Após a morte numa chacina da testemunha que filmou um assassinato a sangue frio cometido por um PM paulista (as centenas e talvez milhares de assassinatos cometidos pelos PMs paulistas nos últimos 10 anos não foram menos criminosos apesar de não terem sido filmados) uma parte da imprensa resolveu criticar a ambigüidade da Secretaria de Segurança Publica de São Paulo.

Acompanho a questão com atenção, mas não vi qualquer ambigüidade.

São Paulo, por inermédio de sua PM, extermina deliberadamente suspeitos nas periferias paulistas há pelo menos uma década. Desde que eles sejam pobres, a mídia trata de maneira burocratica os casos de violencia policial; os jornalões e telejornais só esboçam indignação quando alguem de classe média alta ou alta é assassinado por um PM (ou quando o filme desmente a ocorrência de "resistência a ação policial").. A brutalidade da PM paulista é deliberada e tem a "virtude" (o que o governo tucano considera "virtude" é na verdade um "vício hediondo") de manter a população empobrecida das periferias com medo e sem a menor disposição de pleitear o que quer que seja do governo do Estado.

O método de silenciar o povo e reprimir reivindicações com brutalidade é largamente utilizado por Alckimin. Não sei se ele se inspirou na Ditadura brasileira ou no regime nazista alemão, mas o resultado é sempre o mesmo.

A negação pública do uso sistemático da violência policial como elemento fundamental do "programa de governo" tucano em São Paulo comove e convence a grande imprensa local. A evidente semelhança entre Alckimin e Assad (que exterminam parte de sua população neste exato momento) nunca foi sequer ventilada na mídia. Governantes encobrirem seus crimes com discursos do tipo "isto não é tolerado", "estamos investigando e os responsáveis serão punidos" ou "defendemos os direitos humanos" tem sido algo trivial na História das tiranias brutais. Tão trivial que deveria ser considerado previsível pelo "jornalismo isento", "comprometido com o leitor" e outros mantras que os jornalistas gostam brandir estufando os peitos como se fossem o Super-Homem (não por acaso jornalista nas horas vagas).

Quando os crimes cometidos por agentes do Estado continuam a ocorrer diariamente (e inclusive para acobertar outros crimes) sem que a imprensa sequer suspeite da existência de um abismo entre o que as autoridades falam e o que elas fazem, mandam fazer ou apenas toleram de maneira criminosa, o grau de degeneração das instituições democráticas é evidente e grave. Nós já vimos o que ocorre quando o jornalismo se torna o servo cordial de um Estado brutal. O ocidente tem sido povoado pelos cadáveres dos inocentes que os jornalistas ajudaram a produzir confundindo "propaganda do seu líder" com "jornalismo investigativo".

A crise paulista não é só de segurança, é governamental, institucional e sobretudo jornalística. Os defensores da "liberdade de imprensa" certamente cairão de pau em cima de mim por ter dito isto. O comportamento dos meus adversários (não duvido que alguns deles se consideram meus inimigos mortais), é tão previsível quanto os assassinatos que cometerão nos próximos dias os PMs paulistas e as mentiras que serão ditas nos telejornais por Alckimin e sua "equipe de governo" (expressão que já pode ser considerada um eufemismo para "equipe de extermínio de pobres") . Onde a menor discordância não é permitida, a critica mais severa e contundente deve ser reprimida com rigor pois a "liberdade de consciência e de expressão" numa tirania como a paulista só é permitida para aqueles que aplaudem o tirano.