Em novembro, um acidente entre carro e ônibus deixou um morto e um ferido por volta das 5h30 da sexta-feira (23), no Centro de Curitiba. A colisão ocorreu entre as ruas André de Barros e Travessa da Lapa. O mês de Outubro foi marcado pelo acidente que aconteceu no início da manhã da terça-feira (16), no cruzamento da Rua Cruz Machado com a Alameda Doutor Muricy, no Centro de Curitiba. A batida envolveu dois ônibus e uma motocicleta. Nove pessoas feridas foram hospitalizadas.

A precarização no Transporte Coletivo Modelo de Curitiba tem ocorrido em suas mais diversas características, mas a que mais chama a atenção é a questão da segurança.

Prejudicada pelo contrato da licitação fraudulenta, a segurança dos cidadãos vem se tornando totalmente secundária em relação à maravilhosa estética do Transporte Coletivo Modelo de Curitiba. Esta licitação exigiu aumento da velocidade média dos ônibus, para que haja maior transporte de passageiros, sem necessidade de investimentos como aumento de frota e de trabalhadores para o sistema.

Com isso, a frequência dos acidentes aumentou bastante, colocando em risco pedestres, ciclistas, motociclistas, usuários de ônibus e até usuários de automóveis.

Embora a frequência tenha aumentado, as notícias repassadas pelas grandes mídias dão conta de que a culpa jamais é do Transporte Coletivo Modelo, e sim das vítimas, geralmente fatais. Sempre paira a dúvida sobre sinal, se estava vermelho ou amarelo, para um e para outro e, apesar de Curitiba estar infestada de câmeras, nestes casos não há registros de imagens, mesmo se tratando de locais com alta frequência de acidentes.

Talvez o problema esteja relacionado ao objetivo das câmeras instaladas pelos parceiros da prefeitura, entre eles a DATAPROM: faturar com multas.

Enfim, a dúvida fica e não há interesse em esclarecer. Para que se tenha uma idéia, sequer o grande acidente ocorrido em 2010 no marco zero teve esclarecimentos em relação a responsáveis e causas. A única providência tomada na época foi a prisão do motorista, ainda ferido e em estado de choque. URBS e empresas concessionárias são tratadas pela investigação e pela grande mídia como se nada tivessem a ver com a "fatalidade".

Mesmo com toda essa conjuntura, a Urbs - empresa de urbanização de Curitiba e região - confirma aumento da tarifa entre fevereiro e março de 2013. O sindicato dos empresários, Setransp, aponta déficit de R$ 100 milhões. O sindicato dos motoristas e cobradores, Sindimoc, que justifica os dissídios e décimo terceiro como principal causa do aumento tarifário parece defender a conservação da lógica lucrativa patronal e joga a população contra motoristas e cobradores.

Inicia-se uma verdadeira encenação teatral montada para simular conflitos no interior das oligarquias. O setransp quer fazer-nos acreditar que trabalha no prejuízo há vários anos. Qual empresário, ao notar que o seguimento explorado resulta em prejuízo, insiste em se manter na mesma atividade? Empresários são altruístas? Quanta bobagem! Após terem emplacado a fraudulenta licitação de fachada aos seus moldes político, jurídico e administrativo, exigem mudanças no próprio jogo. Utilizam, para se vitimizar, a incompetência da sua aliada Urbs para justificar o rombo de 100 milhões. Fazem de massa de manobra motoristas e cobradores através de seu outro aliado Sindimoc, para coagir a população e finalizam, exercendo pressão na prefeitura para que aprovem o indecoroso reajuste tarifário no transporte coletivo.

Vale lembrar que num período entre 1994 a 2011 a tarifa passou de R$ 0,40 para os atuais R$ 2,50, segundo levantamento feito pelo Dieese. Isso representa disparada evolução dos lucros patronais em aproximadamente 500% em contrapartida aos 83,3% de reajuste no salário mínimo para o mesmo período.

Segundo a comparação do Dieese: "com a alta na tarifa, o custo mensal com transporte passa a representar 23,85% ou quase R$ 130 do salário mínimo brasileiro, de R$ 622, levando em consideração um gasto de 52 tarifas no mês".

Ainda, "o aumento da passagem vem em um momento em que o trabalhador já está pressionado pela alta dos alimentos também acima da inflação. A cesta básica subiu 13% em Curitiba nos últimos 12 meses. Ao mesmo tempo o aumento médio das categorias tem sido de 8%. São despesas importantes que pressionam significativamente o bolso do trabalhador", alerta o economista e supervisor técnico do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR), Cid Cordeiro.

Em entrevista para o jornal Gazeta do Povo, Cid Cordeiro explica que, no caso do Paraná, o piso regional de R$ 783,20 teria de ser reajustado em 14% para compensar o aumento da passagem no bolso dos trabalhadores.

Mesmo com esse contexto desfavorecido, há mobilizações articuladas para contrapor a situação. Em 2011 a Rede contra o tarifaço desempenhou um papel protagonista no enfrentamento das elites políticas, jurídicas e empresarias do transporte coletivo. Pelas intensas manifestações de rua e de ação indireta, via dossiês ao Ministério Público, Câmara dos Vereadores e Assembléia Legislativa, há um caminho já trilhado que senão neutraliza a ação da bancada do transporte coloca seus argumentos em dúvida constante à população.

Está lançado o desafio para os movimentos populares. A dissolução completa do "empreendedorismo" na gestão pública que se renova a cada ano para conservar os altos lucros dos empresários bem como as cadeiras cativas dos políticos e correligionários na máquina do Estado.