Com a presença de um fortíssimo esquema policial, ocorreu em Fortaleza neste domingo, 17/12, a inauguração do estádio de futebol Castelão, arena apresentada pelos governantes do capital como a primeira a ser entregue para sediar a Copa do Mundo de 2014. Por se tratar de um evento capitalista de grande impacto na vida de milhares de pessoas, sobretudo proletários que já estão sendo expulsos de suas casas para que o Estado e grandes empresas capitalistas possam executar o conjunto de reformas que fará da Copa um dos mais lucrativos eventos desportivos dos próximos anos, anticapitalistas auto-convocadxs em rebeldia fizeram-se presentes à inauguração, onde discursaram no palanque o prefeito recém-eleito, o governador, o ministro, a presidenta e alguns outrxs palhaços da ordem (Cid Gomes foi eleito o vencedor do concurso de palhaços, pois ninguém bateu sua fantasia que ostentava um chapéu de cangaceiro customizado com as cores e os símbolos da bandeira do Estado: Vaias ao Palhaço!!!!)
As pessoas que foram ver o estádio chegavam constrangidas, pois fileiras paralelas de policiais (cada qual mais armada e truculenta que a outra), impedia a passagem de quem portasse qualquer coisa que pudesse ser interpretado como instrumento de protesto. Claro que nossa faixa de dez metros foi barrada. Isso não nos admirou, pois sabemos bem que vivemos num regime de intenso controle que (inclusive para manter-se no controle) responde pelo nome de democracia, mas que em nada se diferencia de uma ditadura quando o assunto é reprimir aos que se revoltam. O que nos admirou foi que encontramos um cidadão que voltava no contra-fluxo da multidão por ter sido barrado por portar (pasmem!) uma bandeira do Brasil. Isso tudo não nos impediu de entrar com uma faixa menor por baixo da saia, pois um povo que não ousa enganar os agentes da repressão não merece ser livre.
Finalmente encontramos num dos portões de entrada do estádio um espaço onde pudemos distribuir nossos panfletos, denunciar as contradições do sistema, abrir nossas faixas, xingar os capitalistas e, principalmente, conversar com aqueles que chegavam ao grupo para expressar apoio e dizer sobre sua própria revolta. Algo interessantíssimo foi termos constatado de muitos se mostraram simpáticos a nosso protesto, mostrando que sua presença ali não era pura adesão ao clima de festa criado pela mídia burguesa; foram muitos que, ao falarmos "não se enganem com essa copa", simplesmente respondiam "não se preocupem, nós não nos enganamos".
Ao terminar a panfletagem, subimos até a frente do palanque. Diante de uma multidão quieta que nem um plantel de escravos obedientes, foi fácil nosso grito se fazer escutar, inclusive pelos que discursavam, o que criou visível constrangimento (o vencedor do concurso de palhaços parece que era também o mais constrangido). Logo agentes à paisana e com walk talks se aproximaram e começaram a nos encarar, mas isso não nos impediu de melar o ridículo espetáculo que por trás de toda festa procura fazer de nossas cidades (ainda mais do que já são) espaços do grande império produtor de mercadorias.
Um PS: A exceção de nosso grupo, e de um ou dois grupos independentes ali presentes, não havia qualquer partido, ONG ou sindicato protestando, o que mostra o alto grau de atrelamento em que se encontram essas instituições de antagonismo parcial ao capitalismo (e, portanto, instituições que aceitam a ordem capitalista). Talvez isso seja algo bom, pois despolui o ambiente da luta de classes de burocratas que só fazem querer desviar a atenção do problema fundamental dxs proletarizadxs que é destruir o capitalismo através do poder popular direto, sem mediadores.