Danuza Leão fez a aristocracia carioca soltar suspiros de alegria ao criticar a infestação de pobres nos voos internacionais.

O problema da Danuza, meus caros, é complexo. Ela quer se distinguir dos simples mortais, dos pobres sem etiqueta e pedigree que enchem os aviões. Mas os donos das companhias aéreas querem os lucros advindos dos novos passageiros e não vêm qualquer diferença entre o dinheiro dela e o dinheiro dos demais.

O princípio que iguala todos os consumidores num regime capitalista é o dinheiro para consumir, não o nascimento, a etiqueta ou o pedigree. Portanto, Danuza precisa escolher se é ou não capitalista, se quer ou não viajar de avião e, sobretudo, se vai ou não compartilhar o mesmo banheiro que o povo brasileiro sobre o Atlântico.

Se ela resolver viajar de transatlântico, terá o mesmo problema. Pois os novos ricos que ela parece detestar mais do que os velhos pobres também navegam mares nunca dantes navegados para alegria dos donos dos navios de cruzeiro.

A única solução para Danuza, penso, é literária senão histórica. Doravante, quando viajar de avião ou de transatlântico, a colunista carioca - mumificada após dezenas de cirurgias plásticas que não a fizeram nem mais jovem nem mais bela - terá que levar seu OURINÓL (neologismo criado por Oswald de Andrade para sacanear os aristocratas paulistanos metidos a besta). Fazendo isto, além de mijar e cagar com distinção e requinte ela poderá se sentir igual a D. João VI. O rei, que tinha muito mais pedigree do que ela tem, nunca dispensou o seu sofisticado URINOL quando passeava pelo Rio de Janeiro no lombo de uma mula mansa.