A perseguição a Latuff não é novidade. Lamentavelmente, o sítio do CMI já foi usado por um anônimo para caluniar e difamar o cartunista. Em 2004 Latuff publicou no CMI um cartum que mostrava neonazistas como suspeitos de assassinar moradores de rua em São Paulo, e que tinha uma suástica projetada como sombra em uma parede. No mesmo dia uma versão adulterada deste cartum, com a estrela de David no lugar da suástica, foi publicada no CMI. Os voluntários da rede colocaram a publicação no "lixo aberto", onde continuou (e ainda continua, agora a pedido do próprio Latuff) acessível. Depois foi reproduzida em diversos sites pró-Israel.

Charge original

Charge adulterado

Nota do CMI sobre o uso do sítio para a difamação de Carlos Latuff

O CMI aproveita para vir a público pedir desculpas a Latuff e outras vítimas em igual situação por não termos sido capazes de evitar que a estrutura criada para garantir a liberdade de expressão e proteger ativistas de repressão política tenha sido usada para fins que violam sua proposta política, expressa na sua política editorial. Atualmente, o CMI possui o "lixo fechado", que visa garantir uma proteção maior contra esse tipo de sabotagem, pois torna as publicações mais graves inacessíveis.

Mas a maior dificuldade vivida atualmente resulta da atual falta de voluntários para as tarefas básicas do sítio, tais como esconder com agilidade as publicações espúrias. Até já foi aventada a possibilidade de se fechar a publicação aberta: objetou-se que isso seria destruir o mecanismo através do qual tantos ativistas e movimentos tiveram acesso à liberdade de expressão na última década. A rede encontra-se num impasse entre a falta de voluntários e o ideal de democratização da comunicação.