A imprensa de direita felicita a França por usar força militar no Mali. A esquerda jornalística se recusa a condenar a decisão de Hollande, que se dizia socialista e contrário às aventuras militaristas de seu antecessor na Líbia.

Quando os liberais e neoliberais iniciaram sua guerra permanente ao terror (uma refinada forma de terrorismo de Estado que visa lucro e consolidação de poder extra-territorial) a esquerda chiou bastante (e com razão). Mas quando a esquerda faz a mesma coisa e pelo mesmo motivo (neocolonialismo lucrativo para alguns) aqueles que se dizem de esquerda deveriam ficar ultrajados. E eu me sinto ainda mais ultrajado quando vejo a suposta esquerda jornalística se recusando a condenar a hedionda guinada à direita daquele que era o mais promissor líder da esquerda européia.

Se tivessem resistido ao nacionalismo e fechado posição contra a aprovação das despesas e dos créditos de guerra no Parlamento Alemão, os socialistas alemães poderiam ter abreviado a I Guerra Mundial. Mais que isto, eles teriam salvado milhões de vidas e quem sabe até ajudado a evitar a imensa crise que conduziu o nazismo ao poder com as consequências já conhecidas (II Guerra Mundial, Holocausto e dezenas de milhões de mortos).

A esquerda francesa vai, neste início do século XXI, pelo mesmo caminho "de direita" que os socialistas alemães do principio do seculo XX. Não aprenderam nada com a História ou nem se deram ao trabalho de estudá-la?

Hollande não passa de um hipócrita banal, de um boneco impotente diante dos interesses financeiros que comandam a França e a Eurozona (que virou apenas uma zona e corre o risco de ficar sem o Euro). Ele usa o militarismo como instrumento de política externa no Mali e aciona, internamente, os motores do nacionalismo francês com consequencias imprevisíveis.

Se tiver hesito, Hollande ficará com a popularidade alta e poderá garantir um segundo mandato sem ter que enfrentar os bancos e os interesses consolidados dos mesmos na França (o nacionalismo não enche a barriga do povo, mas o deixa feliz durante as crises e "felicidade é igual a votos" como todos sabem). Se ele fracassar no Mali, a extrema direita chegará ao poder na França justamente num período de exacerbação do nacionalismo desencadeado pela estupidez e covardia da esquerda.

O sonho de uma esquerda autentica governando de maneira autentica na França já virou pesadelo. De agora em diante a esquerda mundial não poderá esperar mais nada deste canalha chamado Hollande.