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| | MARIGHELLA NA CASA DO FIM DA RUA Por Fábio de Oliveira Ribeiro 08/12/2012 às 07:31 Critica de dois filmes juntos misturados. MARIGHELLA NA CASA DO FIM DA RUA Por Fábio de Oliveira Ribeiro
Em 07 de novembro assisti dois filmes. Primeiro vi A CASA DO FIM DA RUA no cinema. Já em casa assisti MARIGHELLA, o belo documentário feito por Isa Grinspum Ferraz.
O que pode haver de ligação entre dois filmes tão distintos? O que os distingue: a política.
A CASA DO FIM DA RUA é um típico filme de suspense norte-americano concebido para distrair. Um garoto mata a irmã na infância e é obrigado a substituí-la pelos pais. Já adolescente ele mata os pais e reassume sua porção masculina, mas para compensar a falta da irmã, que foi obrigado a substituir por tanto tempo, ele rapta uma garota e a prende no porão da casa da família tratando-a como se fosse louca. A complicação ocorre quando ele se apaixona pela vizinha que mudou-se para a casa ao lado. Apesar dos vizinhos odiarem o psicótico, a personagem interpretada por Jennifer Lawrence se aproxima dele e ao final acaba descobrindo seu segredo.
MARIGHELLA narra a trajetória do emblemático líder de esquerda que lutou contra a Ditadura militar e morreu crivado de balas numa emboscada montada pelo Delegado Sérgio Paranhos Fleury. Protagonista das ações mais ousadas contra a Ditadura, Marighella emerge das sombras através dos documentos, fotos e depoimentos explorados com bastante cuidado por Isa Grinspum Ferraz.
A violência do protagonista do filme A CASA DO FIM DA RUA não tem propósito político. A de Marighella tinha.
Enquanto o personagem norte-americano reage ao meio de maneira patológica, o brasileiro reagiu a uma Ditadura da única maneira adequada: violentamente. Toda Ditadura se impõe pela violência e, em razão disto, autoriza uma reação igualmente violenta. O abuso da força na instituição do poder por tiranos que ignoram ou desprezam a vontade popular retira do novo regime qualquer legitimidade política, autorizando o uso da violência para restabelecer a ordem ou fundar uma menos tirânica. Não seria tirânica uma sociedade que permite aos pais agredir sistematicamente um filho para obrigá-lo a substituir a irmã morta?
A patologia do protagonista de A CASA DO FIM DA RUA mostrada no filme esconde uma outra bem mais grave: uma patologia social e política. O protagonista reagiu doentiamente à violência que sofreu em casa e que não foi interrompida pelo poder público no momento em que ocorria. A sociedade norte-americana tolerante (para não dizer negligente em relação aos abusos cometidos contra as crianças dentro de casa) e seu Estado ausente (para não dizer omisso em relação à proteção da infância) produziram o protagonista violento do filme gringo tanto quanto a Ditadura ajudou a produzir Marighella.
Nada na trajetória de Marighella indicava que ele tomaria o rumo que tomou. Preso e agredido nos anos 1930 por ser comunista, ele disputou eleições e se tornou Deputado Constituinte na década seguinte. Sua primeira opção política era pela legalidade, não pelo anonimato. Disputar pela palavra era sua vocação natural; o uso da força bruta foi consequencia de uma situação lhe imposta. Vem daí que ninguém pode dizer que Marighella era um criminoso nato ou que ele estava predestinado a comandar uma guerra urbana subterrânea. O golpe de estado de 1964 rompeu a legalidade, a subsequente repressão aos dissidentes e comunistas obrigou o líder baiano a reagir da única maneira possível naquele momento. Isto não é dito abertamente no documentário MARIGHELLA, nem precisaria.
