| A Crescente Monopolização da Economia Capitalista redundará no fim das crises? Por Semaforo 11/01/2013 às 17:51 A economia capitalista tende para o monopólio/oligopólio em razão da concorrência entre os capitalistas, pois a concorrência conduz cada vez um grande número de capitalistas à ruina e um número cada vez menor de burgueses ao triunfo. Numa economia monopolizada, as crises capitalistas seriam superadas? Em Guerra Civil em França, Marx escreveu que? "É um estranho facto. Apesar de toda a conversa grandiloquente e toda a imensa literatura dos últimos sessenta anos sobre a Emancipação do Trabalho, assim que em qualquer parte os trabalhadores tomam o assunto nas suas próprias mãos com determinação, surge logo toda a fraseologia apologética dos porta-vozes da presente sociedade com os seus dois pólos: Capital e Escravatura Assalariada (o senhor da terra não é agora senão o sócio comanditário do capitalista), como se a sociedade capitalista ainda estivesse no seu mais puro estado de inocência virginal, com os seus antagonismos ainda não desenvolvidos, os seus enganos ainda não desmascarados, as suas realidades prostituídas ainda não postas a nu. A Comuna, exclamam eles, tenciona abolir a propriedade, base de toda a civilização! Sim, Senhores, a Comuna tencionava abolir toda essa propriedade de classe que faz do trabalho de muitos a riqueza de poucos. Ela aspirava à expropriação dos expropriadores. Queria fazer da propriedade individual uma realidade, transformando os meios de produção, terra e capital, agora principalmente meios de escravizar e explorar o trabalho, em meros instrumentos de trabalho livre e associado. - Mas isto é comunismo, comunismo 'impossível'! Ora pois, aqueles membros das classes dominantes que são bastante inteligentes para perceber a impossibilidade de continuar o sistema presente - e são muitos - tornaram-se os apóstolos, importunos e de voz cheia, da produção cooperativa. Se não cabe à produção cooperativa permanecer uma fraude e uma armadilha; se lhe cabe suplantar o sistema capitalista; se cabe às sociedades cooperativas unidas regular a produção nacional segundo um PLANO COMUM, tomando-a assim sob o seu próprio controlo e pondo termo à ANARQUIA constante e às convulsões periódicas que são a fatalidade da produção capitalista - que seria isto, Senhores, senão comunismo, comunismo 'possível'?" No trecho supratranscrito, Marx deixa claro que a causa das crises capitalistas é a anarquia da produção capitalista. Por seu turno, Bertrand Russel escreveu na sua obra Elogio ao Ócio que: "Devido à ausência de qualquer CONTROLE CENTRAL sobre a produção, produzimos grande quantidade de coisas que não precisamos. Mantemos uma grande percentagem da população trabalhadora ociosa, porque podemos dispensar seu trabalho dando sobretrabalho a outros. Quando todos estes métodos se provarem inadeqüados, temos a guerra: colocamos muitas pessoas a fabricar explosivos, e muitas outras para explodi-los, como se fôssemos crianças que recém descobriram os fogos de artifício. Combinando estes mecanismo, somos capazes, com dificuldade, de manter viva a noção de que uma grande quantidade de trabalho manual intenso é o quinhão inevitável do homem comum." Para Bertrand Russel, a causa das crises capitalistas é a ausência de controle central sobre a produção. Para o Jorge Nogueira, a causa das crises capitalistas é a concorrência entre os capitalistas: "Como demonstrou Marx a origem de toda a crise capitalista é a base produtiva do próprio sistema. A concorrência entre as empresas as leva a buscar vender mais barato do que o concorrente. Para isso investem em tecnologia para aumentar a produtividade e reduzir os custos de produção. Isso acarreta em demissões e redução de salários por um lado e queda da taxas de lucros das empresas por outro, além de uma abundância de mercadorias produzidas para serem consumidas. A essa queda as empresas respondem com novas medidas para reduzir os salários afetando a capacidade de consumo dos trabalhadores." http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/11/514043.shtml Se a produção capitalista vier a se tornar praticamente monopolizada, as crises capitalistas terão fim? Se a concorrência entre os capitalistas acabar, será que a evolução científica-tecnológica será usada para que os trabalhadores tenham sua jornada de trabalho reduzida e seu poder aquisitivo elevado? Não é isso o que tem ocorrido na economia capitalista, a qual está cada vez mais monopolizada. A concorrência é cada vez menor mas as crises capitalistas estão cada vez mais violentas. A causa da crise capitalista com certeza não é a concorrência entre os capitalistas. Sem essa concorrência, a situação seria pior.
