A PM de São Paulo mata uma pessoa a cada 16 horas. Este dado oficial deveria alarmar qualquer governante ou jornalista, mas em São Paulo... apenas os defensores dos direitos humanos (que os direitistas chamam de "direitos dos manos") seguem tentando ser ouvidos.

Quando não se fecha em copas para proteger o tucanato paulista (como ocorreu ontem no Jornal da Gazeta, que entrevistou um PM e noticiou ataques contra PMs, mas não noticiou que um PM matou a tiros um cidadão que tentava mostrar sua Bíblia), a imprensa desloca a atenção dos cidadãos para a guerra civil na Síria (caso do Jornal da Band e do Jornal Nacional). A quadrilha politica e jornalística que governa São Paulo só acredita em "liberdade de imprensa" quando se trata de criticar o governo federal. Críticas ao governo estadual são terminantemente proibidas, especialmente nos telejornais produzidos no Estado.

Como não adianta mais tratar esta questão com seriedade, pois a imprensa está seriamente comprometida com o assassinato sistemático de paulistas pela PM, a única saída que resta é o humor negro. Humor negro, mas sem racismo, é claro.

Os críticos do programa de extermínio de pobres pela PM de São Paulo realmente não entendem nada de governança alckimística, nem de literatura brasileira.

Alckimin é médico e tem dito que quer aumentar a taxa de doação de órgãos e de transplantes em São Paulo. Mas como nos últimos 12 anos a vida do povo brasileiro melhorou, a expectativa de vida aumentou e a mortalidade decresceu (não graças aos gêmeos malcheirosos PSDB/DEM), não havia meio do governador paulista atingir sua meta "humanitária". A única esperança de Alckimin foi imitar Odorico Paraguaçu. O resultado aí está.

O personagem de Dias Gomes contratou um pistoleiro para poder inaugurar seu novo cemitério. Alckimin, ao que tudo indica, tem usado a PM para matar pobres de maneira a aumentar a doação e transplante de órgãos no Estado que governa.

Na literatura tudo é possível. Na vida pública, entretanto, nem tudo deveria ser.

O que a PM de Alckimin tem feito todos os dias, 365 dias por ano, tem nome: genocídio; crime contra a humanidade. Todavia, como em São Paulo não existe mais jornalismo isento e quase todos os veículos de comunicação tucanizaram geral, nenhum grande veículo de comunicação é capaz de encurralar Alckimin ou de compará-lo a Odorico Paraguaçu.

A guerra na Síria tem sido um tema jornalístico importante. Mas nenhum telejornal tem honestidade suficiente para comparar Alckimin a Assad muito embora ambos estejam fazendo exatamente a mesma coisa ao mesmo tempo. O fato de Assad não se importar com o destino dos órgãos dos sírios assassinados por seus soldados deveria ser apenas um detalhe irrelevante. Mas não é. Cá a imprensa é suficientemente hipócrita para comemorar o aumento da doação de órgãos e dos transplantes em São Paulo, mas nunca relaciona isto aos cadáveres diariamente produzidos pela PM de Alckmim.

Como em Sucupira, o jornalismo paulista deixou de ser "investigativo". Prefere limitar-se a fazer propaganda desavergonhada do Odorico Paraguaçu paulista que habita o Palácio dos Bandeirantes.

Na obra de Dias Gomes o político espalhafatoso e corrupto acaba inaugurando o cemitério com seu próprio cadáver. Alckmin está bem longe de morrer, infelizmente. O mais provável é que ele mande a PM paulista passar a matar duas pessoas a cada 16 horas em 2013 para aumentar ainda mais a taxa de doação e transplante de órgãos em São Paulo. A mídia certamente comemorará este seu novo feito incomparável.