Mantemos a nossa independência frente a partidos políticos, Estado e seus governos, ONGs, empresas, e de todos aqueles que vêm nos dizer o que temos que fazer, com estruturas autoritárias e distantes de nossa realidade. Reivindicamos a autonomia porque é uma ferramenta para realizar nossos sonhos.

Fazemos as ações políticas a partir de nossas organizações sociais com a participação de todas e todos para criar um poder nosso, um Poder Popular. Desde o primeiro encontro nos propusemos a juntar nossas mãos e forças para mudar a realidade injusta e brutal de mais de 500 anos de opressão em nosso continente. Nessa América Latina que no final do século XX foi alvo das políticas neoliberais e do programa aplicado pelo Consenso de Washington promotor do livre comércio, das privatizações, da desregulamentação da economia, de reformas impositivas e da redução de gastos públicos. Nesse contexto, a ameaça vinha sob o a sigla ALCA, mas ao mesmo tempo eram diversas as lutas de resistência que impuseram derrotas parciais através da ação direta popular que derrubou governos, reverteu privatizações e colocou em xeque golpes de Estado. Foi desde então que o ELAOPA tem servido como um espaço de acúmulo de experiências organizativas diversas, fortalecendo os campos de atuação no meio popular, sindical, estudantil, comunitário, ambiental, campesino, etc.

Levando em consideração a realidade latino americana, é reconhecido que nessa última década tivemos algumas mudanças. No entanto, também devemos criticamente pontuar que essas mudanças tem encontrado limitações. Sabemos que existem diferenças importantes entre os governos neoliberais do passado e aqueles atuais intitulados de progressistas. Porém, ao mesmo tempo existem semelhanças estruturais entre esses governos e que se apresentam como limites para os sonhos de uma verdadeira emancipação da nossa gente.

Vivemos hoje uma tentativa de aliança entre os de cima e os de baixo, intermediada pelas políticas de conciliação de classes desses governos progressistas. Seguimos em nossas realidades com um modelo capitalista extrativista, sendo os principais países exportadores nos setores agro-mineral, entre aqueles que estão comprometidos com as principais multinacionais energéticas e de mineração do mundo. São essas concessões às multinacionais extrativistas aliadas as classes dirigente locais que garantem certa estabilidade financiando os crescentes gastos sociais que permitem a reeleição desses governos.

Estão em curso programas contra a pobreza e tem se registrado algum êxito na redução da miséria, mas isso tem sido conseqüência do crescimento econômico e não através da redistribuição da riqueza.

Na região os governos tem financiado projetos de infraestrutura em grande escala para vincular os setores agro-mineral aos mercados exportadores, devastando o meio ambiente sob a justificativa do desenvolvimento produtivo. Ao mesmo tempo, os projetos de integração na América do Sul evocam nos discursos desses governos a epopéia dos mártires que resistiram ao imperialismo colonial em busca da independência. Dessa maneira, tentam blindar os interesses das transnacionais através da Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sulamericana (IIRSA) com citações de Simon Bolívar, José Marti e Artigas.

Por isso afirmamos que para a emancipação dos oprimidos latinoamericanos o caminho segue sendo o da luta popular. A cooptação e o clientelismo são tentativas eficazes que sistema utiliza para nos fragmentar, mas não são capazes de sufocar a resistência. Seguimos firmes nas tarefas, organizando-se, lutando e resistindo na escala local, denunciando os projetos da IIRSA e fazendo o contraponto político e ideológico aos mecanismos de controle do sistema nesses cinco séculos de dominação em nosso continente. Vamos semeando a solidariedade, construindo o Poder Popular com independência de classe e promovendo a ação direta contra as injustiças. Pela integração dos que lutam!