>>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Para Marx a monopolização seria a fase final da curta existência histórica do capitalismo. A cartelização atual demonstra que estamos quase nessa fase. Em seus escritos de 1848 - 1850 (manifesto comunista e mensagem a Liga dos comunistas) Marx demonstra que essa monopolização se daria pela estatização total das grandes empresas.  | O Jorge Nogueira afirma que as crises capitalistas se originam na sua base produtiva e que a causa dessas crises é a concorrência entre os capitalistas. Ele se esqueceu que a competição é uma categoria da circulação, e não da produção da riqueza. É o que Marx diz em Miséria da Filosifia:
"La competencia no es la emulación industrial, es la emulación comercial. En nuestro tiempo, la emulación industrial no existe sino con fines comerciales. Hay inclusive fases en la vida económica de los pueblos modernos en las que todo el mundo esta poseído de una especie de fiebre por obtener ganancias sin producir. Esta fiebre de la especulación, que sobreviene periódicamente, pone al desnudo el verdadero carácter de la competencia, que tiende a evitar la necesidad de la emulación industrial.
O primeiro comentarista também está equivocado. Para Marx, o monopólio não é a fase final do capitalismo, pois da mesma forma que a concorrência conduz ao monopólio, o monopólio igualmente conduz à concorrência.
"En la vida práctica encontramos no solamente la competencia, el monopolio y el antagonismo entre la una y el otro, sino también su síntesis, que no es una fórmula, sino un movimiento. El monopolio engendra la competencia, la competencia engendra el monopolio. Los monopolistas compiten entre sí, los competidores pasan a ser monopolistas. Si los monopolistas restringen la competencia entre ellos por medio de asociaciones parciales, se acentúa la competencia entre los obreros; y cuanto más crece la masa de proletarios con respecto a los monopolistas de una nación, más desenfrenada es la competencia entre los monopolistas de diferentes naciones. La síntesis consiste en que el monopolio no puede mantenerse sino librando continuamente la lucha de la competencia." Marx, Miséria de la Filosofia.
Nem a concorrência nem o monopólio capitalistas interessam aos trabalhadores. Não se trata de sentar e esperar o triunfo da monopolização sobre a concorrência e o suposto conzequente fim do dominio burguês. Os monopolistas jamais irão calcular as necessidades sociais e ajustar a produção a essas necessidades, aliviando uma parcela da classe trabalhadora do sobretrabalho e a outra parte do desemprego. Por mais que a economia capitalista se monopolize, a jornada de trabalho só será reduzida se houver luta de classes. Se não houver luta de classes, o constante aumento da produtividade do trabalho redundará sempre em mais desemprego para os trabalhadores, em mais competição entre eles, e não na redução da sua jornada de trabalho.  | Seria pueril de minha parte se acreditasse que a concorrência entre os capitalistas é a causa da crises capitalistas. Por isso que sempre afirmo que a origem das mesmas encontra-se em sua BASE PRODUTIVA o que obviamente não se resume a concorrência entre os capitalistas.
É preciso ler nos autores o que eles realmente escreveram, como disse Engels. Jorge, você está querendo dizer que a concorrência é necessária mas não é suficiente para a existência das crises capitalistas?
Você acha que numa economia capitalista totalmente monopolizada, em que o monopolista buscaria vender o mais caro possível, já que não haveria concorrentes, haveria crises? Se positivo, o que as causaria?
