| Precisamos falar sobre o Facebook Por nadir.org 23/11/2012 às 15:18 Por muitos anos temos provido servidores e infraestrutura de comunicação para a esquerda. Temos feito o nosso melhor para manter servidores seguros e temos resistido por vários meios a requisições a dados de usuário/a feitas por autoridades.
Em resumo: tentamos oferecer uma forma de comunicação libertadora dentro da internet capitalista. Sempre vimos a internet como um recurso para nossas lutas, e ao mesmo tempo a reconhecemos como um terreno político controverso, e agimos em consonância com isto. Pensávamos que a maior parte da esquerda a enxerga da mesma maneira. Mas uma vez que mais e mais pessoas na esquerda tem "usado" o Facebook (ou o Facebook as tem usado), não temos mais certeza sobre isso. Ao contrário, nosso trabalho político tem sido insuficiente e exaustivo. A comunicação criptografada com servidores autônomos não é tida como libertadora, mas como irritante.
Disneylândia
Apenas não havíamos percebido que, depois de toda a tensão nas ruas e todas aquelas longas discussões grupais, muitos ativistas parecem ter o desejo de falar bastante no Facebook sobre tudo e todos. Não havíamos percebido que, mesmo na esquerda, o Facebook é a mais doce das tentações. Que a esquerda, como todo mundo, gosta de seguir a suave correnteza da exploração aonde ela não parece fazer mal nenhum e, mesmo só por uma vez, não precisar resistir. Muitas pessoas sofrem de má consciência. Embora isto possa levá-las a antever as consequências fatais do Facebook, isso não parece ter sido transformado em ação.
É realmente ignorância?
Só para dar um breve resumo do problema; ao usar o Facebook, ativistas não apenas fazem sua própria comunicação, sua opinião, seus "curtir", etc. transparentes e disponíveis para processamento. Ao invés disso -- e consideramos ainda mais importante -- eles/as expõem estruturas e indivíduos que tem pouco ou nada a ver com o Facebook. A capacidade do Facebook de investigar a rede atrás de relações, semelhanças, etc. é difícil de ser entendida por pessoas leigas. O falatório no Facebook reproduz estruturas políticas para autoridades e empresas. Este falatório pode ser pesquisado, organizado e agregado não apenas para obter declarações precisas sobre relações sociais, pessoas-chave, etc, mas também para realizar previsões, das quais se pode deduzir regularidades. Depois dos celulares, o Facebook é a mais sutil, barata e melhor tecnologia de vigilância disponível.
Usuários do Facebook como informantes não-intencionais?
Sempre pensamos que a esquerda queria outra coisa: continuar nossas lutas na internet e usá-la para nossas lutas políticas. É disso que se trata para nós -- mesmo hoje. É por isso que vemos usuários/as de Facebook como um perigo real para nossas lutas. Em particular, ativistas que publicam informações importantes no Facebook (muitas vezes não sabendo o que estão fazendo), que são cada vez mais utilizadas por órgãos de segurança pública. Poderíamos quase ir tão longe ao ponto de acusar esses/as ativistas de colaboracionismo, mas ainda não chegamos a este ponto. Ainda temos esperança que as pessoas percebam que o Facebook é um inimigo político e que aqueles/as que o usam fazem-no mais e mais poderoso. Usuários/as ativistas do Facebook alimentam a máquina, e assim revelam nossas estruturas -- sem qualquer necessidade, sem qualquer mandado judicial, sem qualquer pressão.
Nosso Ponto de Vista
Estamos cientes que falamos "de cima". Para nós, que trabalhamos por anos -- e muitas vezes ganhamos a vida -- com a rede e com computadores, administração de sistemas, programação, criptografia e muito mais, o Facebook surge quase como um inimigo natural. E desde que também nos consideramos como parte da esquerda, isto soma-se com a análise da economia política do Facebook, onde "usuários/as" são transformados em produto a ser vendido e tornam-se consumidores ao mesmo. O jargão para isso é "geração de demanda". Percebemos que não é todo mundo que lida com a internet de forma tão entusiasmática como nós. Mas que ativistas permitam que este Cavalo de Tróia chamado Facebook seja parte das suas vidas cotidianas, é um sinal e ignorância num nível crítico.
Instamos a todos/as: fechem suas contas no Facebook! Você está colocando outras pessoas em perigo! Aja contra esse monstro de dados!
Ainda: deixe o Yahoo! mail e companhia. Abaixo o Google! Contra a retenção de dados! Pela neutralidade da rede! Liberdade para Bradley Manning! Longa vida à descentralização!
Lute contra o capitalismo! Também -- e especialmente -- na internet! Contra a exploração e a opressão! Também -- e especialmente -- na internet!
Encha o saco de seus/suas camaradas. Mostre-lhes que ao alimentar o Facebook eles/as estão escolhendo o lado errado!
