Israel voltou ao centro do debate internacional. É surpreendente que um país tão pequeno, desértico e irrelevante como Israel consiga ser o foco de tanta atenção midiática e tentação política.

A Palestina ganhou uma cadeira na ONU por voto da maioria dos países. O governo israelense anunciou, imediatamente, a construção de milhares de casas nos territórios ocupados.

Israel colocou-se acima da Lei ou fora dela. E mesmo assim os EUA apoiou a brutal, acintosa, provocativa e ilegal iniciativa israelense. Insanidade? Nem tanto. Os padrões de racionalidade ocidental não servem mais para julgar o comportamento destes dois aliados.

O governo norte-americano acredita piamente na invulnerabilidade dos EUA, no poder do seu país de fazer mal (a guerra) e ficar impune (em paz) em casa. Os gringos, que parecem viver numa sociedade milenarista, negam o valor da História e rejeitam uma verdade pueril: nenhum império foi eterno eterno, nenhum país deixará de resgatar em casa a brutalidade que exercitou alhures.

Israel, por outro lado, parece se relacionar com a História de maneira diferente. O culto da terra ancestral dada aos judeus por Deus no princípio da História Judaica, liga-se de maneira desconcertante com a narrativa do Holocausto que possibilitou a criação (ou recriação) de Israel. Mas à medida que nos distanciamos historicamente do Holocausto e o poder de sedução desta narrativa fundamental vai se desfazendo em razão da brutalidade cotidiana imposta aos palestinos, o governo de Israel reforça sua disposição de impor uma solução unilateral e pela força. Parece querer secretamente um ataque externo e um novo Holocausto de judeus que justifique ou pelo menos fundamente todos os crimes hediondos que tem sido cometidos pelas FDI nas últimas décadas ou então, o que seria bem pior, pretende ter um pretexto para exterminar todos os palestinos de uma só vez.

Este casamento entre a negação da História e sua afirmação brutal com vistas à renovação de uma tragédia fundadora (o Holocausto dos judeus) não vai acabar bem. É evidente que este mingau vai desandar, se já não desandou faz tempo.