Somos torcedores impedidos de ir ao estádio. Somos trabalhadores ambulantes impedidos de trabalhar. Somos moradores de favelas e ocupações despejados ou ameaçados de perder nossas casas. Somos sem terra e sem teto organizados em luta. Somos mulheres, somos crianças e adolescentes, somos LGBT e sofremos toda forma de violência e exploração sexual. Somos pobres, pretos, periféricos, e somos exterminados na calada da noite por um Estado terrorista. Somos o povo da rua, somos pessoas com sofrimento mental, somos trabalhadoras do sexo, expulsos do centro da cidade, internados compulsoriamente, presos sem condenação. Somos trabalhadores da construção civil, explorados e precarizados no nosso trabalho. Somos idosos e pessoas com deficiência discriminados. Somos cidadãos cujos impostos são desviados do orçamento público para o benefício particular de uns poucos. Somos jogadores e jogadoras de futebol e nossos campos de várzea foram tomados. Somos amantes do futebol. Somos 99% da população.

Desde que o Brasil foi anunciado sede da Copa do Mundo de 2014, diversos impactos tem sido sentidos pela população. Em vez de ser motivo de celebração do esporte mais popular do país e melhoria na vida das pessoas da cidade, a preparação para este megaevento tem sido utilizada para aumentar, acelerar, e intensificar violações de direitos humanos por toda a cidade.

Em primeiro lugar, as remoções forçadas de milhares de pessoas de suas casas sem alternativa de moradia digna, para dar lugar a obras viárias que nem sequer foram discutidas com a população, além de incêndios criminosos em favelas e da expulsão da população em situação de rua do centro da cidade num violento processo de limpeza social. A cidade está entregue ao mercado imobiliário e à especulação financeira numa lógica de megaeventos e megaprojetos, proibida aos seus habitantes. O transporte público representa uma humilhação cotidiana para os trabalhadores nos seus trens e ônibus lotados e exclui quem não pode pagar sua tarifa caríssima, enquanto o transporte individual é incentivado e priorizado.

Nas obras, a precarização dos direitos e condições de trabalho daqueles que constróem a cidade, e nas ruas a perseguição aos trabalhadores ambulantes, impedidos de trabalhar. Assistimos a um processo de militarização da cidade através de operações policiais que tem como alvo criminalizar, reprimir e exterminar a própria população ? especialmente pobres, negros e periféricos, e os movimentos sociais - militarização que pouco tem a ver com o combate ao crime, e se estende até o policiamento de condutas em que somos todos suspeitos. Nos estádios, torcedores são criminalizados, ingressos caros elitizam o acesso ao espetáculo e as manifestações da cultura do futebol, com bandeiras e instrumentos, foram proibidas. Para que tudo isso aconteça, a aplicação de mais de 30 bilhões de reais - dinheiro público - em obras para um evento que será acessível a poucos e que tanta falta faz na saúde, educação, moradia, transporte e no próprio esporte... Com o evento, cresce a exploração sexual de mulheres e crianças e o tráfico de pessoas para estes fins.

Pensando nesses impactos e na possibilidade de organização popular para resistir e fazer o contraponto a este processo, e entendendo que a cidade e o futebol são do povo e não de cartolas, entidades privadas como a FIFA ou a CBF, corporações como a Coca Cola, governos ou empreiteiras, o Comitê Popular da Copa SP - grupo aberto de articulação e resistência contra impactos e violações de direitos humanos da Copa do Mundo de 2014 em SP - e as organizações e coletivos abaixo assinados convidam os movimentos sociais, organizações e entidades de defesa dos direitos humanos, coletivos autônomos, artistas, jornalistas, estudantes, pesquisadores/as e trabalhadores/as em geral para que se somem à organização de um grande ato dia 1º de dezembro, data do sorteio das chaves da Copa das Confederações da FIFA em SP, com concentração a partir das 13h em frente à Ocupação da Rua Mauá, quando perguntaremos aos governos responsáveis por essa situação, afinal,
?COPA PRA QUEM??

As reuniões para organização do ato são abertas e tem acontecido na Rua Mauá, n.340. A próxima reunião será esta terça-feira dia 27/11 às 18h.

Para aderir ao manifesto, envie um e-mail com o nome da organização / coletivo / movimento para:  comitepopulardacopasp@gmail.com

Assinam o Manifesto "Copa pra Quem?":

Articulação Nacional pela Memória, Verdade e Justiça

APAC- Associação Potiguar dos Atingidos pelas Obras da Copa

Associação de Professores da PUC-SP (Apropuc)

Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Helian- Itaquera

Autônomos & Autônomas FC

Brava Cia.

Buraco D?Oráculo

Casa Mafalda

Central de Movimentos Populares (CMP)

Centro Acadêmico de Serviço Social - PUC SP (CASS PUC-SP)

Centro Acadêmico Ruy Barbosa (CARB)

Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos

Coletivo Canto Geral - Direito USP

Centro Santo Dias de Direitos Humanos

Coletivo NASA - ABC

Comissão Pastoral para a Caridade, Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo

Comitê de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes

Comitê Popular da Copa SP

Companhia Kiwi

Companhia da Revista

Comunidades Unidas de Itaquera

Conselho Regional de Serviço Social 9ª Região ? SP - CRESS

Cooperativa Paulista de Teatro (CPT)

CPT-Comissão Pastoral da Terra e Pastoral Carcerária

Democratização do Futebol

Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes

Escritório Modelo da PUC ? SP

ExNEEF Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física

Fanfarra do MAL (Movimento Autônomo Libertário)

Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo (FEDDCA)

Fórum da Assistência Social da Cidade de São Paulo

Fórum Permanente de Acompanhamento das Políticas Públicas para População em Situação de Rua de São Paulo

Grupo de Articulação para Moradia do Idoso da Capital (GARMIC)

Grupo Teatral Parlendas

Hangar de Elefantes

Instituto do Negro Padre Batista

Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)

Instituto Pólis

Instituto Práxis de Direitos Humanos

Jornal O São Paulo

Kombi do Rap ? São Caetano do Sul

Marcha Mundial das Mulheres

Movimento de Moradia Região Central (MMRC)

MDF - Movimentode Defesa dos favelados - Regiaõ Episcopal Belém

Mira Central - grupo livre de pesquisas sobre áreas urbanas centrais

Movimento de Sem Teto

Movimento de Teatro de Grupo

Movimento de Teatro de Rua de SP

Movimento Nacional da População de Rua (MNPR)

Movimento Passe Livre SP (MPL)

Movimento Salve Barroca - Em Prol da Vida

Núcleo de Antropologia Urbana da USP (NAU)

Núcleo de Defesa de Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores de Materiais Recicláveis - SP (NDDH-SP)

Núcleo de Direito à Cidade ? USP

Observatório das Metrópoles ? São Paulo

Ocupa Sampa

Pastoral Afro da Arquidiocese

Pastoral da AIDS

Pastoral da Moradia Arquidiocese

Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM)

Pastoral de Rua

Pombas Urbanas

Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo

Rede Jubileu Sul Brasil

Rede Rua

Salve Barroca ? São Caetano do Sul

Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU)

Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS)

Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM)

SINFRAJUPE Serviço Inter-Franciscano de Justiça Paz e Ecologia

Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César (SAMORCC)

Streetnet International

Tribunal Popular

União dos Movimentos de Moradia São Paulo (UMMSP)

Vila Nova Esperança