Continua foragido homem acusado de contratar os pistoleiros que assassinaram o vereador Evaldo José Nalin, de Analândia/SP, em dia 09 de outubro de 2010, por volta das 22h15min, diante da esposa, com sete tiros, quatro deles na cabeça.

Luiz Carlos Perin, o ?Chiba?, 45 anos, é irmão do ex-prefeito José Roberto Perin (DEM). Ele teve sua prisão preventiva decretada novamente na sexta-feira (18), pelo desembargador Antonio Carlos Machado de Andrade.

O caso chegou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) através de recurso ajuizado pelo Ministério Público contra decisão do juiz Daniel Scherer Borborema, do Foro Distrital de Itirapina, que faz parte da Comarca de Rio Claro, que havia decretado a prisão de Luiz Carlos Perin e depois a revogou.

No dia 18 de outubro de 2012, o TJSP já havia reformado outra decisão do juiz Daniel Scherer Borborema, que entendia não haver motivos para enviar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri. Pela decisão do TJSP, ?Chiba? irá julgamento pelo Tribunal do Júri de Itirapina/SP.

Para delegados e promotores que atuam no caso, não há dúvida que a motivação do assassinato é política. O ex-vereador Evaldo José Nalin era aliado político de José Roberto Perin e depois virou oposição. Antes de ser morto ele investigava fraudes em concursos públicos mediante manipulação de resultados para favorecer vereadores e seus parentes, entre outros correligionários do ex-prefeito José Roberto Perin.

A revogação da prisão preventiva de ?Chiba? foi baseada em um vídeo feito mediante oferecimento de dinheiro. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, familiares de ?Chiba? teriam oferecido dinheiro para que uma testemunha desviasse a atenção das investigações, acusando outras pessoas como interessadas ou responsáveis pelo assassinato de Evaldo José Nalin.

?Chiba? é acusado de contratar André Picanto e um comparsa ainda não identificado para executar o crime. André Picanto morreu em janeiro de 2011, após ser misteriosamente atropelado por um carro em uma rodovia próxima a Carapicuíba, na região metropolitana da capital paulista, quando trocava o pneu do carro em que viajava.

O desembargador Antonio Carlos Machado de Andrade afirmou em sua decisão que Nalin promovia ?no regular exercício da vereança, a constante fiscalização da atividade da administração pública municipal, tanto em sessões da Câmara, quanto por meio de representações junto ao Ministério Público de São Paulo, noticiando eventuais irregularidades praticadas pelo Poder Executivo analandense?.

Ainda conforme o desembargado, ?a atividade fiscalizatória exercida pela vítima teria causado inconformismo do paciente [Luiz Carlos Perin, o ?Chiba?], que vislumbrou no ofendido [Evaldo José Nalin] um obstáculo à manutenção de seus familiares no poder da administração pública municipal daquela cidade [Analândia]?. A família Perin controlava a política analandense há cerca de 20 anos.

Lembrou o desembargador que, de início, todos os pedidos de liberdade provisória formulados perante o Juízo de Direito de Itirapina foram indeferidos. O mesmo ocorreu com os Habeas Corpus impetrados perante o TJSP, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, em março de 2011, advogados de ?Chiba? pediram a revogação da prisão preventiva diretamente ao juiz que a havia decretado, Daniel Scherer Borborema, acompanhado de um vídeo contendo uma conversa da testemunha Sebastião Donizete Ferreira, o ?Nanau?, onde afirma que mentiu a respeito de seu depoimento judicial desfavorável a ?Chiba? e tentou imputar o crime a outras pessoas.
Com base no conteúdo do vídeo, o juiz Daniel Scherer Borborema revogou a prisão preventiva de ?Chiba?, apesar de ter sido, de pronto e previamente, levantado pelo Ministério Público, a possibilidade do vídeo ter sido forjado e, ainda, que a prisão cautelar não estava baseada unicamente no depoimento da testemunha Sebastião Donizete, mas em todo conjunto probatório colhido durante as investigações.

