Faz uma semana que a oposição jornalística ataca sistematicamente Lula, tentando ligá-lo ao escândalo Rosemary Noronha.

O grande fracasso intelectual da oposição é evidente. Apesar de ser liderada por escritores, diplomados e pós-graduados, a oposição política e jornalística limita a construir discursos empregando as táticas consolidadas por Arthur Schopenhauer no livro "Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão" (Topbooks, 2003).

A tática mais evidente é o ataque pessoal ao ex-presidente. Mas há outras muito usadas.

Se o país vai bem, o discurso jornalístico inventa sempre um "mas", "porém" ou "talvez" e passa a tomar a tese da oposição (de que a economia caminha para o buraco) como a prova de que o governo optou pelo caminho errado mesmo que os fatos demonstrem que agiu de maneira correta.

Quando alguém no governo é acusado de corrupção, a oposição amplia o foco das suspeitas para acusar Lula como se ele pudesse ser responsabilizado por todos os atos de todas as pessoas em todos os lugares. Em seguida passa a tratar as suspeitas como se fossem provas irrefutáveis do comportamento desviado ou desviante do ex-presidente. O absurdo do exagero liga-se neste caso a um argumento de tipo sofístico: o fato de Lula dizer "não sei de nada" seria a prova de que ele é "responsável por tudo".

Uma das táticas mais sujas da oposição é mudar o foco da conversa. Quando o governo decide implementar algo inovador e potencialmente benéfico ao país (como a ampliação do programa de bolsas de estudo no exterior), a oposição jornalística e partidária diz que as cotas na universidade produzem distorções e alimentam o racismo. Imediatamente passa a discutir apenas esta questão das cotas como se a outra (o programa de bolsas de estudo no exterior) não existisse.

O argumento da autoridade é sempre empregado contra o governo e o PT, principalmente nos telejornais. Especialistas nas mais diversas áreas, cujas ligações pessoais e intelectuais nunca são reveladas, estão sempre dando opinião contrária ao governo. Nenhum especialista que tenha opinião favorável ao governo é entrevistado. Quando alguém reclama do procedimento, a imprensa tucano/demonica sustenta que está ocorrendo uma violação à "liberdade de imprensa" ou algum tipo de censura.

Quando alguém é favorável ao PT ou ao governo, o interlocutor jornalístico acusa-o imediatamente de partidarismo (desqualificando a pessoa, desqualifica automaticamente seus argumentos), depois faz perguntas de maneira a inverter a ordem das coisas, tenta encolerizar o adversário ou manipula semanticamente suas respostas. Ao fim da argumentação do adversário, o jornalista ou telejornalista, já com o monopólio da última palavra, proclama a derrota do governo ou anuncia a vitória dos argumentos da oposição reforçando-os.

Outra tática suja empregada pela oposição tucano/demonica/jornalística é o da associação/dissociação. Quando tem que admitir que Dilma fez algo de bom, a imprensa a dissocia de Lula (mesmo que ela insista em se dizer que continuou e aprofundou as políticas do ex-presidente). Quando o Lula é acusado de corrupção (como no caso da Rosemary Noronha) Dilma é tratada como se fosse associada do ex-presidente e, portanto, membro da quadrilha dele.

Pessoalmente acho bastante divertido caçar pistas do discurso erístico da oposição nos jornais e telejornais. Dos políticos nada mais podemos esperar. Mas dos intelectuais podemos e devemos esperar algo mais. Quando dão demonstrações de partidarismo e incompetência intelectual (presumindo que ninguém mais conheça tão bem as táticas consolidadas por Schopenhauer), os jornalistas e telejornalistas nos fazem chorar... de rir.