Genuíno foi ontem tomar posse na Câmara dos Deputados. A gritaria na imprensa é geral.

"O Brasil tem leis confusas. Ele foi condenado, perdeu os direitos políticos e agora terá o direito de ser chamado de 'excelência' " - disse o ancora do Jornal da Band ontem.

"Isto é uma afronta contra os brasileiros. O MPF tem que fazer algo para impedir isto..." - disseram em coro todos os jornalistas que recebem dinheiros contaminados ideologicamente do Instituto Millenium (nova versão do velho Ypes, aquele instituto financiado pela CIA que preparou o golpe de 1964 nos jornalões).

Também neste caso, como em outros que tenho apontado aqui, a evidência de LIXORNALISMO é evidente.

Todos os críticos midiáticos de Genuíno omitem que a sentença penal condenatória SÓ PRODUZ EFEITOS JURÍDICOS APÓS SEU TRANSITO EM JULGADO. É óbvio que os sabujos da mídia monopolista e desregulamentada sabem disto. Neste caso, porém, a função deles não é "produzir jornalismo isento e de qualidade", preservar o "compromisso com o leitor" ou ainda "revelar a verdade doa a quem doer" como gostam de dizer os veículos de comunicação.

Genuíno é um inimigo, portanto, não deve ser tratado com cortesia. Ele não tem direitos e se direitos ele tem, cumpre aos jornalistas omitir este "detalhe irrelevante" ao dar a notícia.

A verdadeira notícia não é a posse do Genuíno, perfeitamente legal (pois a condenação dele não transitou em julgado), mas a prática de LIXORNALISMO pelos veículos de comunicação.

Ao criticar ferozmente Genuíno (que tenta tomar posse de maneira legítima) e o Parlamento (que lhe dará posse legalmente), a imprensa quer desacreditar a CF/88. A mesma CF/88 que os jornalistas costumam brandir quando se trata de defender os direitos humanos deles ou a "liberdade de imprensa" (que eles distorcem para ficar parecendo liberdade das empresas de comunicação para distorcer informações, omitir detalhes relevantes e por aí vai).

A distorção veiculada pela mídia logo ganhou adeptos virulentos na internet. Questionei uma das pessoas que atacaram Genuíno pelo Twitter dizendo-lhe algumas coisas desagradáveis (o jornalista Marcelo Tas entra na discussão apenas como observador, pois eu a questionei exatamente no momento em que ela trocava mensagens com ele):


"@MarceloTas @maysmy Genuíno errou ao comparar torturadores (que causavam dor por profissão) aos jornalistas (que causam dor por prazer)."

"@maysmy Continue omitindo o fato de que a condenação só produz efeito após o TRANSITO EM JULGADO da sentença. Mostre sua ignorância."

"@maysmy O fato da imprensa visar lucro revogou os direitos e garantias individuais da CF/88 e a Declaração Universal dos Direitos do Homem?"

"@MarceloTas @maysmy Jornalistas adoram pisotear direitos e transformar pessoas em coisas. Mas exigem respeito aos seus "direitos humanos"."

"@maysmy Todo homem é sujeito de Direitos Humanos, sua ignorante. Fique desumanizando outras pessoas e você virará Gregor Samsa, bobinha."



As respostas da interlocutora (que parece conhecer bem como funciona a imprensa) foram exemplares:


"@FabioORibeiro toda imprensa é antes uma empresa, e o cunho editorial manda muito, mas recorra a outros meios, a democracia está nisso."

"@FabioORibeiro olha só, se não gosta do que escuta, troque a emissora, simples assim, o poder do controle remoto ainda está nas suas mãos."

"@FabioORibeiro @MarceloTas "direitos humanos" para "humanos direitos" e vc nao é um deles dr. Fabio. Passar bem."


A reação virulenta e irracional da Twitteira ( https://twitter.com/maysmy) são evidentes. Ela presume que omitir uma informação relevante (ou seja, que a condenação de Genuíno só produzirá efeitos após o transito em julgado) é dever da imprensa ou, no mínimo, que a imprensa pode ter lucro fazendo isto. O debate racional é algo que ela não desejava, portanto, afastou qualquer objeção ao seu procedimento questionável (e eventualmente anti-ético caso seja jornalista) dizendo que eu posso trocar de emissora. E por fim, ela me desqualificou dizendo que não sou um ser humano sujeito de direitos.

O procedimento desta moça me fez refletir um pouco. tenho a impressão que na verdade ela pensa que Genuíno é uma espécie de personagem, que pode ser massacrada à revelia da legislação (que deve ser respeitada por todos, não sendo juridicamente relevante o desconhecimento da Lei). Formulei então minhas três primeiras lições de LIXORNALISMO:



LIXORNALISMO Lição nº 1) Fazer de conta que a pessoa a ser atacada é uma coisa sem emoções e desprovida de direitos.

LIXORNALISMO Lição nº 2) Lembrar o respeitável público que os jornalistas tem direitos humanos e que a imprensa apenas visa lucro.

LIXORNALISMO Lição nº 3) Ignorar ou desqualificar todo e qualquer crítico que ouse questionar seus procedimentos jornalísticos.



Quando a mídia for regulada, estas lições de LIXORNALISMO que tem sido bastante empregadas nas redações dos jornalões, revistinhas e redesgotos de TV terão que ser abolidas. Mas enquanto isto não for feito, os interessados poderão agora usar contra os jornalistas as mesmas armas que eles gostam de usar.