Acabo de ler a notícia abaixo:

"Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília ? A partir da próxima segunda-feira 14, 225 planos de saúde administrados por 28 operadoras estarão proibidos de serem comercializados em todo o Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a decisão foi tomada em razão do descumprimento dos prazos máximos fixados para marcação de consulta, exames e cirurgias."

A gritaria da imprensa vai ser intensa. "Intervencionismo estatal inadmissível", dirão os tucanos (alguns deles são empresários deste ramo). "Afronta à liberdade empresarial", dirão os telejornalistas. Os "especialistas" (eufemismo para paus mandados dos interessados, no caso, os donos dos planos de saúde) dirão que o Estado brasileiro está se tornando mais e mais refratário às Leis de Mercado.

Mas ninguém, nem a repórter da Agência Brasil dirá o principal. Que estes planos de saúde, senão a maioria dos planos de saúde, funcionam como verdadeiros "Golpes de Piramide" (Esquemas Ponzi).

Para manter as retiradas gordas de seus donos e custear as despesas com os tratamentos dos clientes, mais e mais clientes tem que ser convencidos à aderir aos planos de saúde mediante as velhas artimanhas da propaganda corporativa onerosa (geralmente enganosa, para não dizer criminosa mesmo). Mas propaganda custa dinheiro, então uma parte da verba arrecadada pelos planos de saúde não será utilizada para prestar assistência aos clientes doentes mas para alavancar a adesão de novos clientes. Em algum momento o inchaço provocado pelos novos clientes provoca o colapso.

Quando os planos de saúde se ficam financeiramente doentes, nem todos os clientes conseguirão tratamento médico (obrigando o Estado a intervir mediante provocação judiciária dos lesados) ou o padrão do tratamento ofertado será reduzido para poder controlar as despesas mantendo as gordas retiradas de seus donos.

Em algum momento o Estado ou a Agência Reguladora são obrigados a fazer o que foi feito para coibir a prática de Esquema Ponzi. Mas então começa a gritaria na imprensa.

Numa economia capitalista altamente "Ponzificada" (organizada de maneira a possibilitar o nascimento e proliferação de Esquemas Ponzi) a culpa "tem" que ser sempre do Estado ou da Agência Reguladora, pois uma parte do dinheiro arrecadado dos clientes dos planos de saúde foi transformado em propaganda para convencer mais e mais pessoas a aderir aos sistemas privados de saúde. A imprensa nestes casos não é só fiel ao mercado, é fiel aos seus lucros privados e funciona como garantidora dos "Esquemas Ponzi" que esconde propositalmente ao culpar o Estado e não os golpistas (de quem as empresas de comunicação receberam uma grana preta).

Tudo muito banal... Não regulamentar uma atividade sempre desemboca na mesma consequencia: golpe contra a economia popular. Quem são os políticos que se preocupam com a economia popular e quais defenderão os Esquemas Ponzi de Saúde? Confira no próximo telejornal.