NA ESSÊNCIA DO PT
Em 2003, Lula e sua turma assumiram o poder imbuídos do propósito de nele permanecer por longo período. Ao contrário dos partidos tradicionais, tão achincalhados pelos petistas, o Partido dos Trabalhadores sempre se orgulhou do seu perfil ideológico, no campo do socialismo, e da sua influência sobre o sindicalismo e os movimentos sociais.

A primeira tarefa a que se dedicou foi o aparelhamento da máquina estatal com quadros do partido. Segundo a ótica de Lula e José Dirceu, tal se fazia necessário porque os quadros herdados das administrações anteriores não seriam merecedores de confiança. Assim, o preenchimento de cargos de direção e de execução em órgãos da administração direta, autarquias , estatais, e agências reguladoras, se fez muito mais por critérios de amizade, de militância no partido, e de fidelidade cega ao líder e menos em razão da competência, da qualificação profissional e da ética.

O resultado de tal processo, muitas vezes, foi a destituição de técnicos competentes e dedicados à causa pública, substituídos por pessoas desqualificadas, oportunistas, deslumbradas com o poder recém adquirido, e carentes de virtudes cívicas e de honradez pessoal.

A segunda tarefa a que se propôs foi a cooptação, a qualquer preço, de parlamentares não petistas. Aqui, a corrupção assumiu a forma de instrumento fundamental para a perpetuação do partido no poder. Para que tal ocorresse, seria necessário a aprovação de medidas de fortalecimento do Executivo, no mesmo sentido em que se trabalhava para enfraquecer e desmoralizar os demais poderes e instituições, em especial o Congresso e a imprensa. Parlamentares formados na escola do toma lá, dá cá foram os alvos preferidos do ataque petista.

A corrupção no governo petista tem, pois, duas vertentes derivadas do projeto de instalação de um poder autoritário: uma, como instrumento para a construção de uma base parlamentar submissa no Congresso, da qual resultado visível foi o Mensalão, agora em julgamento no STF; a outra, resultante de uma prática de apropriação do Estado, a se manifestar rotineiramente em escândalos, tráfico de influência , corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outras mazelas. O episódio envolvendo a chefe do gabinete da Presidência em SP, e outros altos funcionários da administração petista, é mais um é mais um a demonstrar os malefícios dessa prática para o estado democrático.

Embora os petistas argumentem que a corrupção agora praticada seja parte de um mesmo processo que se iniciou com a chegada das caravelas portuguesas, o fato é que a corrupção se tornou sistêmica neste governo. É, portanto,cada vez mais evidente que a corrupção está na essência do partido desde a sua ascensão ao poder .
301112