Em Guerra Civil em França, Marx escreveu que?

"É um estranho facto. Apesar de toda a conversa grandiloquente e toda a imensa literatura dos últimos sessenta anos sobre a Emancipação do Trabalho, assim que em qualquer parte os trabalhadores tomam o assunto nas suas próprias mãos com determinação, surge logo toda a fraseologia apologética dos porta-vozes da presente sociedade com os seus dois pólos: Capital e Escravatura Assalariada (o senhor da terra não é agora senão o sócio comanditário do capitalista), como se a sociedade capitalista ainda estivesse no seu mais puro estado de inocência virginal, com os seus antagonismos ainda não desenvolvidos, os seus enganos ainda não desmascarados, as suas realidades prostituídas ainda não postas a nu. A Comuna, exclamam eles, tenciona abolir a propriedade, base de toda a civilização! Sim, Senhores, a Comuna tencionava abolir toda essa propriedade de classe que faz do trabalho de muitos a riqueza de poucos. Ela aspirava à expropriação dos expropriadores. Queria fazer da propriedade individual uma realidade, transformando os meios de produção, terra e capital, agora principalmente meios de escravizar e explorar o trabalho, em meros instrumentos de trabalho livre e associado. - Mas isto é comunismo, comunismo 'impossível'! Ora pois, aqueles membros das classes dominantes que são bastante inteligentes para perceber a impossibilidade de continuar o sistema presente - e são muitos - tornaram-se os apóstolos, importunos e de voz cheia, da produção cooperativa. Se não cabe à produção cooperativa permanecer uma fraude e uma armadilha; se lhe cabe suplantar o sistema capitalista; se cabe às sociedades cooperativas unidas regular a produção nacional segundo um PLANO COMUM, tomando-a assim sob o seu próprio controlo e pondo termo à ANARQUIA constante e às convulsões periódicas que são a fatalidade da produção capitalista - que seria isto, Senhores, senão comunismo, comunismo 'possível'?"

No trecho supratranscrito, Marx deixa claro que a causa das crises capitalistas é a anarquia da produção capitalista.

Por seu turno, Bertrand Russel escreveu na sua obra Elogio ao Ócio que:

"Devido à ausência de qualquer CONTROLE CENTRAL sobre a produção, produzimos grande quantidade de coisas que não precisamos. Mantemos uma grande percentagem da população trabalhadora ociosa, porque podemos dispensar seu trabalho dando sobretrabalho a outros. Quando todos estes métodos se provarem inadeqüados, temos a guerra: colocamos muitas pessoas a fabricar explosivos, e muitas outras para explodi-los, como se fôssemos crianças que recém descobriram os fogos de artifício. Combinando estes mecanismo, somos capazes, com dificuldade, de manter viva a noção de que uma grande quantidade de trabalho manual intenso é o quinhão inevitável do homem comum."

Para Bertrand Russel, a causa das crises capitalistas é a ausência de controle central sobre a produção.

Para o Jorge Nogueira, a causa das crises capitalistas é a concorrência entre os capitalistas:

"Como demonstrou Marx a origem de toda a crise capitalista é a base produtiva do próprio sistema. A concorrência entre as empresas as leva a buscar vender mais barato do que o concorrente. Para isso investem em tecnologia para aumentar a produtividade e reduzir os custos de produção. Isso acarreta em demissões e redução de salários por um lado e queda da taxas de lucros das empresas por outro, além de uma abundância de mercadorias produzidas para serem consumidas. A essa queda as empresas respondem com novas medidas para reduzir os salários afetando a capacidade de consumo dos trabalhadores."

 http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/11/514043.shtml

Se a produção capitalista vier a se tornar praticamente monopolizada, as crises capitalistas terão fim? Se a concorrência entre os capitalistas acabar, será que a evolução científica-tecnológica será usada para que os trabalhadores tenham sua jornada de trabalho reduzida e seu poder aquisitivo elevado?

Não é isso o que tem ocorrido na economia capitalista, a qual está cada vez mais monopolizada. A concorrência é cada vez menor mas as crises capitalistas estão cada vez mais violentas. A causa da crise capitalista com certeza não é a concorrência entre os capitalistas. Sem essa concorrência, a situação seria pior.