No filme de Tarantino, Django é um Siegfried negro que salva sua Brunhilde (que fala corretamente o alemão) das garras dos brancos bárbaros que brutalizam escravos.

O maior problema do filme é justamente sua maior virtude: a interpretação da cultura dos negros através de uma referencia cultural européia.

Para fazer a inversão de valores, o filme esconde a verdadeira cultura dos negros (que alimentou a resistência à escravidão no passado) e valoriza a cultura dos brancos europeus que praticaram largamente a escravidão e o racismo.

A resistência à escravidão racial do século XIX baseada numa antiga lenda germânica (Siegfried e Brunhilde) no fundo destrói a memória cultural dos povos africanos que foram escravizados ao invés de recuperá-lá.

Um povo só conquista e conserva sua liberdade preservando sua verdadeira herança cultural. E é exatamente isto o que Django destrói.

O racismo cultural no filme de Tarantino é evidente. Ele não estudou as verdadeiras culturas Africanas por intermédio das quais os escravos negros resistiram à escravidão. Se Tarantino tivesse estudado o tema do filme (racismo e resistencia a escravidão) ele perceberia que os escravos não lutaram contra a opressão valorizando a cultura do opressor.

A ideologia implícita no filme é a seguinte: só podemos lutar contra o racismo e a escravidão por intermédio da cultura européia. Isto não faz sentido, nem mesmo tem veracidade.

No coração profundo da obra de Tarantino há um dragão racista acordado. E ele diz aos negros que forem ao cinema ver Django: esqueçam sua verdadeira cultura, vocês não têm direito a ter uma.