Na verdade ninguém precisa dizer que um monstro é produto do seu meio. Basta mostrar o meio e o monstro. A ligação será feita por qualquer pessoa com inteligência mediana. A monstruosidade de uma Ditadura como a brasileira do período 1964/1988 é semelhante à monstruosidade da sociedade norte-americana que permite que crianças sejam agredidas até enlouquecerem (hipótese implícita no filme A CASA DO FIM DA RUA).
A diferença na maneira como se expressa a reação das vítimas da violência (política no caso de Marighella e patológica no caso do personagem do filme norte-americano) fica por conta da natureza das duas histórias (real num caso, fictícia no outro) e da clara distinção entre as culturas brasileira e norte-americana. Mas é sempre preciso lembrar algo importante: a ditadura brasileira foi construída pelos EUA e a realidade social norte-americana nunca sofreu qualquer influência positiva ou negativa do Brasil.
Penetrar na lógica do mundo para poder invertê-la é a tarefa do todo revolucionário. Marighella fez o que podia com os instrumentos que dispunha. Nós dispomos de outras ferramentas e podemos levar a luta ideológica ao coração da besta fera que produz tragédias políticas e familiares para poder contar histórias de maneira cinematográfica.
Email:: sithan@ig.com.br >>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Ás vezes a história transforma em heróis pessoas que eram na verdade burros sem remédio.
Quem teve o desprazer de ler o "Pequeno Manual do Guerrilheiro Moderno" pode concordar comigo. Um amontoado de baboseiras, parecendo uma redação de adolescente destilando seu ódio às autoridades.
Verifica-se ainda na "Obra" em questão diversos erros de concordância. Tabajara, é pra isso que o Marigha dava ouvidos e aceitava conselhos dos intelectuais AMIGOS dele... Esse Marighela não era somente um burro, e sim um psicopata perigoso. Basta ler o tal livro para saber disso. Acho que poquíssimos aspirantes a comunistas se dão a esse trabalho. Se o fizessem repensariam suas convicções.  | Ao contrário de muitos, ele leu a obra completa de Marighella, artigo por artigo, e a comentou no seguinte artigo:
PRÁTICA POLÍTICA RADICAL
Florestan Fernandes
(...) No cenário de violência decorrente da repressão policial-militar, a morte trágica de Carlos Marighella ofuscou a trajetória de sua vida. Vítima da ditadura,caiu baleado em uma emboscada infame, arquitetada e realizada com apuro. Sua presença já havia incendiado a imaginação dos jovens e de ampla parte da geração adulta com inclinação radical. Todos queriam limpar o Brasil dessa nódoa e esperavam a oportunidade propícia a manifestações incisivas.
O Marighella dos primeiros anos fora tragado no tempo e o "último Marighella" acabou sendo mal conhecido no conjunto de sua produção teórica. Ele percorreu o caminho da disciplina, mas evoluiu na onda de rebelião contra os métodos de direção do PCB. Nas duas etapas, ligadas entre si, a aquisição de experiência política legal e clandestina e o florescimento autônomo da prática revolucionária fervem no horizonte intelectual de um combatente ardoroso.
Contudo, é o "último Marighella" que interessa mais vivamente ao estudioso da transformação e crise da esquerda revolucionária. Ele rasga uma concepção do mundo original no Brasil. Vincula a herança clássica do marxismo à efervescência do pensamento contestador latino-americano. Não copia o "modelo cubano", dele extraindo apenas ensinamentos básicos. Em roteiro próprio, prefere aproveitar os dados de uma situação histórica que pedia uma representação de síntese. As circunstâncias eram propícias às tarefas a que devotou sua vocação crítica. A ditadura militar abriu brechas profundas em uma realidade sempre mistificada. A revisão histórica e política proporcionavam novas descobertas.
Ao golpear a sociedade constituída, a ditadura colocou em realce as debilidades do desenvolvimento capitalista e do Estado que favorecia os grão-senhores, da terra ou do exterior. O desmascaramento atingiu níveis audaciosos e originais.
