O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que um projeto de lei que proíbe americanos de adotarem crianças russas é uma resposta legítima à nova legislação dos EUA, que proíbe russos suspeitos de praticar violações aos direitos humanos de entrar no país. Apesar do comentário, ele não deixou claro se sancionaria a medida.

Ele disse que o projeto, que recebeu esmagadora aprovação preliminar no Parlamento, é também uma reação ao que chamou de falha dos EUA em proteger os direitos das crianças russas adotadas.

Durante coletiva nesta quinta-feira (20), Putin afirmou que apesar da maioria dos americanos que adotam crianças russas ser "gentil e honrada", a proteção para vítimas de abuso é insuficiente.

A lei precisa passar por outras etapas no Parlamento até chegar a Putin. "Farei uma decisão dependendo do que tiver escrito (na lei)".

A proposta de proibir a adoção foi adicionada como uma emenda ao projeto de lei que aplica retaliações à legislação americana. Vários integrantes do alto escalão do governo, incluindo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, manifestaram-se contra a proposta.

Muitos russos registraram casos de crianças que morreram ou sofreram abusos nas mãos de seus pais adotivos. Eles também reclamam que os tribunais americanos foram negligentes na punição dos responsáveis.

Um dos casos foi o de Dima Yakovlev, que morreu em 2008 depois de ter sido abandonado por horas dentro de um carro durante um dia muito quente. Seu pai adotivo americano foi absolvido das acusações de homicídio culposo. "Quando tragédias acontecem, o sistema judicial americano não reage e evita punir os responsáveis. E observadores russos são impedidos de participar desses julgamentos", afirmou Putin.

Com AP e BBC