O Departamento Jurídico da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo protocolou ontem pedido de instauração de inquérito na DGP (Delegacia-Geral de Polícia) para que se apure suposta prática ilegal de grampos.

Segundo a presidente da associação, Marilda Pansonato Pinheiro, a investigação deve ser realizada levando-se em conta as ações de escutas praticadas sob comando do coronel da reserva da Polícia Militar Homero de Almeida Sobrinho, na sede do comando da PM em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, a mando do ex-secretário da Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto.

De acordo com informações recebidas pela associação, no local seriam realizadas cerca de 500 escutas com o objetivo de combater e antecipar as ações da facção criminosa PCC, cuja cúpula está reunida em presídios da região.

Marilda explicou que, além de acionar a Delegacia-Geral de Polícia, também encaminhou ofício à Ordem dos Advogados do Brasil, ao TCE (Tribunal de Contas do Estado), Ouvidoria da Polícia, Procuradoria-Geral de Justiça e Conselho Nacional de Justiça, entre outros.
?Precisamos saber exatamente como eram feitas essas escutas e se não havia violação da intimidade das pessoas. Há informes de que policiais e jornalistas também foram monitorados. Por enquanto, é uma mera suspeita, mas é preciso verificar detalhadamente.?

O coronel Homero foi desligado da função no último dia 6 pelo atual secretário da Segurança, Fernando Grella.

Marilda ressaltou que as escutas do crime organizado eram feitas pelo Sistema Guardião, do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais). ?A Polícia Civil foi alijada do processo investigativo. As informações passaram a ser redirecionadas para a Rota e tivemos uma guerra em São Paulo?, afirmou Marilda. ?É preciso saber se tudo o que era feito nessa central de escutas tinha autorização judicial e em quais informações era baseada.