Rose deu 'nova composição' a esquema

Denúncia do Ministério Público indica que Paulo
Vieira atraiu ex-assessora em busca de 'apoio político' e acesso à máquina do governo

23 de dezembro de 2012 | 2h 08



FAUSTO MACEDO - O Estado de S.Paulo

A quadrilha que se instalou na administração
pública federal para obtenção de pareceres técnicos fraudulentos aproximou-se de Rosemary Noronha, então chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, para garantir "apoio político" e agilizar a realização de seus objetivos.

Na denúncia que a Procuradoria da República entregou
à Justiça Federal contra 24 alvos da Operação Porto Seguro, Rose aparece como integrante da "nova composição" da organização que corrompia servidores.

A acusação, em 137 páginas, descreve inicialmente
os passos de Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor da área de Hidrologia da Agência Nacional de Águas
(ANA), e suas relações com o ex-senador
e empresário Gilberto Miranda.

Por um período, Paulo e seus irmãos, Rubens
e Marcelo, atuaram sem a parceria com Rose.
Segundo a denúncia, o grupo era formado, ainda,
pelos advogados Patrícia Maciel e Marco Antonio
Negrão Martorelli, que davam apoio jurídico.

Depois, a partir de 2004, dadas as dificuldades
para se instalar na máquina do governo, Paulo Vieira
passou a se valer dos préstimos de Rose, de quem já era amigo. Ela chegara ao posto em 2003, por ordem
do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criou para Rose o cargo na estrutura da Presidência.

A Procuradoria dedica 38 páginas da peça acusatória aos movimentos de Rose, denunciada por falsidade ideológica, corrupção passiva, tráfico de influência
e formação de quadrilha.

Para o Ministério Público Federal, em troca de pagamentos em espécie e outras vantagens, ela teve papel decisivo na nomeação de Paulo e de Rubens,
este no cargo de diretor da
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

À página 105, os procuradores observam que "para
os irmãos Vieira não importava qual o cargo
político para o qual conseguiriam ser nomeados,
desde que este possibilitasse grande liberação
de recursos". "Sondavam ao mesmo tempo várias possibilidades: Conselho do Turismo, Coaf,
entendendo que 'bom mesmo' seria o cargo da
Anac."

Enorme influência. À página 107 da denúncia, os procuradores federais Suzana Fairbanks, Roberto
Dassié e Carlos Renato Silva e Souza abrem
o capítulo "As diversas trocas de favores" e assinalam:

"As atividades de Rosemary para conseguir
a indicação dos irmãos Vieira nos cargos apontados
não foram aquelas de uma 'amiga' com o objetivo simplesmente de favorecê-los, mas sim de alguém
que, com enorme influência política e atuação nos bastidores do poder central, utiliza-se dessas prerrogativas".

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O pagamento de um boleto bancário no valor de R$ 13.805,33 referente à quitação de um apartamento
da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop)
no Condomínio Torres da Mooca, em abril de 2009,
é considerado prova de corrupção passiva.

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"Exercendo sua influência política, Rose por
diversas vezes solicitou ou recebeu vantagem
indevida.

Resta evidente que o relacionamento entre Paulo e Rosemary nada tem de pura e desinteressada amizade, mas sim demonstra a prática constante e reiterada
de diversos crimes contra a administração pública", asseveram os procuradores.

À página 122, a denúncia apresenta um organograma
do grupo, aí incluindo Rose no papel de "apoio político" - Paulo é citado como "chefe", Rubens
como "apoio jurídico" e Marcelo "apoio operacional".

"Embora inicialmente a pessoa de Rosemary tenha surgido nas investigações como relacionada a Paulo
em uma relação de 'amizade' baseada em trocas de favores sempre conversíveis em valores pecuniários,
na etapa final das investigações foi possível constatar, em análise conjunta com todo o material probatório, que Rosemary possui vínculo permanente
com o grupo criminosos de Paulo e seus irmãos pelo menos
a partir de 2004."

"Verificamos que Rosemary, juntamente com Paulo, Rubens e Marcelo Vieira, compõe uma nova quadrilha
ou bando, diversa daquela composta pelos irmãos
Vieira e os advogados Patrícia Maciel e Marco Negrão Martorelli", destaca a procuradoria.


original no site ESTADO.

 http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,rose-deu-nova-composicao-a-esquema-,977031,0.htm

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ASSOCIAÇÕES DE VITIMAS BANCOOP PEDEM DADOS

06 de dezembro de 2012 | 23h 49

Ontem, sete associações de mutuários da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) pediram compartilhamento de dados da Porto Seguro à 5.ª Vara Criminal da Capital, onde tramita ação penal contra ex-dirigentes da entidade.

O argumento central das associações é que a investigação da PF revela que Rose Noronha teria se beneficiado de suposto esquema de corrupção para quitar boletos de cobrança da Bancoop - Rose e um irmão dela, Edson Lara Nóvoa, são cooperados do Empreendimento Torres da Mooca.

veja na integra

 http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,investigado-paulo-vieira-pede-demissao-de-cargo-,970299,0.htm