O CHAVISMO SEM CHÁVEZ
No leito de morte, Hugo Chávez deixa uma herança maldita na forma de um país dividido socialmente, alimentado pelo rancor entre as classes sociais; uma crise econômica acentuada por uma alta inflação; e, sobretudo, instituições políticas fragilizadas pela hipertrofia do poder presidencial.

Chávez não soube, ou não quis, diversificar a economia venezuelana, assim como não quis criar condições, sob a forma de políticas sociais consistentes, para que a imensa maioria da população venezuelana fosse resgatada da pobreza de forma efetiva. Gastou recursos do Estado em práticas assistencialistas de caráter populista, e, com isso, gerou uma massa de dependentes com alto potencial eleitoral que lhe garantiu a permanência no poder por 14 anos.

Pois a fragilidade das instituições ficou evidente na mais recente internação do venezuelano em Cuba. Vitimado por um câncer mal explicado, Chávez agoniza sob a guarda do governo cubano. Em torno do fato estabeleceu-se uma barreira de silêncio além da qual apenas os líderes mais próximos de Chávez têm acesso à verdade dos fatos.

A oposição reclama contra a falta de transparência , enquanto meia dúzia de caciques chavistas , entre eles, o vice presidente Nicolás Maduro, e o presidente da Assembléia Legislativa, Diosdado Cabello - considerado por muitos o herdeiro do espólio político de Chávez - confabulam, em Havana, sobre o futuro da Venezuela.

A curto prazo, qualquer que seja o desfecho, não existe clima para conflagração política. De imediato, a comoção gerada pelo falecimento do ?comandante? despertará natural sentimento de solidariedade aos novos líderes, e dará a impressão de que os ideais chavistas permanecerão eternos.

A médio prazo, é provável que a ausência do carismático líder exporá todas as mazelas que permeiam o regime criado por ele: revelará um pais com economia empobrecida, extremamente dependente das receitas geradas pelo petróleo, dividido socialmente, e enfraquecido politicamente pela fragilidade das instituições e pela corrupção.

O prosseguimento do chavismo sem Chávez tem tudo para acentuar a crise venezuelana nos próximos anos.
070113