URL:: http://nadir.org >>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Nossa relação com o Facebook É assustador que o mito de um arquivo mundial contendo detalhes íntimos de cada um dos terráqueos tenha se tornado realidade. Já se foi qualquer pretensão de uma vida privada, os nossos maiores segredos agora são propriedades de uma empresa. Como disse um alguém em um fórum qualquer: ?o objetivo do Facebook é analisar e mercantilizar os nossos dados; tudo sobre todos os íntimos detalhes da nossa vida, dos nossos amigos, do nosso padrão de consumo, dos nossos amores, das nossas crenças políticas e religiosas, e por aí vai. O problema não está só nas pequenas coisas que postamos, toda a catalogação que eles podem construir é potencialmente incendiária. É o sonho erótico de um Estado policial?. O facebook aparece como um espaço que toma a troca constante de informações como experiência cotidiana, o que reduz a interação entre as pessoas à emissão e recepção de opiniões. Milhares de coisas acontecem no feed de notícias, mas no fim das contas parece que nada nos ocorre de fato. Sabemos sobre uma porção de acontecimentos, às vezes pensamos sobre eles e, em grande parte dos casos, contentamos nossa ação com um clique que ?curte? ou ?compartilha? o fato publicado. Quando algo lido nos comove um pouco mais (seja por empatia, por indignação ou qualquer sentimento), tecemos comentários que representam nossa participação no ocorrido. Com o uso do Facebook é possível perceber que existe uma vida virtual separada da realidade vivida. Enquanto que a primeira parece estar sempre em efervescência, a segunda nunca acompanha o mesmo ritmo. As pessoas confirmam presença nos eventos, curtem e compartilham postagens sem que isso cause o menor dos efeitos em sua vida cotidiana. O Facebook, que antes parecia uma grande arma para o Recife Resiste!, foi cada vez mais deixando de ser uma referência para aquilo que estamos vivendo. Ele movimenta muito menos do que fomos capazes de imaginar. Além disso, percebemos que muitas das movimentações pretensiosamente políticas que se amparam no Facebook como principal meio de interação, foram também se mostrando cada vez mais insignificantes. A vida virtual se separa e se destaca da realidade de uma forma que os pequenos momentos de interação ?ao vivo? se tornam meros ?eventos de facebook?, quando pretendiam ser poderosas mostras de intervenção urbana. Por conta de tudo isso percebemos a necessidade de termos uma relação diferente com o Facebook. Iremos aposentar a nossa conta pessoal e só funcionaremos a partir da página ? se você quiser continuar recebendo alguma notícia do rr pelo Facebook, procure por lá. Sabemos que com o Facebook podemos alcançar muitas pessoas na rede. Contudo, não nos interessa que o escoamento de nossas produções seja recebido com passividade. Se permanecemos no Facebook é por valorizar as lacunas que permitem suprir a necessidade de comunicação, produção e consumo de informação livre. Ainda assim, não podemos esquecer que o controle das informações está nas mãos de uma empresa. E o Facebook, por sua vez, está do lado da autoridade. Devemos ter todo cuidado com os conteúdos veiculados por essa mídia. Esse uso cuidadoso abre portas para visualizarmos uma única saída: fortalecer outros canais de contrainformação e construir outra rede de contato entre os coletivos e projetos que contribuem para a derrocada do capitalismo. Pretendemos manter a comunicação com aqueles que vivem as lutas sociais na vida cotidiana, porém, em especial, fora do Facebook. A internet oferece outros veículos seguros para potencializar a comunicação livre e aproximar iniciativas que estão à margem da tutela empresarial e do Estado. Para circular ideias perigosas com segurança temos que buscar, construir e utilizar meios alternativos na internet. Recife Resiste! http://reciferesiste.org/nossa-relacao-com-o-facebook/#comment-3168  | O Facebook vigia todos os passos de navegação de seus inscritos, mesmo depois do logout no serviço.
É preciso repetir esta verdade todas as vezes que alguém estranhar quando dissermos: "não tenho facebook".
Seria interessante que alguém viesse a criar um bom banner para os sites progressistas com a frase "não tenho facebook". Existem muitos web designers talentosos na esquerda que poderiam fazer algo a respeito. A luta é e sempre será nas ruas. Na internet, o Facebook deve ser usado para obrigar os fanáticos pelo policiamento, controle e vigilância a gastar mais e mais dinheiro e energia para tentar separar o que é fato do que é fábula. A luta é e sempre será nas ruas. Na internet, o Facebook deve ser usado para obrigar os fanáticos pelo policiamento, controle e vigilância a gastar mais e mais dinheiro e energia para tentar separar o que é fato do que é fábula.  | Já ouvi várias falas e li alguns textos sobre essa questão que é mesmo um tanto preocupante. Entretanto, quanto ao uso de redes sociais hegemônicas para trocar "informações", inclusive para manifestar simpatias políticas, acho que há certo exagero nas colocações do texto. Vou explicar porque acho isso: Há duas premissas atuantes no texto sobre o facebook que minha formação em linguística me leva a discordar. As premissas são: A) a linguagem é tida, pelos autores, como uma ferramenta ou veículo transparente para a "transmissão de informação" B)os sujeitos (ou as subjetividades) são tidos como transparentes (puro objeto de conhecimento) para um observador (externo, não-relacionado). Não duvido que o sonho de um Mark Zuck, ou de um Bill Gates seja a construção de um arquivo absoluto e pretensamente onisciente sobre toda a humanidade (isso até lembra um microconto de ficção científica: A Resposta de Frederic Brown), só não acredito no paradigma da teoria da informação que sustenta essa utopia capitalista. Acho que o facebook, o google etc. podem colher uma infinidade de "dados" sobre a multidão de usuários, o problema é a interpretação do montante desses "dados". Formam um todo inteligível ou resultam em "ruído"? Além disso, o texto sobre o facebook supõe um antagonista esclarecido e manipulador. Como se os capitalistas vissem "as coisas como elas realmente são"...
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