O alvo do Ex-Guerrilheiro não era o STF, era na Câmara que ele queria fazer o massacre. Foi um aberratio ictus.

A rajada de metralhadora foi registrada por cinegrafistas, são imagens muito fortes, tirem as crianças da sala.

"Um atestado de nosso subdesenvolvimento político e mental, pior e mais duradouro do que o econômico (o qual, dizem, já superamos, embora eu não veja como nação desenvolvida uma que tem distribuição de renda tão desigual e IDH tão vexatório) E A ABSOLUTA INCAPACIDADE DE COLOCARMOS VALORES E PRINCÍPIOS ACIMA DOS INTERESSES IMEDIATOS.

O que conta são os beneficiários e prejudicados em cada episódio; racionálias (oportunistas) servem apenas como MUNIÇÃO, daí a FREQUENTE INCONGRUÊNCIA COM A POSIÇÃO ADOTADA ANTERIORMENTE, QUANDO A MESMA SITUAÇÃO BÁSICA SE APRESENTA MAS SÃO OUTROS OS PERSONAGENS ENVOLVIDOS."

O alvo do Celso Lungaretti eram os Deputados Federais e 4 Ministros do STF, esses, que saíram ilesos do tiroteio juntamente com os parlamentares da Câmara Federal, atraíram a fúria do Ex-Guerrilheiro em razão de (pasmem) admitirem a sandice 'TOTALMENTE INCONCEBÍVEL DO EXERCÍCIO DE MANDATO POPULAR POR PARTE DE UM PRESIDIÁRIO, DURANTE O CUMPRIMENTO DA PENA, o que avacalharia de vez a imagem do Judiciário aos olhos do cidadão comum, e aqueles por não cederem no braço de ferro que se esboça entre o STF e a Câmara Federal. em benefício de uma 'DEMOCRACIA' penosamente conquistada e que não deve ser colocada em risco em função de pendenga tão bizarra. Ou seja, o Celso Lungaretti se embucetou com os Deputados Federais porque eles não concordam com a tentativa do STF de violar o disposto no § 2º, inciso VI, do art. 55 da CF, que estabelece que perderá o mandato o Deputado ou Senador que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado, sendo a perda do mandato DECIDIDA pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada AMPLA DEFESA.

O Celso quer que a perda dos mandatos dos Deputados condenados seja automática, à revelia da Constituição, para evitar a sandice de um condenado legislar, já que para o Celso, da mesma forma que para o Quinteto do STF encabeçado pelo Joaquim Barbosa, a Cãmara não é beneficiária da dúvida. O motivo do massacre foi o fato de seu desejo de cassação automática dos mandatos dos deputados condenados pelo STF ter sido contrariado por 4 Ministros do STF e pela Câmara Federal. Só que o Celso Lungaretti atirou no que viu e acertou no que não viu, pois os Ministros do STF que foram abatidos e o Ministro que está gravemente ferido e internado, correndo risco de vida, tinham o entendimento de que é competência da Câmara dos Deputados ou do Senado decidir a perda dos mandatos dos parlamentares que sofrerem condenação criminal transitada em julgado. Mudaram seus entendimentos em relação à posição anteriormente adotada, quando a situação básica que se apresentava era a mesma mas eram outros os personagens envolvidos.

Em 1995, o posicionamento da vítima Celso de Mello, que está internado na UTI do Hospital de Base de Brasilia, era o abaixo transcrito:

"O congressista, enquanto perdurar o seu mandato, só poderá ser deste excepcionalmente privado, em ocorrendo condenação penal transitada em julgado, por efeito exclusivo de deliberação tomada pelo voto secreto e pela maioria dos membros de sua própria Casa Legislativa",

Veja abaixo que Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ayres Britto e Cezar Peluso, disseram em 2011 que não cabe ao STF, mas a Câmara dos Deputados decidir sobre a cassação ou não de mandato de deputado. Os votos abaixo são do acórdão do julgamento do deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA), condenado pelo STF em 8.set.2011 por esterilização ilegal de mulheres no interior do Pará:

Luiz Fux, revisor - página 173 do acórdão:
"Com o trânsito em julgado, lance-se o nome do réu no rol dos culpados e oficie-se a Câmara dos Deputados para os fins do art. 55, § 2º, da Constituição Federal."

