O CONGRESSO AFUNDA
No atual governo, o Congresso Nacional tem mantido, em relação ao Executivo, a mesma posição de subserviência e de dependência em que permaneceu nas últimas décadas. Esse status quo, que José Sarney instituiu, na década de oitenta, Fernando Henrique aperfeiçoou, nos anos noventa, e Lula consolidou, neste início de século, tem levado o Congresso ao descrédito porque impede que ele exerça, minimamente, as suas obrigações constitucionais.

O Congresso praticamente não legisla. Essa essa tem sido uma tarefa assumida pelo Executivo, através de medidas provisórias. O Congresso não fiscaliza, pois as gritantes irregularidades praticadas nos altos escalões do governo têm passado ao largo da investigação parlamentar, o que levou as CPIs, instrumentos fundamentais para a unção fiscalizadora do Legislativo, ao completo descrédito.

O Congresso tem sido pouco além do que um mero homologador das decisões do Executivo.. E poucos parlamentares manifestam lucidez para perceber que o legislativo se deteriora a cada momento que negligencia as suas funções básicas.

A maioria tenta usufruir da manutenção dessa ordem, pois é o lhe que possibilita a sobrevivência política . E assim, a única ação política a que se dedicam com esmero é votar cegamente com o governo e, como retribuição, receber as migalhas do orçamento e nacos do poder, com os quais esperam garantir a fidelidade dos currais eleitorais, que, ao final, sustentarão a continuidade de suas medíocres carreiras. Política, para essa gente, é isso.

Enquanto isso oposição parlamentar, quando também não se deixa corromper,e em que pese o seu reduzido número, faz o que pode, mas, as vezes, se comporta de maneira pífia, como se estivesse a pedir desculpas ao governo pela sua atuação.

A subserviência cega da maioria governista fica patente quando assistimos, como agora, ministros e parlamentares se apressarem, despudoradamente, a proteger uma amiga íntima do Lula e seus comparsas, envolvidos em graves irregularidades, impedindo-os de prestarem os esclarecimentos devidos aos, em tese, representantes do povo.

Nesse e em outros episódios recentes, fica claro que a cumplicidade entre membros graduados do governo federal e malfeitores do setor público contamina o parlamento, e leva parlamentares a se comportarem como cães de guarda de ações espúrias. Com tal comportamento, deputados e senadores acentuam a seu desapreço pelo pudor e pela ética, e afundam de vez o Congresso.
031212