Na outra ponta, o retraimento da direção do PCB exigia um ataque análogo. Nunca, antes, seus críticos chegaram tão longe ou foram tão inventivos. Nem mesmo os trotskistas faziam-lhe sombra, porque sua cisão mais importante trazia a marca de um paradigma teórico e prático também importado. Carlos Marighella alargou a teoria, para que nela coubessem as crueldades sofridas pelos de baixo; e estendeu a prática, incluindo nela coerência e firmeza. Porta-se com equilíbrio, ficando rente aos questionamentos essenciais.
Esse Marighella, que alcança a plenitude nos derradeiros anos, interessa a todos nós pela maneira de colocar a problemática do marxismo revolucionário no Brasil. Sua principal contribuição consiste em realçar a adequação política envolvida nas asperezas e nas possibilidades da sociedade brasileira. Sob muitos aspectos, aparece entre os grandes revolucionários da nossa época, que não assimilavam o marxismo passivamente, pois entenderam teoria e prática como resultantes de condições históricas específicas, combinadas a fins que se repetem em escala geral. Elaborou, desse modo, suas concepções de síntese, adequadas às atividades concretas, opondo-as às abstrações do padronizado ABC do comunismo. (...)
(in?A Contestação Necessária ? Retratos Intelectuais de Inconformistas e Revolucionários?, coletânea de artigos e ensaios inéditos de Florestan Fernandes, publicada pela Editora Ática alguns meses após a sua morte do sociólogo-militante, ocorrida em 1995.)  | Não se pode negar que foi criativa a rezenha comparativa que o Fábio fez de dois filmes tão diferentes, apontando analogias e dicotomias entre ambos. O que chamamos de raciocínio é justamente a capacidade de classificar na mesma categoria aquilo que no fundo é a mesma coisa, enumerar os pontos comuns, dar o mesmo nome a coisas que parecem diferentes e nomes diferentes a coisas que parecem iguais, e desta forma reduzir uma realidade complexa a um modelo esquemático simples, inteligível, onde tudo faz sentido.
Mas se o Fábio é, com certeza, inteligente, por outro lado não há nada mais patético do que uma inteligência desprovida de cultura, sem método, subjugada pela emoção. A capacidade de discernir transforma-se em capacidade de confundir - aos outros e a si próprio. É uma embriaguez, o que importa é reproduzir vezes sem conta a sensação de haver deslindado um esquema oculto que demonstre a malignidade dos inimigos e a excelência própria. A análise do Fábio tem várias linhas coerentes, mas generalizações apressadas fazem tudo derrapar até o ponto onde ele queria chegar desde o início, a execração aos EUA e a louvação a Marighella. Por exemplo:
- Não vou negar que ditaduras se impõem pela violência, e só podem ser combatidas pela violência: não há nada de patológico aí, é simplesmente uma guerra. Marighella não era um psicopata. Mas o Fábio dá a entender que a violência de Marighella foi uma reação à ditadura instalada em 1964, quando na realidade o projeto revolucionário de Marighella e de outros guerrilheiros nada tinha a ver com o fato do Brasil estar vivendo ou não uma ditadura, mesmo porque eles não reconheciam o regime constituicional pré-1964 como legítimo, posto que se tratava de uma "democracia burguesa", no dizer deles. Os primeiros guerrilheiros das ligs camponesas foram enviados para fazer curso em 1962, dois anos antes do golpe. Nenhum manifesto lançado por Marighella clamava pela restauração do regime pré-1964, ou pela restituição do ex-presidente Goulart. Não era a luta de democratas contra uma ditadura, mas uma luta entre duas ditaduras.
- Em seguida, o Fábio faz uma simplificação grosseira ao culpar toda a sociedade norte-americana pela violência sofrida pelo protagonista do filme, que produziu seu estado patológico: "o protagonista reagiu doentiamente à violência que sofreu em casa e que não foi interrompida pelo poder público no momento em que ocorria".
Mas eu pergunto, isso só aconteceu dessa forma porque aconteceu nos EUA? Em outros lugares nada disso poderia ter acontecido?
