Acordei no dia 25 de dezembro com o noticiário do RJ TV, uma criança em estado grave, atingida por uma bala perdida, e outra morta, de 8 anos, assassinada pelo padrasto com conivência da mãe. Assim, respectivamente, com a mesma displicência dessas frases curtas e vírgulas, duas crianças mortas, no subúrbio do Rio. Suburbia. Salve Jorge! No frame seguinte, "Vamos falar de coisa boa!" e continua o noticiário. A situação é banal, não há dúvida, dos jornais de todos os dias. ´

E a notícia também é banal, "vamos falar de coisa boa" é o texto que se podia esperar. O nível de violência moral da mídia é cada dia que passa aumentado, em acordo com a violência do estado, com as desapropriações para o progresso da cidade, com a remoção e limpeza dos "cracudos" de um lado para o outro.

Quando penso nos movimentos sociais de minorias, mulheres, negros, LGBT etc, tenho tido cada vez mais a certeza de que a luta de classes ainda é a chave de entendimento para outras minorias. É certo que dificilmente uma dessas crianças seria negra e de uma família do Leblon, morta em lençóis de seda, mas certamente pobre. E por assim ser, precisamos falar de coisa boa. Essas mortes não precisam de luto, não fazem parte do grande produto, da grande novidade, a esperança de "um novo dia, um novo tempo que começou".

Sou da década de 80, de uma geração que cresceu com a internet, o hipertexto, a hiperconectividade. Muitas conexões, poucas ações. Muitos compartilhamentos, poucas buscas de soluções.

Meu nome é Malvino Diaz,sou homossexual, tenho 24 anos. Nasci e moro no subúrbio do Rio de Janeiro.