Nos últimos meses a grande mídia (que é importante, mas manipula e condiciona) tem tentado diminuir a todo custo a popularidade do ex-presidente Lula (que não é livre de maculas) e da atual presidente Dilma. A aprovação maior da presidente do que da imprensa mostra um amadurecimento por parte da população, pois fica claro que, ainda que de maneira nublada, a mesma está mais ciente de seus interesses. Interesses sim, afinal de contas todo eleitor bem informado e prudente dentro de sua esfera social vota em prol de seus interesses. A classe média e média alta sempre votou em prol de seus interesses, embora ambas tenham sido enganadas nos governos liberais do PSDB, uma vez que tais governos fizeram um governo voltado para mega-elites multinacionais.

Poderíamos neste momento recorrer a um moralismo ingênuo e sem auto-percepção e blasfemarmos contra o PT e o povo, que parece o apoiar, em virtude dos óbvios roubos cometidos por muitos integrantes do partido em questão, mas estaríamos cegos para um fenômeno social importante. Parafraseando Renato Russo eu diria que se trata de um mecanismo que não é indiferente tentando resgatar com pouca confiança (mas alguma confiança) a essência de um delito novamente sagrado, mas modificado.

Ora, foi muita ingenuidade da grande imprensa acreditar que o povo se esqueceria da corrupção dos governos liberais em detrimento da percepção de seus próprios interesses. Foi muita ingenuidade da nossa grande imprensa pensar que a imprensa de países como França, que tem programas assistencialistas muito melhores que os brasileiros, não faria suas homenagens a um governo disposto a reduzir a taxa de mais-valia interna e promover um capitalismo menos desumano.

Isto não se trata de uma justificativa para o enriquecimento ilícito do filho do Lula e da corrupção presente dentro do PT, mas de uma explicação de um processo importante. Ora, os bilhões desviados por Fernando Henrique Cardoso, José Serra e sua filha das empresas estatais, o sucateamento da Educação de São Paulo promovido por Mario Covas e seguidores, a expropriação ilegal de terras em prol de grandes grileiros promovida por Geraldo Alckmin e todas as denuncias contra o PSDB no livro "A Privataria Tucana" de Amaury Ribeiro (Premio Esso de Jornalismo) foram convenientemente esquecidos pela grande imprensa. Claro que o maior problema de tudo isto não é o volume de dinheiro roubado, mas o tipo de política, ou seja um tipo de política que beneficia apenas grandes grupos de empresas multinacionais em detrimento das empresas nacionais e seus respectivos empregados.