No entanto, até agora, o Governo do Estado sequer iniciou o processo de negociação com as comunidades e, mesmo assim, o consórcio tem avançado com a obra, arrancando as árvores plantadas pela própria comunidade, removendo o muro de contenção às margens do atual trilho que beira a comunidade e preparando o terreno para instalação dos novos trilhos do VLT.

Na manhã da quarta-feira, 16/01, os moradores da Jangadeiro denunciaram novos cortes de árvores na região. Ao questionarem o responsável local pela obra, obtiveram como resposta que o consórcio tinha uma licença da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), bem como autorização da Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra), para aquela ação. O representante do consórcio afirmou que só parariam a obra com uma determinação da Seinfra, ignorando completamente a decisão judicial. Ainda assim, com a pressão dos moradores, os operários não retomaram o trabalho após o horário do almoço.

No dia seguinte, as empresas fizeram uma nova tentativa de continuar a obra, mas os moradores da comunidade acionaram o procurador da Semace, o Dr. Martinho Olavo, que foi com uma equipe ao local verificar a denúncia. O procurador dialogou com os representantes do consórcio, tendo em vista que a decisão judicial foi emitida após a licença da Superintendência, sugerindo que estes cumprissem com o que foi determinado pela 9ª Vara da Fazenda Pública.

Na sexta-feira, com o argumento que limpariam os restos de árvores e entulhos e deixados nas ações anteriores, os operários contratados pelo consórcio retornaram. Desta vez, chegaram com uma retroescavadeira, derrubando varais estendidos pelos moradores e parte do muro de contenção do trilho que existe na região. O vereador João Alfredo (PSOL) esteve no local, fotografou e denunciou a ação nas redes sociais. "Todas essas obras fazem parte do projeto do VLT e significam uma pressão e agressão às pessoas que ali residem há décadas. Além do mais - o que é gravíssimo - materializam um claro desrespeito à decisão do judiciário, que condicionou o início das obras à indenização ou reassentamento das populações atingidas, que efetivamente não ocorreu", protestou o vereador.

O resultado desta série de conflitos entre a comunidade local e o consórcio responsável pela obra do VLT foi uma visita da equipe da Semace, que vistoriou o local e produzirá um relatório. Além disso, a Defensoria Pública apresentará, em face desses novos fatos, uma petição renovando o pedido de suspensão da obra e solicitando que seja realizada uma inspeção judicial no local.