Caetano Velos chama mídia de golpista mas diz que o Caixa 2, que ele chama de mensalão, não é golpe da referida mídia.

"Eu não compartilho com a visão de alguns petistas que dizem que isso é um GOLPE da MÍDIA GOLPISTA, acho isso ridículo e desrespeitoso com a população".

Dizer que o mensalão é um golpe da mídia golpista é um desrespeito com a população ou com a mídia golpista?

Caetano também alfinetou o Lula:

"Lula, logo que aconteceu (o mensalão) disse que tinha sido traído. Depois, dando a entender que o mensalão era caixa 2, disse que era uma coisa que todo mundo fazia no Brasil e que não tinha nada de mais. Agora está dizendo, ou insuflando as pessoas a dizerem, que se trata de golpe da mídia? Isso é um desrespeito."

Se alguém fosse ao Caetano denunciando o empresário do referido artista de ter roubado o artista, certamente o Caetano teria a mesma reação do Lula. Quando a poeira baixasse e o Caetano visse que as coisas não se passaram como lhe foi contado, ele iria dizer que não foi roubo. Se mesmo assim seu empresário fosse condenado por roubo, o que o Caetano diria?

Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Hoje o Caetano Veloso se alinha à elite truculenta que o perseguiu nos anos de chumbo para condenar o Dirceu e o Genoino, que como ele foram também perseguidos e sobreviveram por pouco.

Prá continuar aparecendo na mídia golpista, o Caetano condena o Dirceu e Genoino, chamando Caixa 2 de mensalão. Deve ter seguido aquele conselho estúpido: "Se não podes vencer teus inimigos, alia-te a eles". Caetano não resiste à tentação do lucro que advém de enganar os fracos:


"É evidente que o escritor deve dizer a verdade, não a calar nem a abafar, e nada escrever contra ela. É sua obrigação evitar rebaixar-se diante dos poderosos, não enganar os fracos, naturalmente, assim como resistir à tentação do lucro que advém de enganar os fracos. Desagradar aos que tudo possuem equivale a renunciar seja o que for. Renunciar ao salário do seu trabalho equivale por vezes a não poder trabalhar, e recusar ser célebre entre os poderosos é muitas vezes recusar qualquer espécie de celebridade. Para isso precisa-se de coragem. As épocas de extrema opressão costumam ser também aquelas em que os grandes e nobres temas estão na ordem do dia. Em tais épocas, quando o espírito de sacrifício é exaltado ruidosamente, precisa o escritor de muita coragem para tratar de temas tão mesquinhos e tão baixos como a alimentação dos trabalhadores e o seu alojamento." Brecht

Qual'é, Caetano, don't help them bury the light.