Comentário postado por um anônimo no submundo "on line" onde se discutia o caso Rosemary e corrupção:

"Não querem descobrir, não investiguem."

No governo FHC a ausência de investigação era a regra, o arquivamento de denuncias pelo PGR também.

A história, entretanto, não poupou FHC, cujos assessores mais próximos da área econômica enriqueceram usando táticas do encilhamento (fato demonstrado e comprovado através do livro OS CABEÇAS DE PLANILHA) enquanto outros intermediavam negociadas durante a privatização (fatos deslindados em dois livros, A PRIVATARIA TUCANA e O BRASIL PRIVATIZADO).

O fato dos crimes cometidos durante a era FHC não terem sido investigados ou punidos, não faz do PSDB um bastião da ética. No limite faz do partido exatamente aquilo que ele foi e é: uma quadrilha mais eficiente e sofisticada do que o PT.

Ao contrário do FHC, Lula e Dilma deram à PF e ao MPF condições de investigar e de perseguir culpados, mesmo que estes estivessem dentro das fileiras do PT. Não há cinismo no discurso de Lula e Dilma, já no de FHC o cinismo parece ser a marca registrada.

O mito FHC, ou melhor, o mito do intelectual zeloso e líder político irrepreensível, uma espécie de "rei filósofo" platônico dos tempos modernos, não vingou. Não vingou porque entre as palavras de FHC e seus atos nunca houve unidade, nem tampouco o propósito de atender os interesses da maioria da população. Quando era jovem FHC falava em socialismo, quando chegou ao poder já envelhecido neoliberalizou a economia e privatizou o Estado em benefício de seus amigos e parceiros mais próximos. Isto a população não perdoou e não vai perdoar nunca. Os crimes prescrevem, mas as condenações políticas são e sempre serão duradouras.

Mesmo sendo sistematicamente perseguido pela mídia, Lula segue desfrutando seu carisma. Mesmo não tendo diploma universitário, o petista ganha mais que FHC para dar palestras e tem um público maior e mais variado do que o tucano. O que leva-nos a crer que quando ataca Lula, FHC é movido mais pela vaidade ferida e menos pelo amor à pátria.

FHC fracassou no poder exatamente como Díon, primeiro "rei filósofo" da História. Díon, que foi discípulo de Platão e chegou ao poder em Siracusa ajudando a derrubar um tirano imbecil e beberrão (uma espécia de Aécio Neves de siracusa), ficou no poder menos tempo que FHC e fez tantas patranhas quanto o tucano. O povo siracusano, entretanto, teve menos paciência que o povo brasileiro. Díon caiu em desgraça e foi colocado para correr de Siracusa. Apesar das turbulências, FHC não caiu ou foi derrubado durante seu mandato. E isto, meus caros, deu a ele alguma sobrevida midiática. Curiosamente, naquela época um dos líderes do PT que mais perseguiu os petistas que queriam uma política mais contundente e destrutiva contra FHC foi exatamente José Dirceu. O mesmo José Dirceu que os tucanos agora estraçalharam na mídia e no STF.

Vem daí minha birra com José Dirceu. Se durante o governo do PSDB o petista, que era Deputado e presidente do PT, tivesse pisado no acelerador e ajudado a derrubar o "rei do cinismo tucano", FHC já estaria preso, morto ou exilado. Mas José Dirceu foi tolerante e agora paga por sua tolerância recebendo em troca uma virulência destrutiva nunca antes vista neste Brasil (exceto aquela que foi devotada pelos meios de comunicação a Getúlio Vargas e João Goulart).

Quem tolera o golpismo da mídia, acaba vítima dele. Se Dilma não meter o ferro quente na ferida impondo ao Brasil uma Lei de Meios para limitar o poder político da mídia pode acabar como Goulart (exilada) ou como José Dirceu (inelegível e presa). Pé no acelerador, Presidenta, que o povo vai segui-la.