A Avenida Paulista virou praça de guerra novamente, desta vez, durante o Reveillon 2001. Milhares de pessoas assistiam ao show quando um início de tumulto entre punks e pessoas próximas ao palco, deu lugar à entrada de uma pequena tropa de choque (cerca de 20 PMs) que jogaram uma bomba de gás lacrimogênio e passaram a atacar gente que nada tinha a ver com o início da briga. Essas pessoas, revoltadas e assustadas com a agressão, reagiram lançando contra os policiais as garrafas de champanhe, cerveja, etc... que ainda as acompanhavam desde a meia-noite; destruíram algumas barracas (montadas pela Prefeitura para o evento), pegaram latinhas de cerveja cheias e atiravam contra os policiais. Começou a chegar reforço, e as pessoas corriam para as ruas laterais, embaixo do MASP, dentro de estacionamentos, na tentativa de se proteger. Algumas pessoas simplesmente ficaram o tempo todo paradas embaixo das marquises, encostadas à parede; não fugiram porque apenas assistiam a tudo. Contra essas pessoas a PM investiu com pauladas, e prendeu algumas numa clara representação de autoridade, ou seja, sabiam que não eram elas que iniciaram o tumulto.

Enquanto os PMs tentavam enfiar um homem numa viatura (e digo tentavam, porque o cara se debateu, até que 5 policiais o dominaram à pauladas, literalmente) as pessoas voltaram e começaram a atirar garrafas nos policiais, novamente. Chegaram mais viaturas e mais tropa de choque e em maior número, investiram contra um grupo de punks dominando-os também a pauladas. Um deles foi arrastado nú da cintura pra baixo, por cima dos vidros; não vimos esse rapaz se mexer e acreditamos que ele estava morto ou muito ferido, permanecendo largado no chão na mesma posição durante os próximos 45 minutos, onde o confronto entre a polícia e o povo continuou pesado. Mantivemos a televisão ligada, enquanto assistíamos a tudo, e em nenhum momento a Rede Globo noticiou os fatos. Tudo isso se deu pouco antes das 2 horas da manhã, e o povo só dispersou de fato depois das quatro horas. As pessoas não desistiam, corriam e voltavam pra encarar a polícia. Um grito de guerra surgiu e tomou conta da Avenida Paulista: PM cusão, tira a farda e vem na mão.

Há muitos detalhes sobre essa estória que serão oportunamente escritos. Minha preocupação maior é confirmar a mais descarada tentativa de censura. Não precisa acreditar em mim: procure conhecer pessoas que estiveram no Reveillon da Avenida Paulista - foram milhares - e confirme.
Nós assistimos à tudo do 13º andar de um apartamento de frente para os eventos. Duas pessoas que estavam conosco, subiram até o 25º andar pois de lá dá pra ver também as ruas que dão acesso à Paulista, de forma que nossa visão dos fatos é clara e ampla, infelizmente não tínhamos uma filmadora.. Vimos jornalistas na região, inclusive no prédio onde estávamos. Mas o fato não foi noticiado pela imprensa até agora.