Abraços fraternais.  | Bernstein também acreditava que os supostos fatores de adaptação do capitalismo - a instituição do crédito, a melhoria dos meios de comunicação e as organizações patronais - tornariam as revoluções dispensáveis, pois o socialismo seria realizado através das reformas. Rosa Luxemburgo refutou as crenças de Bernestein em reforma e revolução. Na obra Reforma ou Revolução, Rosa Luxemburgo escreve sobre o suposto fator de adaptação fusões patronais/monopólios: "Com esta mesma fragilidade aparece, quando o examinamos de mais perto, o segundo factor de adaptação da produção - as organizações patronais. Pela teoria de Bernstein deviam, regulamentando a produção, pôr fim à anarquia e prever a aparição das crises. Sem dúvida que o desenvolvimento das fusões e dos monopólios é um fenómeno que ainda não foi estudado em todas as suas diversas consequências económicas. É um problema que só se pode resolver recorrendo à doutrina marxista. De qualquer modo, uma coisa é certa: as associações patronais não conseguiram deter a anarquia capitalista, na medida em que as fusões, os monopólios, etc., se tornariam, mais ou menos aproximadamente, uma forma de produção generalizada ou dominante. Ora a própria natureza das fusões a torna impossível. O objectivo económico final e a acção das organizações é, excluindo a concorrência no interior de um sector da produção, influenciar a repartição do lucro bruto realizado no mercado, de maneira a aumentar a parte desse sector da indústria à custa de outros, precisamente por estar generalizada Prolongada a todos os sectores industriais importantes, anula por si própria o seu efeito. Mesmo nos limites da sua aplicação prática, as associações patronais estão muito longe de suprimir a anarquia, bem pelo contrário. Normalmente as concentrações só obtêm esse aumento de lucro no mercado interno relacionando-o com o estrangeiro, com uma taxa de lucro muito inferior à parte do capital excedentário que não podem utilizar para as necessidades internas, quer dizer. vendendo as suas mercadorias no estrangeiro a melhor preço que no interior do país. Dai resulta um agravamento da concorrência no estrangeiro, um reforço da anarquia no mercado mundial, exactamente o contrário do que se propunham conseguir. É o que prova, entre outras, a história mundial da indústria do açúcar. Finalmente, e generalizando a sua qualidade de fenómenos ligados ao modo de produção capitalista, as associações patronais podem apenas ser consideradas como uma fase precisa da evolução capitalista. De facto, as concentrações não passam de um paliativo para a baixa fatal da taxa de lucro em certos sectores da produção. Quais os métodos utilizados pelas concentrações para obterem esse efeito? No fundo não se trata de pôr em pousio uma parte do capital acumulado, quer dizer, o mesmo método utilizado sob outra forma em períodos de crise. Ora, do remédio à doença só existe uma diferença de grau e o remédio só pode passar por um mal menor durante um certo tempo. No dia em que as saídas tendam a estreitar-se, com o mercado mundial desenvolvido ao máximo e esgotado pela concorrência dos países capitalistas, ? e não se pode negar que esse dia chegará mais tarde ou mais cedo ? a imobilização parcial ou forçada do capital terá dimensões consideráveis: o remédio transformar-se-á no próprio mal e o capital, fortemente socializado pela organização e concentração, transformar-se-á novamente em capital privado. Enfrentando as dificuldades crescentes para encontrar um lugar no mercado, cada parte privada do capital preferirá tentar isoladamente a sua oportunidade. Nesse momento, as organizações rebentam como balões, dando lugar a um agravamento da concorrência (3). No conjunto, as fusões, tal como o crédito, aparecem como fases bem determinadas do desenvolvimento que, em última análise, apenas contribuem para aumentar a anarquia do mundo capitalista, manifestando em si próprias e levando à exaustão todas as suas contradições internas. Agravam o antagonismo existente entre o modo de produção e o modo de troca, agudizando a luta entre produtores e consumidores; temos um exemplo nos Estados Unidos da América. Agravam, por outro lado, a contradição entre o modo de produção e o modo de apropriação, opondo à classe operária, da maneira mais brutal, a força superior do capital organizado, conduzindo assim ao extremo o antagonismo entre o capital e o trabalho. Por fim, agravam a contradição entre o carácter internacional da economia capitalista mundial e o carácter nacional do Estado capitalista, porque sempre se fazem acompanhar de uma guerra alfandegária generalizada, exasperando assim os antagonismos entre os diferentes Estados capitalistas. A tudo isto acresce a influência revolucionária exercida pelas fusões na concentração da produção, no seu aperfeiçoamento técnico, etc. Assim, quanto à acção exercida na economia capitalista, as concentrações industriais, os monopólios, não aparecem como "factor de adaptação" apropriado para lhe atenuar as contradições, mas antes