O Jardim Itaqui, desde 2008, ao denunciar a mineradora Saara, empresa extratora de areia responsável pelo despejo de várias famílias da vila através de cheque despejo, vive no ostracismo. No final de 2008, reivindicou em audiência pública do MP realizada na própria vila a imediata regularização do terreno. Nunca houve sequer um comunicado sobre o pedido. Ainda, em 2013, moradores vivem sem água, luz, agente de saúde e esgoto regularizados. Mais outro explícito exemplo de completo desprezo.

A maioria das pessoas que ocupam estas áreas irregulares, não comporta as altas prestações exigidas pelo financiamento da Cohab ou mesmo do programa de habitação do governo federal ?Minha casa, minha vida?. Programas estes que atendem famílias com renda superior a três salários mínimos.

No Brasil, bem como em toda América Latina, há incompatibilidade entre o salário da maioria dos trabalhadores e o custo da moradia urbana. As favelas são auto empreendidas pelos moradores, que assim justificam os baixíssimos salários.

A mobilidade social, tão destacada pelas propagandas governamentais, ainda faz parte de uma campanha midiática, não da realidade, o que acaba por provar que inserção nas estatísticas do pleno emprego e acessos aos bens da linha branca e serviços de primeira necessidade não bastam para suprir o acesso à moradia digna, de fato.