O vazamento começou em novembro após o furto dos registros de cobre dos tanques TT1, TT2 e L2D da subestação desativada, localizada em uma área doada pela CELESC à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mas o problema foi descoberto pelo vigia só depois de um mês quando a substância já havia contaminado o solo, o lençol freático e o mangue.

Quando o vazamento foi noticiado pela imprensa local a CELESC se pronunciou afirmando que a substância contaminante se tratava de óleo mineral e que nenhum animal teria morrido na região, tentando amenizar a gravidade do problema. A declaração da CELESC foi desmentida após as análises laboratoriais que comprovaram se tratar de Ascarel, nome comercial de um óleo resultante de uma mistura de hidrocarbonetos derivados de petróleo, contendo Alocloro 124, uma bifenila policlorada (PCB), substância de uso proibido no Brasil desde 1981 e pela Convenção de Estocolmo desde 2001. O óleo altamente tóxico por conter bifenila policlorada e alacloro consideradas carcinogênicas, e que afetam, sobretudo, o fígado, baço, rins e pode causar danos irreversíveis ao sistema nervoso, tem causado a morte de animais e plantas, dores de cabeça, nos olhos e náusea nos moradores das imediações como relato de um fiscal da FATMA, em seu blog.

Embora Universidade Federal de Santa Catarina ser supostamente uma das responsáveis pela área onde está a subestação, pela área ter sido doada para ampliar a Fazenda Ressacada do Centro de Ciências Agrárias, contraditoriamente, até o momento a instituição não tomou qualquer iniciativa para apurar a extensão do desastre socioambiental que afeta seus vizinhos maricultores e pescadores artesanais, sua única iniciativa foi se isentar de qualquer responsabilidade afirmando, por meio do procurador da universidade Cesar Azambuja, que o processo de doação da CELESC para UFSC não foi concluído, pela área estar alienada por causa de dívidas.

O IBAMA em uma atuação demagógica multou a CELESC em R$ 50 mil ao dia, um valor ínfimo dado que a multa não cobre nem as análises e demais custos para conter o vazamento, que está sendo feita pela Fundação do Meio Ambiente (FATMA). Para minimizar os estragos, a Celesc contratou a empresa Ecosorb, que com apoio de boias tenta centralizar o óleo para iniciar o processo de sucção, mas essa ação ainda é tênue dado à gravidade da contaminação que já tem dois meses, tempo em que pescadores, maricultores e turistas ficaram expostos ao Ascarel.