Desmoralizados pelos fatos no que se refere à inflação, os especuladores e seus ideólogos agora lançam uma nova ofensiva para voltar a almoçar de graça: o pibinho.

Querem criar uma relação de causa-efeito onde não existe, se valendo de uma falácia denominada 'post hoc, propter hoc', ou seja, se um acontecimento ocorre depois de outro, logo o acontecimento anterior é causa do acontecimento posterior. O galo canta, o sol nasce. Logo, é o cantar do galo a causa do nascer do sol. Os juros estão num patamar historicamente baixo e o PIB cresceu um pouco abaixo da previsão, logo, foi a queda da taxa de juros que fez o PIB cair.

Alegam que com a queda da taxa selic e dos spreads os bancos captam menos recursos e emprestam menos. Ora, idiotas, se a sociedade paga menos juros e menos tarifas bancárias, ela fica mais capitalizada.

A taxa de juros está relativamente baixa e o PIB cresceu abaixo da previsão mas as baixas taxas de juros não causa baixo crescimento. O PIB está crescendo abaixo da previsão não é por causa da baixa taxa de juros, é apesar dela. Se a taxa de juros ainda tivesse na estratosfera, talvez o Brasil estivesse estagnado.

A causa do crescimento do PIB abaixo da previsão é a estagnação das economias do primeiro mundo:

"O mais a produção capitalista se desenvolve, o mais ela tem que produzir numa escala que não tem nada ver com a demanda imediata mas que depende duma expansão constante do mercado mundial. Ricardo utiliza a afirmação de Say segundo a qual os capitalistas não produzem para o lucro, para a mais-valia, mas que produzem valores de uso diretamente para o consumo - para seu próprio consumo. Ele não toma em conta o fato de que as mercadorias devem ser convertidas em dinheiro. O consumo dos operários não basta, porque o lucro provem precisamente do fato que o consumo dos operários é inferior ao valor do seu produto e que ele (o lucro) é tão grande quanto o consumo é relativamente pequeno. O consumo dos próprios capitalistas também é insuficiente." Marx

O crescimento da economia depende da demanda efetiva externa (expansão do mercado) e da taxa de lucro. A taxa de lucro dos capitalistas brasileiros é uma das mais altas do mundo, tanto é assim que houve uma redução mínima das desigualdades sociais, o que redundou no aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores e na expansão do mercado interno, e os capitalistas nem sentiram a queda nos seus lucros. É a estaganção dos mercados do primeiro mundo o responsável pelo recuo do PIB em relação às previsões.

O Relatório da Unctad 2012 já tinha previsto tudo:

"...No entanto, as medidas de austeridade [nos países desenvolvidos] prejudicam a demanda nos mercados desenvolvidos e isso reduz as perspectivas de exportação dos mercados em desenvolvimento. Estes últimos "não poderão evitar uma desaceleração de suas economias e estão vulneráveis à contínua deterioração das economias desenvolvidas", garante a Unctad...."

Austeridade contra a crise desacelera economia mundial, diz Unctad
Mário Câmera

De Paris, para a BBC Brasil

Atualizado em 12 de setembro, 2012 - 15:52 (Brasília) 18:52 GMT

As medidas de austeridade adotadas por governos de países desenvolvidos para tentar conter a crise econômica mundial não estão dando o resultado esperado e ainda desaceleram a economia mundial e aumentam a desigualdade de renda. É o que afirma o relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), divulgado nesta quarta-feira.

Em seu "Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2012", a Unctad diz que os países desenvolvidos, como os da União Europeia, insistem no erro de não realizarem investimentos domésticos. Segundo a Unctad, essas políticas são responsáveis pelo crescimento econômico vir desacelerando em "todas as regiões do mundo"."

Tá ruim com os juros baixos, se eles voltarem a crescer, a tendência é piorar.