O ato, organizado pela Associação dos Moradores da São Remo, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), entidades do movimento estudantil, Movimento Luta Popular, Núcleo de Consciência Negra da USP e Comitê contra o Genocídio da População Negra, denunciou a repressão policial dentro e fora dos muros da universidade, a perseguição da reitoria a trabalhadores e estudantes do movimento e a resistência em tornar público qual o projeto de urbanização pelo qual a comunidade do Jardim São Remo será submetida.

Há tempos os moradores da São Remo ouvem o boato de que a USP, em parceria com as secretarias estadual e municipal de Habitação, prepara um projeto de urbanização para esse território, já ocupado há mais de 40 anos. Apesar de serem justamente os que serão atingidos, nenhuma informação oficial a respeito chegou à comunidade. Um dia antes do ato a Associação de Moradores reuniu-se com Silvio Torres, secretário de Habitação de São Paulo, para exigir esclarecimentos e participação, mas a resposta foi a mesma que tem sido dada repetidamente desde que o tema veio à tona: ?estudos? ainda estão sendo feitos e por enquanto nada será revelado.

Nem mesmo a Defensoria Pública de São Paulo, acionada pelos moradores, conseguiu tirar da Procuradoria Geral da USP e das secretarias estadual e municipal de Habitação alguma informação. Os moradores seguem sem saber se serão desalojados, se terão garantido seu direito a moradia, se ganharão qualquer tipo de bolsa e, principalmente, se a urbanização será benéfica para os que ocupam o local já há décadas.

Opressão

Apesar de a comunidade lutar por melhorias no posto de saúde, por creche, pela direito à tarifa social da luz, entre muitas outras demandas, a forma pela qual o Estado tem se feito presente foi bem outra. No dia 30 de outubro a Rota invadiu o Jardim São Remo sob a alegação de buscar suspeitos por terem matado o policial André Peres. Comércios fechados, atividades educativas do circo escola suspensas, principais ruas fechadas, pessoas impedidas de saírem para trabalhar, humilhações, agressões físicas e casas reviradas. A PM está em todas as entradas da favela e vem fazendo-se cada vez mais presente também no espaço universitário.

É nesse contexto que os manifestantes fizeram uma caminhada pelo campus universitário e pararam em frente à reitoria - que recentemente implementou o "Bilhete USP" para o circular gratuito que vai da USP até o metrô Butantã para a comunidade universitária. Nenhum dos moradores da São Remo que trabalha em empresas terceirizadas ou prestadoras de serviço dentro da USP tem direito ao transporte. O ato terminou com um sarau e a promessa de que a mobilização não vai parar até que as reivindicações sejam atendidas.