como um dos meios que inventa para agravar a sua própria anarquia, desenvolver as suas contradições internas, acelerar a sua própria ruína. Entretanto, se o sistema de crédito, se as concentrações, etc., não eliminam a anarquia do mundo capitalista, como se explica que, durante dois decénios, desde 1873, não se tenha produzido nenhuma grande crise comercial? Não será isso um sinal de que o modo de produção capitalista se adaptou ? pelo menos nas suas linhas fundamentais - às necessidades da sociedade, contràriamente à análise feita por Marx? A resposta não se fez esperar. Mal Bernstein arrumara, em 1898. a teoria marxista das crises entre as ideias antigas, rebentou uma violenta crise geral em 1900; sete anos depois uma nova crise abalou os Estados Unidos, atingindo todo o mercado mundial. Assim, a teoria da "adaptação" do capitalismo foi desmentida por factos eloqüentes. O próprio desmentido demonstrou que aqueles que abandonavam a teoria marxista das crises, pela única razão que nenhuma crise tinha rebentado no "prazo" previsto para que isso sucedesse, tinham confundido a essência dessa teoria com um dos seus aspectos exteriores secundários: o ciclo dos dez anos. Ora, a fórmula do período decenal, fechando todo o ciclo da indústria capitalista, era para Marx e Engels, nos anos 60 e 70, uma simples constatação dos factos: esses factos não correspondiam a uma lei natural, mas a uma série de circunstâncias históricas determinadas; estavam ligados à extensão por saltos, da esfera de influência do jovem capitalismo." http://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1900/ref_rev/cap01.htm#p1c2 Ou seja, a monopolização da economia não acabará com a anarquia da produção capitalista, ao contrário, agravará as crises.  | As crises econômicas capitalistas têm como causa o próprio funcionamento do sistema capitalista. É a interação dialética entre as várias categorias encontradas em sua base produtiva que aguçam as contradições e desencadeiam as crises. Por isso que a monopolização não evitaria as crises, como corretamente assinalou um camarada mais acima que destacou as citações da Rosa Luxemburgo, assim como também não as evitam a regulamentação e a desregulamentação do capital como já nos mostrou a experiência histórica.
Abraços!  | A tradução em português afirma os cartéis paliam a baixa fatal da taxa de lucro em certos setores da produção e que para atingir esse fim uma parte do capital acumulado NÃO é posto em pousio. No texto em inglês, diz-se o contrário, isto é, que os cartéis paliam a baixa fatal da taxa de lucro em determinados setores da produção pondo em pousio uma parte do capital acumulado.
"As concentrações não passam de um paliativo para a baixa fatal da taxa de lucro em certos sectores da produção. Quais os métodos utilizados pelas concentrações para obterem esse efeito? No fundo NÃO se trata de pôr em pousio uma parte do capital acumulado, quer dizer, o mesmo método utilizado sob outra forma em períodos de crise."
"Cartels are fundamentally nothing else than a means resorted to by the capitalist mode of production for the purpose of holding back the fatal fall of the rate of profit in certain branches of production. What method do cartels employ for this end? That of keeping inactive a part of the accumulated capital. That is, they use the same method which in another form is employed in crises."
Aquele 'não' da tradução portuguesa é intruso. Você não acha, Jorge?  | Para Marx a monopolização seria a fase final da curta existência histórica do capitalismo. A cartelização atual demonstra que estamos quase nessa fase. Em seus escritos de 1848 - 1850 (manifesto comunista e mensagem a Liga dos comunistas) Marx demonstra que essa monopolização se daria pela estatização total das grandes empresas. Ver o comentário acima Para Marx a monopolização seria a fase final da curta existência histórica do capitalismo. A cartelização atual demonstra que estamos quase nessa fase. Em seus escritos de 1848 - 1850 (manifesto comunista e mensagem a Liga dos comunistas) Marx demonstra que essa monopolização se daria pela estatização total das grandes empresas. O privatização do estado está se aprofundando. As corporações capitalistas quebradas são estatizadas e após saneadas com o dinheiro público são reprivatizadas. Lê os sinais dos tempos, Tddoy. O estatização do empresas está se aprofundando. As corporações capitalistas quebradas são estatizadas e após saneadas com o dinheiro público são, em alguns casos, reprivatizadas parcialmente, mas ai como elas nunca se recuperam de verdade, pois a calotaria e inadimplência generalizada não deixam e são irreversíveis, os governos aprovaram leis nos EUA e na UE (o resto do mundo se adequará rapidamente, muitos já estão se adequando) que, quando implantadas, e isso será em breve, toda a economia mundial será estatizada no estilo da velha URSS, pois não há outra alternativa para evitar o caos apocalíptico mundial. Lê os sinais dos tempos, Raymundo Toddy.
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