando-o no mais perigoso e repulsivo ser e, por isso, deve ser aniquilado por todos os meios. Uma cultura que possa alimentar todos os nossos sentidos, estabilizar nossas angústias e, assim, nos colocar em contato com nossa realidade interior, apiedando-nos de nosso sistema nervoso desequilibrado estrategicamente por psicopatas e seu cardápio de envenenamento.

A desafinação, em todos os sentidos nos quais a palavra possa ser empregada, adoece e mata. É desequilíbrio físico e mental. A cultura da morte, com suas desafinações reais, está re-conduzindo a tribo humana ao estágio primitivo da barbárie sob a bandeira da comunicação, dai, o aumento dos problemas cardíacos que afetam os mais sensíveis.

Há de se analisar, fria e racionalmente, o que os governos e sua imprensa têm feito com as crianças e socorrê-las. Como primeiro passo, retirá-las das escolas e afastá-las, com urgência, das tecnologias para a alienação e adestramento. Ou ninguém observa em seu filho ou filha, a caminho da escola, um soldadinho em miniatura em direção a campos de adestramento, com um peso desnecessário às costas, a aprender a dizer ?sim senhor?? Não vê a excitação sexual prematura em sua cria e sua frieza diante da violência? Não observa a exposição desenfreada de imagens obscenas, colaboração infame das empresas jornalísticas e seus macacos a soldo com a permissão dos governos-gerentes e a insistência doentia na grande mentira da liberdade de expressão?

O desprezo e a matança diária, aqui, ali e acolá. A antropofagia das multidões, em palavras, atos e omissões. O silêncio dos inocentes diante do avançar enlouquecido dos bárbaros, enquanto os humanos, temerosos e acuados, cerceados até no pensamento, reproduzindo por ação e omissão a manutenção dessa catástrofe não indica uma urgente indagação? Somos humanos? Somos livres? Somos racionais? Ou somos apenas trogloditas sádicos, suicidas e assassinos à espera da extinção?

Eu a-COR-do. Tu a-COR-das? Ele a-COR-da? Nós a-COR-damos? Vós a-COR-dais? E eles? A-CÓR-DÃO. Até quando?

Veremos.

Vera Vassouras