Durante a ultima semana de 2012 a imprensa torrou a paciência dos brasileiros com notícias sobre o "déficit fiscal" norte-americano. Hoje, primeiro dia de 2013, a mídia divulgou que um acordo foi feito no Senado dos EUA para salvar o país da crise. Os impostos serão aumentados para quem ganha mais de 450 mil dólares por ano e cortes de despesas serão feitos em várias áreas. Nenhum corte de despesas significativo foi feito ou será realizado na área militar.

Os EUA continuarão a gastar rios de dinheiro para manter centenas de bases militares no exterior, para subsidiar sua industria de armamentos e, sobretudo, para realizar operações militares abertas e secretas. Tudo isto mediante cortes nos gastos com educação, saúde e previdência social. Aquele país também continuará imprimindo dinheiro (sem qualquer lastro) e exportando inflação através das artimanhas conhecidas desde a década de 1980.

Qual é então a novidade da notícia dada hoje? Nenhuma. Tudo continua exatamente como estava em 2012. A elite norte-americana segue tentando manter seu império planetário com ajustes que prejudicam cada vez mais os pobres norte-americanos. A imprensa ocidental, comprometida ideológica e economicamente com o império norte-americano, continua fazendo de conta que os EUA ainda é o país mais importante no planeta.

Enquanto o governo dos EUA e a imprensa ocidental tentam congelar a realidade, a China (maior parceiro comercial do Brasil) vai devorando o chão embaixo dos pés dos imperialistas norte-americanos e dos jornalistas venais. Apesar da gritaria de Israel nada foi ou será feito contra o Irã, que vende petróleo para a China. Em breve a China também passará a comprar petróleo da Rússia, que no fim de 2012 inaugurou um imenso oleoduto para abastecer o Partido Comunista Chinês.

A união comercial e petrolífera entre Rússia e China no fim de 2012 pode marcar o inicio de uma nova etapa das relações internacionais. A Rússia poderá voltar as costas para a Europa, que vive acusando os russos disto ou daquilo para tentar baixar o preço do petróleo e do gás que precisam comprar daquele país. O petróleo árabe voltará a ser disputado por europeus e norte-americanos. O Brasil deve explorar com moderação suas reservas para não ficar sem este recurso vital.

A tendência geral é evidente. A continuará a crescer, fomentando crescimento dos seus parceiros (Brasil e Rússia). A Europa continuará estagnada por competir com as exportações chinesas, abrindo espaço para o crescimento da extrema direita racista em vários países importantes. Os EUA se tornarão cada vez mais belicosos, mas terão que se conformar com a impossibilidade de confrontar abertamente Rússia e China unidas militar e economicamente.

"O império contra-ataca" este seria um bom título para qualquer matéria jornalística sobre o acordo fechado no Senado dos EUA. A semelhança entre Portugal antes da Revolução dos Cravos e os EUA sob Obama é cada vez mais evidente. Mas ao que tudo indica os norte-americanos não serão inteligentes o suficiente para por fim ao seu decadente império sem uma guerra mundial.

O mais importante para o Brasil na próxima década será aprofundar suas relações comerciais com a China e se distanciar mais e mais dos EUA. Regular a mídia e impedir que as empresas de comunicação recebam dinheiro norte-americano para fomentar instabilidades políticas dentro do país deve ser a prioridade em 2013.