Esclareço de forma sucinta que desde que foi feito o convite para CMI Floripa de compor uma mesa de discussão sobre produção independente na Semana de Integração do CFH o coletivo não confirmou sua presença, por engano da organização do evento fomos colocados na programação.
Não aceitamos porque o CMI Floripa não é um coletivo de artistas e nem produtores culturais, e sim de mídia participativa que desde 2004 atua com recursos do próprio bolso doações (raras) com o objetivo de dar visibilidade às lutas sociais dos setores que não tem visibilidade ou que são alvo geralmente das manipulações da grande mídia.
Qualquer pessoa pode consultar nossos bancos de dados irá encontrar um numero muito grande de imagens, jornais poste, áudios e vídeos produzidos por nós sem recursos de empresas e do Estado, por outros coletivos de mídia e por militantes que estão no olho do furacão das lutas sociais. São anos de autonomia econômica e política em prol de uma sociedade mais justa e igualitária de forma voluntária.
Nossas voluntárixs e ex voluntárixs são conhecidxs por suas atuações tanto no coletivo local como em outras organizações políticas e movimentos sociais, nesse caso, não é novidade para esquerda da cidade que nossa orientação política é definida por princípios organizacionais herdados dos movimentos dos trabalhadores, dos novos movimentos sociais e especialmente pelos movimentos de ação direta. Não queremos e não ser especialistas em transformação social, somos avessxs a vanguardismos e expressamos nossa solidariedade ao povos em luta, como diz Gabriel Pombo ?(...) com um passo firme que não retrocede diante de nada e um sorriso largo como claro.com um coração amoroso que se desnuda diante do camarada. com uma mão doce e a outra armada?.
Por esse motivo não tivemos motivos para sentar a mesa sobre produção cultural com a representantes da Rede Fora do Eixo, uma organização orientadas pelo modelo de indústria criativa que hoje circulam pelo meio estudantil buscando cooptar estudantes para servirem de mão de obra para sua forma empreendorismo pós- fordista.
O pós-fordismo é uma etapa do capitalismo tudo aquilo que é passível de ser convertido em informação pela codificação digital e capaz de gerar inovação, pode ser capturado pelo fluxo informacional dos circuitos produtivos das redes. Isso inclui tanto as músicas, os softwares, as imagens, os conhecimentos científicos quanto as culturas e seus saberes subjetivos e intersubjetivos, e até mesmo os códigos genéticos.
O cerne da produtividade do capitalismo informacional se encontra no emprego do uso das tecnologias de geração de conhecimento, de gerenciamento de informação e de comunicação de símbolos, já que após passarem pela digitalização ? que os transforma em bens informacionais - tornam-se valiosos por agregarem valores de uso e troca. Isto não ocorre por suas propriedades físicas ou materiais, mas sim pela carga dos sentidos socialmente compartilhados que carregam.
O que o FdE faz na universidade, desde o UFSCTOCK, ampliar o escopo do modelo indústria criativa como uma alternativa ao capitalismo, mas o modelo que empregam camuflado de ativismo é capitalista, um modelo de negócios que se estabeleceu como uma extensão da indústria cultural. Porém fugindo do debate clássico de mercantilização da cultura de Adorno e Horkheimer, enfatiza a relação entre a criatividade e economia no sentido de produção e circulação de bens simbólicos. O modelo abrange, incluindo no foco das políticas, tanto as indústrias culturais (editorial, fonográfica e audiovisual), como todo setor de comunicação (rádio, TV e Internet), chegando até os setores nos quais a dimensão cultural está subordinada a finalidades funcionais como o design, a moda, a publicidade e a arquitetura. A expressão nasceu nos anos 1990, no âmbito das políticas públicas voltadas para necessidade de revitalização de determinadas regiões urbanas, classificando as atividades culturais e enfatizando o papel da arte e da cultura na promoção e inovação econômica (LIMA. 2006). Primeiro na Austrália, em 1994, e depois na Inglaterra em 1997, durante o governo trabalhista de Tony Blair, a indústria criativa foi reconhecida como um setor específico da economia que necessitava de investimentos estatais para potencializar seu expressivo ritmo de crescimento (MIGUEZ. 2007).
Apesar do discurso relativamente progressista dos agentes da indústria criativa na sociedade civil, no mercado e no Estado ? que a descrevem como uma nova estratégia de desenvolvimento capaz criar empregos e divisas, promover a inclusão social, diversidade cultural e direitos humanos ? seus vínculos (micro e macro) apontam para a revitalização e reestruturação do capitalismo após a crise do paradigma fordista. A sustentação do modelo de negócio da indústria criativa é que a criatividade é seu elemento central, ela é necessária para produção de propriedade intelectual e a subseqüente criação de commodities e comercialização. Nesse sentido a cultura, comprimida como sinônimo de bens culturais nesse modelo de negócio, adquire valor não por suas propriedades físicas ou materiais, e sim pela carga dos sentidos socialmente compartilhados que carregam.
Outras questões:
Por mais que política de incentivo a cultura esteja oscilando entre uma economia social da cultura e o modelo proposto pelo FdE outro fato importante é que o FdE não apresentou prestação de contas dos dois últimos UFSCTOCKs realizados na UFSC, e que o DCE que fez parte também da organização do evento até agora se manteve calado, infelizmente descumprindo o que prometiam na época de eleição ao afirmar que trariam o UFSCTOCK de volta para os estudantes.
A minha avaliação sobre tudo isso foi que o convite feito ao CMI fazer parte da mesa se deu em contexto onde há grupos há grupos no movimento estudantil do CFH que apesar de não concordar com as práticas do FdE fazem uma política de boa vizinhança com essa esses coletivos empresa, algo inaceitável e que tem como conseqüência a captura de nossas lutas por coletivos empresas.