Marco Aurélio - página 177 do acórdão:
"Também, Presidente, ainda no âmbito da eventualidade, penso que não cabe ao Supremo a iniciativa visando compelir a Mesa diretiva da Câmara dos Deputados a deliberar quanto à perda do mandato, presente o artigo 55, inciso VI do § 2º, da Constituição Federal. Por quê? Porque, se formos a esse dispositivo, veremos que o Supremo não tem a iniciativa para chegar-se à perda de mandato por deliberação da Câmara".

Gilmar Mendes - página 241 do acórdão:
"No que diz respeito à questão suscitada pelo Ministro Ayres Britto, fico com a posição do Relator, que faz a comunicação para que a Câmara aplique tal como seja de seu entendimento."

Ayres Britto (já aposentado) - página 226 do acórdão:
"Só que a Constituição atual não habilita o Judiciário a decretar a perda, nunca, dos direitos políticos, só a suspensão".

Cezar Peluso (já aposentado) - página 243 do acórdão:
"A mera condenação criminal em si não implica, ainda durante a pendência dos seus efeitos, perda automática do mandato. Por que que não implica? Porque se implicasse, o disposto no artigo 55, VI, c/c § 2º, seria norma inócua ou destituída de qualquer senso; não restaria matéria sobre a qual o Congresso pudesse decidir. Se fosse sempre consequência automática de condenação criminal, em entendimento diverso do artigo 15, III, o Congresso não teria nada por deliberar, e essa norma perderia qualquer sentido".

O que será que rola por trás das cortinas, a ponto de fazer com que uma coisa tão clara de si mesma, como esse comando constitucional, seja embrulhado, embaralhado, e a verdade posta em dúvida? Respondam-me, meus botões.

Com toda essa malandragem rolando na nossa Suprema Corte, eu me lembrei do velho Thomas Morus, o qual escreveu em sua obra Utopia:

"Outro ainda, enfim, aconselha ao Monarca ter à disposição Juízes sempre dispostos a sustentar, em todas as ocasiões, os direitos da coroa. Vossa Majestade, acrescenta ele, deveria chamá-los à Corte, e persuadí-los a discutir, perante a vossa augusta pessoa, os próprios negócios reais. Por pior que seja uma causa, haverá sempre um Juiz para julgá-la boa, seja pela mania da contradição, seja por amor da novidade e do paradoxo, seja para agradar o soberano. Então, uma discussão se trava; A MULTIPLICIDADE E O CONFLITO DE OPINIÕES EMBRULHAM UMA COISA DE SI MESMA MUITO CLARA, E A VERDADE É POSTA EM DÚVIDA. Vossa Majestade aproveita o momento para resolver a dificuldade, interpretando o direito em proveito próprio. Os dissidentes se submetem à opinião real por timidez ou por temor, e o julgamento é dado, segundo as formalidades, com franqueza e sem escrúpulo. Faltarão jamais ao Juiz, que dá uma sentença a favor do Príncipe, os necessários consideranda? Não há o texto da lei, a liberdade de interpretação, e, acima das leis, para um juiz religioso e fiel, a prerrogativa real?"

Quem é a Majestade que quer interpretar o direito em proveito próprio, seriam os Porcos Midiáticos? Seriam aqueles que estão sustentando que o mandato parlamentar faz parte dos direitos políticos, a fim de ver aplicado o inciso IV do art. 55 da CF em vez do VI?

O autor do massacre evadiu-se do local e encontra-se foragido.