Após a soltura de ?Chiba?, a testemunha Sebastião Donizete Ferreira (?Nanau?) prestou novo depoimento ao juiz Daniel Scherer Borborema e afirmou categoricamente que o teor do DVD apresentado pelos advogados de acusado é falso. ?Nanau? disse ter sido procurado por Vitor Ferreira e pelo ex-vereador Sidnei Carlos Valeriano, o ?Giribi?, a pedido do ex-prefeito José Roberto Perin, irmão de ?Chiba?, que lhe pediram para fazer um vídeo falso para soltar o acusado. Para tanto, receberia a quantia de R$ 30.000,00.

?Nanau? disse em juízo que durante a gravação do vídeo, o ex-vereador ?Giribi? conversava ao telefone com José Roberto Perin. Detalhes da sala em foi gravado o vídeo revelam que se tratava da casa de ?Giribi?. Durante o depoimento ao juiz, ?Nanau?, que já cumpriu pena de prisão, afirmou que ?Chiba? lhe ofereceu dinheiro para matar outro desafeto da família Perin, o engenheiro agrônomo Vanderlei Vivaldini Junior, ativista da AMASA ? Amigos Associados de Analândia, organização não governamental de combate à corrupção. A mesma proposta teria sido feita ainda a outro ex-presidiário, Rodrigo Antonio Ferreira Silva.
O ex-vereador Sebastião Donizete (?Giribi?), que teria dirigido a produção do vídeo destinado a soltar ?Chiba? presta serviços de transporte escolar para a Prefeitura de Analândia e possui ligação política com José Roberto Perin.

O delegado de polícia Marcos Garcia Fuentes, que investigou o assassinato, diz que, desde o início, havia suspeita de motivação política para o cometimento do homicídio, pois não houve qualquer indício de crime patrimonial. Nada de valor foi levado da casa do ex-vereador Evaldo José Nalin.

As investigações apuraram indícios de autoria com relação a André Picanto e ?Galera?, dois rapazes abordados pela polícia militar de Analândia, dois dias antes do crime, próximos à casa do ex-vereador assassinado.

Interceptações telefônicas autorizadas pela justiça revelaram que no mesmo dia em que ?Chiba? foi preso, houve um telefonema de Rodrigo ?Bocão?, irmão de André Picanto, perguntando se ele sabia da prisão do ?rapaz? de Analândia. André Picanto não entendeu exatamente e pediu mais informações. Então, seu irmão disse que estava se referindo ao ?frango da moeda?. Mais tarde, em depoimento, Rodrigo ?Bocão? relatou que, por ?frango da moeda? deve-se entender o mandante do crime.

As interceptações telefônicas também revelaram que a ex-mulher de André Picanto, após assistir a reportagem sobre a prisão de ?Chiba?, também telefonou ao ex-marido para conversar a respeito. A motocicleta Hornet, utilizada pelos executores do crime, havia sido roubada em Rio Claro. As vítimas reconheceram André Picanto como sendo um dos autores do furto da moto.

Para o desembargador Rodrigo Antonio Ferreira Silva, o juiz Daniel Scherer Borborema teria se precipitado. Para ele, o juiz de Itirapina ?adiantou-se no mérito do feito, aduzindo que os indícios de autoria estariam fragilizados, em razão do vídeo apresentado?,

- Ao que se vê, o Juiz singular tomou como verdadeiro e incontroverso meio de prova [o vídeo] unilateralmente produzido pelo recorrido [?Chiba?], sem ponderar quanto à sua veracidade, desqualificando todas as demais provas produzidas sob o crivo das garantias constitucionais?, salientou o desembargador.

AMEAÇAS

Sexta-feira (18), na mesma hora em que a esposa de um integrante da família Vivaldini representava na Delegacia de Polícia de Analândia contra ?Chiba?, acusando-o de ter invadido o quintal de sua casa na madrugada do dia 21 de dezembro, o policial reformado Marcos Perin, irmão do acusado, procurou o pai da denunciante para fazer ameaças.

?Marcão?, como é conhecido em Analândia/SP, teria afirmado que ?se sobrasse alguma coisa? para o irmão dele [?Chiba?] em razão da denúncia que estava sendo feito ?as pessoas iam ver do que sua família era capaz?.