Memórias metafísicas de um desempregado: sobre as miragens do primeiro céu.

I

O motor de carros e perfuradeiras e escavadeiras e tratores, dão o tom do dia ao longo das horas de trabalho. O ruído perpétuo das engrenagens vigiam o sono tranquilo do homem cercado de compromissos. Responsabilidades parcelares e inteiras para si próprio, meias verdades feitas de preguiça e sedução. Trabalhando por dinheiro, por amor ao prazer. Gostar de comer em restaurantes finos, ocupar a solidão com carne e beleza, se encher de técnicas que ensinam o humano a se robotizar. Chamar toda essa merda de profissão, de trabalho, de cultura. Se sentindo um cara ético, rígido e super excitado de frente para uma mulher boneca pensando no meio da trepada no suborno de amanhã...este é o inverso do mendigo. Melhor seria fugir do mundo das torres de vigia e câmeras, ir para o meio do cerrado. Ver o céu cravado de estrelas prateadas, sabendo que elas estão a milhões de anos luz, e que a imagem que vemos é passado, mesmo assim sonhar que se está junto às constelações caçando no céu, como um antigo selvagem, todos os animais do zodíaco e bêbado de alegria gozar urrando bem alto o amor. Alegrando assim a mulher que a imaginação cria. Utopia concreta companheiro! Da beleza de um encontro fortuito de uma conversa serena sobre o fim do euro e o perigo do desemprego, e na mansidão de um sono tranqüilo deixar a luz dos sonhos encher a alma de esperança sabendo que no Céu anjos entoam hinos maravilhosos a Deus.


 http://prxis-mental.blogspot.com.br/