A história é fictícia, mas situações parecidas, com psicopatas mantendo pessoas em cárcere privado por longos anos, já ocorreram na vida real em diversos lugares do mundo. Poderiam os poderes públicos, nos EUA, no Brasil ou em qualquer outro lugar, mostrarem-se tão eficientes em sua vigilância a ponto de controlar tudo o que se passa entre quatro paredes?
E mesmo se pudessem, tal invasão de privacidade não seria uma violência ainda maior? Os tais poderes públicos não poderiam se julgar no direito de ditar o que é bom para os outros, ditatorialmente?
- Diz o Fábio: "a ditadura brasileira foi construída pelos EUA e a realidade social norte-americana nunca sofreu qualquer influência positiva ou negativa do Brasil". Realmente, o quadro social norte-americano não teve nenhuma influência brasileira. Mas dizer que a ditadura brasileira foi construída pelos EUA é outra simplificação grosseira. Os EUA só deram apoio financeiro aos adversários de Goulart, o apoio militar eles nem precisaram dar. Aceitar o apoio de X não é sinônimo de obediência cega a X; se fosse assim teríamos motivo também para afirmar que os comunistas brasileiros não passavam de marionetes de Moscou, e nem eu, que sou direitista, acredito nisso. O regime cubano também recebeu apoio da ex-URSS, e nem por isso afirma-se que tal regime foi construído por Moscou.
É vício do esquerdista transferir as responsabilidades de indivíduos para coletivos: a culpa é da sociedade como um todo, de um país estrangeiro, nunca do indivíduo.  | "Eu juro matar todo aquele que tentar destruir nossa amada democracia".
Este era o juramento que todos os cidadãos passaram a fazer em público depois que a democracia foi restabelecida em Atenas ao fim do Regime dos Tiranos (imposto por Esparta aos atenienses ao fim da Guerra do Peloponeso).
Tirania é violência, portanto, pode e deve ser combatida com violência.
Pedro Bundin me acusa de ser ilógico, mas ilógico na verdade é ele. Ele defende a Ditadura de 1964 como se ela não tivesse sido imposta pela força bruta, mediante insubordinação dos militares (João Goular, o Presidente, era o comandante em chefe das Forças Armadas por força da Constituição de 1946) e com o rompimento da legalidade democrática. A participação dos serviços secretos dos EUA e da Inglaterra na preparação ideológica do golpe de 1964 é fato bem documentado. PORTANTO, OS MILITARES QUE ADERIRAM AO GOLPE SERVIAM POTÊNCIAS ESTRANGEIRAS E DEVEM ENTRAR PARA A HISTÓRIA COMO TRAIDORES e não como heróis (que é o que o Bundin no fundo deseja).
O problema do Bundin é sempre o mesmo. Ele diz que quem lutou pela democracia (Marighella e tantos outros) não tinha legitimidade, que a legitimidade estava do lado da Ditadura.
Só mais uma coisa. Minha inteligência independe de elogios. Tenho em bem pouca consideração aqueles que praticam a arte da adulação para enfiar uma faca nas costas do adulado. Roberto Marinho e aquele cachorro chamado Marechal Castelo Branco, ambos, adulavam João Goulart antes do golpe de estado. Esta lição, a da traição vil dos aduladores, nenhum brasileiro com mediana inteligência pode ou deve esquecer.
Aos demais que atacam Marighella só posso dizer uma coisa. Morram de INVEJA, pois além de escrever um Manual de Guerrilha que se tornou conhecido no mundo inteiro (Marighella foi o único brasileiro a escrever algo tão difundido e tão importante para a política da Europa nos anos 1970), de fazer História no Brasil ele acabou tendo a vida documentada em vídeo. Quantos de vocês podem dizer que fizeram isto?
 | Mariguela ficou famoso assim como Geise Arruda...
Surgiu do nada para o nada e por acaso.
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